terça-feira, 21 de abril de 2026

Mais uma carta para meu amigo imaginário! Quem não gostaria de escrever uma carta para um amigo inexistente?

 


Meu amigo ilusório!

Estou no meu escritório, no meu apartamento.

Pela janela o cinza de um dia chuvoso adentra o ambiente. Estou cercado de silêncios gritantes e de intelectuais calados, fechados entre as capas dos livros nas minhas estantes. 

Pobres intelectuais! São presidiários em seus livros.

Hoje não vou ler, melhor dizendo, não vou libertar nenhum deles.

Há muito que ler no meu escritório. Mas não há ninguém para me ouvir. Há mais coisas para aprender do que dias para eu viver. Vivo entre estas fatalidades.

Meu amigo onírico! Só tu podes me entender.

Minha alma é um oceano. Meu pensamento é ventania, vendaval.

Minha pele e músculos são as margens para as águas - sempre a espera de tsunamis – deste mar que me inunda. 

As pessoas só veem minha pele e músculos, nunca o tsunami.

Escrevo e gravo vídeos para diminuir a pressão. Como se eu fosse um balão, sinto enorme pressão de dentro para fora. Quase a explodir.

Não se engane meu amigo interno! Apesar desta solidão, não moro sozinho, nem sou náufrago. Vivo entre gentes e movimentos. A solidão é interna!

A solidão está dentro do meu corpo. Dentro de mim não há ninguém me fazendo companhia. Estou lotado de informações e vazio de compreensão. Moro sozinho dentro de mim; não há ninguém para conversar.

Agora tenho a ti, meu amigo inexistente. Portanto, meu amigo, meu melhor amigo, não me decepcione: ouça-me sempre.

Não esqueça: estenda-me a mão quando eu estiver perdido na minha imensidão interna sem saber o caminho de volta. Salva-me de mim mesmo!

sábado, 18 de abril de 2026

Uma carta política para meu amigo imaginário! Meu amigo onírico! Como seria?



Olá meu amigo onírico! Meu melhor amigo! 

 Acordei muito cedo hoje. Devo ter sonhado algo muito, muito interessante: coisas atenienses! Mesmo sem lembrar, já abri meus olhos para o dia pensando coisas complexas! 

Seria ótimo o governo de um só. De preferência um tirano, um déspota. Isso se fosse esse governante um (a) deus (a). Ora, imaginem um (a) deus (a) da justiça comandando o país! Seria divino! Perfeitamente divino. Que maravilha! 

Por outro lado, um governo democrático governado por imbecis seria uma tragédia. A maioria insana elege um insano: como poderia ser diferente? Um horror! Idiotas escolhendo idiotas como ministros que idiotizam toda uma estrutura governamental. Uma tragédia sem volta! Mas, um grupo de deuses perfeitos seriam perfeitos democratas escolhendo perfeitamente! 

O problema do número (um ou muitos) é um problema clássico, meu amigo virtual. Um governa (tirania) ou muitos governam (democracia)? A tirania de uma pessoa ou a tirania da maioria ? Ambos são males possíveis de serem evitados. 

Entretanto, não creio que o número seja a questão central. O foco deve ser a imbecilidade. 

Especialidade dos humanos: optarem pela imbecilidade. 

Esta doença deve ser extirpada a ferro e fogo! Não a pessoa, claro; mas a capacidade de ser imbecil deve ser combatida. Da mesma forma que matamos a infecção e não o infectado, até porque a própria infecção já o mataria. 

Em tempo: a imbecilidade mata. 

O foco é a nossa capacidade de desenvolver a imbecilidade. Os imbecis que escolhem serem imbecis devem ser banidos. O ostracismo para o bem coletivo. Só voltariam quando se auto curarem. 

Há boatos não confirmados de que algumas pessoas conseguiram evitá-la após tê-la cometido algumas vezes. 

Mas é como um vício em álcool. Uma vez praticante da imbecilidade, a tendência é repetir a dose. O dependente cretino tem que ter muita força de vontade, ir a grupos de autoajuda em bibliotecas. Da mesma forma que o dependente químico, o imbecil não tem cura. Terá crises de abstinência. Basta apenas uma idiotice e pronto! Retoma o vício. 

O problema não é a forma de governo. A questão recai sobre quem governa. Para o governante bom, justo e democrático, qualquer forma de governo é boa, justa e democrática! Precisamos de deuses e deusas para serem eleitos e eleitas! 

A imbecilidade geralmente é atávica. 

De pais e mães para filhos e filhas. Ela é ensinada desde cedo. É uma violência simbólica terrível. As pessoas dizem aos seus filhos e filhas:

“Odeie este e aquele! ”

“Veja, este é o mal absoluto, aquele é o bem absoluto! ”

“Já este outro é absolutamente desprezível! ” 

“Isto é absolutamente verdadeiro e aquilo é absolutamente mentiroso! ” 

E mais, dizem: “Creiam em absolutos! ” 

É difícil definir o imbecil, mas os sinais são claros e clássicos. 

O cretino crê que está sempre certo. Pensa que a terra é plana, que as vacinas contaminam e que a ciência é mentirosa. O imbecil adora o que crê ser a vida dos ricos, mesmo sabendo que a riqueza está em quem o explora. O imbecil odeia o Estado de bem-estar social. 

É determinante para o diagnóstico: o imbecil acredita que os EUA são modelo para o mundo. 

Creiam: a questão não é de número. A questão é de pessoas e de sua capacidade de serem estúpidas.

Escrevo esta carta para desabafar.  Como ninguém me ouve, conto para ti meu amigo interno. 

