O
planeta do general. O planetinha que o Pequeno Príncipe esqueceu de relatar.
(Em
homenagem aos que apoiam as intervenções imperialistas)
O Pequeno Príncipe
chegou ao mais estranho dos planetinhas que já visitara. A aparência do planeta
era similar aos outros. Era pequeno. Bem pequeno. Bastava alguns passos para ir
de um lado ao outro deste pequeno orbe.
O
que o fazia tão estranho? A estranheza estava nos personagens que viviam nele.
A
pessoinha vestia-se como um militar. Usava um chapéu estranho. Usava também uma
farda azul. E botas. E bigodes. Tinha um ar sério. Sobre os ombros fixavam-se dragonas
amarelas. O estilo era bem pomposo.
Em
um primeiro momento, não dava para saber se era um maestro daquelas bandas coloridas
que andam pelas ruas nos dias festivos.
Também
poderia ser um militar. Olhando bem de perto, em função das medalhas, deveria
ser um militar importante.
Mas
o que deixava tudo bem estranho eram as formigas. Elas estavam em frente ao
pequeno militar. Estavam perfiladas. Parecia estarem à espera de ordens.
Atentas, pareciam viver para obedecer.
O
planetinha estava quase sem oxigênio, nem água. Afinal, já não existia nele
plantas, rios ou animais.
-
Olá senhor! O senhor é um militar?
-
Que susto pequeno viajante. Claro que sou um militar. Mais que isso: sou
General generalíssimo, comandante supremo de tudo que aqui existe.
-
Então, General, o senhor é muito importante!
-
Claro que sim! Veja o meu exército! Ele não é assustador?
-
Desculpa-me, General, só vejo pequenas formigas.
-
Tens problema de visão, meu caro visitante? Eis o meu exército. Não se engane!
Não são apenas formigas. São formigas militares, heroicas, fortes, destruidoras.
Sempre a espera de ordens. Sempre obedecem. Nunca questionam.
-
Que medo!
-
Melhor ter medo mesmo. – Confirma o sujeitinho fardado.
-
General, o senhor percebeu que seu mundo está acabando?
-
Sim, evidentemente. Afinal, sou um General generalíssimo. Já mandei o meu exército
fazer mais exercícios militares para enfrentar o inimigo.
-
Qual inimigo, senhor general?
-
Ora, bem se vê que és um civil, inapto para os grandes perigos. O inimigo, ora,
é a destruição do planeta. – O general estava feliz em ser superior ao visitante.
-
Entendo. Mas, o que exercícios militares podem ajudar nessa situação?
-
Ora, militares treinados lutam melhor contra o inimigo.
-
Sim. Mas e o planeta? Apesar dos exercícios militares, o planeta vai morrer.
-
Sim, sei disso. Então vou mandar meu exército de formigas construírem trincheiras.
-
Só isso?
-
O visitante acha pouco? Então vou mandar construir enormes formigueiros. Não
qualquer formigueiro, mas totalmente armado e a prova de bombas.
-
Quais bombas? - Pergunta o visitante ao General.
-
Não importa. Se tu falas em destruição do planeta, com certeza haverá bombas!
-
Mas senhor, o planeta está morrendo porque não tem ar, nem água.
-
Ora, jovem, vou mandar meu exército destruir aquela plantinha ali. – E os
insetos acabaram com a planta em um segundo. Eram bem treinados!
-
Porque o senhor fez isso? – Assustou-se o jovem visitante.
-
Ora, jovenzinho, para mostrar ao inimigo nosso poder! Os inimigos temerão nosso
poder. E os militares vivem disso: enormes demonstrações de poder destrutivo.
-
General, mas é o planeta que será destruído!
-
Obrigado por reconhecer isso, meu jovem!
-
Não entendi, senhor.
-
Ora, se os militares vivem para demonstrar seu poder de destruição, destruir o
planeta é a maior, e magnífica, e definitiva, e estrondosa manifestação deste
poder! Antes que tudo acabe...acabemos antes!!!!
Assustado
com tal brutalidade e espantosa ignorância, o jovem viajante continuou sua
viagem por outros mundos. Ainda deu tempo para ouvir o general gritar para seu exército
de insetos:
-
Destruam tudo o que poderem para demonstrar nosso poder. E destruam logo, antes
que este mundo acabe!

Nenhum comentário:
Postar um comentário