Olá meu amigo onírico! Meu melhor amigo!
Acordei muito cedo hoje. Devo ter sonhado algo muito, muito interessante: coisas atenienses! Mesmo sem lembrar, já abri meus olhos para o dia pensando coisas complexas!
Seria ótimo o governo de um só. De preferência um tirano, um déspota. Isso se fosse esse governante um (a) deus (a). Ora, imaginem um (a) deus (a) da justiça comandando o país! Seria divino! Perfeitamente divino. Que maravilha!
Por outro lado, um governo democrático governado por imbecis seria uma tragédia. A maioria insana elege um insano: como poderia ser diferente? Um horror! Idiotas escolhendo idiotas como ministros que idiotizam toda uma estrutura governamental. Uma tragédia sem volta! Mas, um grupo de deuses perfeitos seriam perfeitos democratas escolhendo perfeitamente!
O problema do número (um ou muitos) é um problema clássico, meu amigo virtual. Um governa (tirania) ou muitos governam (democracia)? A tirania de uma pessoa ou a tirania da maioria ? Ambos são males possíveis de serem evitados.
Entretanto, não creio que o número seja a questão central. O foco deve ser a imbecilidade.
Especialidade dos humanos: optarem pela imbecilidade.
Esta doença deve ser extirpada a ferro e fogo! Não a pessoa, claro; mas a capacidade de ser imbecil deve ser combatida. Da mesma forma que matamos a infecção e não o infectado, até porque a própria infecção já o mataria.
Em tempo: a imbecilidade mata.
O foco é a nossa capacidade de desenvolver a imbecilidade. Os imbecis que escolhem serem imbecis devem ser banidos. O ostracismo para o bem coletivo. Só voltariam quando se auto curarem.
Há boatos não confirmados de que algumas pessoas conseguiram evitá-la após tê-la cometido algumas vezes.
Mas é como um vício em álcool. Uma vez praticante da imbecilidade, a tendência é repetir a dose. O dependente cretino tem que ter muita força de vontade, ir a grupos de autoajuda em bibliotecas. Da mesma forma que o dependente químico, o imbecil não tem cura. Terá crises de abstinência. Basta apenas uma idiotice e pronto! Retoma o vício.
O problema não é a forma de governo. A questão recai sobre quem governa. Para o governante bom, justo e democrático, qualquer forma de governo é boa, justa e democrática! Precisamos de deuses e deusas para serem eleitos e eleitas!
A imbecilidade geralmente é atávica.
De pais e mães para filhos e filhas. Ela é ensinada desde cedo. É uma violência simbólica terrível. As pessoas dizem aos seus filhos e filhas:
“Odeie este e aquele! ”
“Veja, este é o mal absoluto, aquele é o bem absoluto! ”
“Já este outro é absolutamente desprezível! ”
“Isto é absolutamente verdadeiro e aquilo é absolutamente mentiroso! ”
E mais, dizem: “Creiam em absolutos! ”
É difícil definir o imbecil, mas os sinais são claros e clássicos.
O cretino crê que está sempre certo. Pensa que a terra é plana, que as vacinas contaminam e que a ciência é mentirosa. O imbecil adora o que crê ser a vida dos ricos, mesmo sabendo que a riqueza está em quem o explora. O imbecil odeia o Estado de bem-estar social.
É determinante para o diagnóstico: o imbecil acredita que os EUA são modelo para o mundo.
Creiam: a questão não é de número. A questão é de pessoas e de sua capacidade de serem estúpidas.
Escrevo esta carta para desabafar. Como ninguém me ouve, conto para ti meu amigo interno.
O problema do Brasil não é o governo em si. A questão é a proliferação absurda de idiotas. O imbecil precisa de espelho. Nada melhor que colocar no governo seus iguais para poder contemplar cópias de si mesmo. Quanta imbecilidade!

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