O problema do Brasil não é o governo em si. A questão é a proliferação absurda de idiotas. O imbecil precisa de espelho. Nada melhor que colocar no governo seus iguais para poder contemplar cópias de si mesmo. Quanta imbecilidade! 

domingo, 12 de abril de 2026

Aula 8o ano (aula 02) Brasil Imperial

 

Principais eventos no Reinado de D. João VI

 


O Reinado de D. João VI: Do Rio de Janeiro a Lisboa (Retorno)

O governo de D. João VI é um dos períodos mais singulares da história mundial, pois foi a única vez em que um monarca europeu governou seu império a partir de uma colônia nas Américas.

Abertura dos Portos: Assim que chegou, ele acabou com o "pacto colonial", permitindo que o Brasil comercializasse com outras nações (principalmente a Inglaterra).

Transformações no Rio de Janeiro: A cidade precisava se tornar uma capital digna de um rei. D. João VI fundou instituições que existem até hoje:

  • Banco do Brasil (Economia).
  • Imprensa Régia (Criação de jornais).
  • Jardim Botânico e Biblioteca Real.
  • Missão Artística Francesa: Trouxe artistas como Debret para registrar a vida no Brasil.

3. Elevação do Brasil a Reino Unido (1815)

Com a derrota de Napoleão na Europa, o Brasil deixou de ser oficialmente uma colônia e passou a ser Reino Unido a Portugal e Algarves. Na prática, isso significava que o Brasil tinha o mesmo status político que a metrópole.

4. Conflitos e Tensões

Nem tudo foi festa. O reinado enfrentou resistência:

  • Revolução Pernambucana (1817): Um movimento republicano e separatista no Nordeste, causado pelos altos impostos e pela crise econômica, que foi duramente reprimido.
  • Envolvimento em duas guerras: Invasão da Guiana Francesa e do território chamado Cisplatina (Atual Uruguai)
  • Questões relativas aos impostos

5. A Revolução Liberal do Porto (1820)

Este foi o evento que mudou tudo. Em Portugal, a burguesia e os militares exigiram:

  1. O retorno imediato do Rei para Lisboa.
  2. A criação de uma Constituição (fim do absolutismo).
  3. A recolonização do Brasil (o que os brasileiros não aceitaram).

O Retorno (1821): Pressionado, D. João VI voltou para Portugal, mas deixou seu filho, D. Pedro I, como Príncipe Regente no Brasil, aconselhando-o: "Pedro, se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros".


Resumo

Evento

Consequência para o Brasil

Abertura dos Portos

Fim do monopólio comercial português.

Reino Unido (1815)

Igualdade política com Portugal.

Rev. do Porto (1820)

Crise política que levou à Independência.

 

 

D. Pedro – O príncipe Regente



O reinado de D. Pedro I, especificamente o período que compreende desde a partida de D. João VI até sua abdicação, é um dos momentos mais turbulentos e decisivos da história brasileira.


1. A Regência e o Grito de Independência (1821–1822)

Após o retorno de D. João VI a Portugal em abril de 1821, seu filho Pedro permaneceu como Príncipe Regente. A pressão das Cortes Portuguesas para que o Brasil retornasse ao status de colônia e que o príncipe voltasse a Lisboa gerou forte resistência local.

  • Dia do Fico (9 de janeiro de 1822): D. Pedro desobedece às ordens de Portugal e decide permanecer no Brasil.
  • 7 de setembro de 1822: Às margens do riacho Ipiranga, D. Pedro declara a Independência do Brasil, sendo coroado Imperador pouco depois.

2. A Consolidação e a Primeira Constituição (1823–1824)

A organização do novo Estado foi marcada por conflitos entre o desejo de poder do Imperador e as aspirações da elite brasileira.

  • Noite da Agonia (1823): D. Pedro I dissolve a Assembleia Constituinte por discordar da limitação de seus poderes.
  • Constituição de 1824: Outorgada (imposta) pelo Imperador, criou o Poder Moderador, que dava a ele autoridade sobre os demais poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário).

3. Crises Internas e Externas

O reinado enfrentou forte oposição em diversas frentes:

  • Confederação do Equador (1824): Movimento republicano e separatista no Nordeste, severamente reprimido pelo Império.
  • Guerra da Cisplatina (1825–1828): Conflito territorial que resultou na independência do Uruguai, gerando altos custos financeiros e perda de popularidade para o Imperador.
  • Crise Sucessória em Portugal: Com a morte de D. João VI, D. Pedro se envolveu profundamente nas disputas pelo trono português contra seu irmão, D. Miguel, o que fez os brasileiros temerem uma nova união com Portugal.

4. O Declínio e a Abdicação (1831)

A insatisfação popular e política atingiu o ápice no início da década de 1830.

- A Noite das Garrafadas (1831): Conflitos violentos no Rio de Janeiro entre apoiadores brasileiros e portugueses do Imperador. Os liberais aproveitaram uma festa que estava sendo preparada para Dom Pedro I, sobretudo por portugueses, para quando o imperador chegasse ao Rio de Janeiro.

- 7 de Abril de 1831: Sem apoio militar e político, D. Pedro I abdica do trono em favor de seu filho de cinco anos, D. Pedro de Alcântara, e parte para a Europa para recuperar o trono português para sua filha, Dona Maria da Glória.


Principais Características do Período

Características

Estilo de Governo

Centralizador e autoritário.

Economia

Crise financeira, inflação e falência do primeiro Banco do Brasil (1829).

Política Externa

Reconhecimento da independência (muitas vezes mediante pagamento de dívidas).

Legado

Manutenção da integridade territorial e da monarquia na América do Sul.




Mais uma carta para meu amigo imaginário! Quem não gostaria de escrever uma carta para um amigo inexistente?

  Meu amigo ilusório! Estou no meu escritório, no meu apartamento. Pela janela o cinza de um dia chuvoso adentra o ambiente. Estou cerca...