sábado, 22 de agosto de 2026
sábado, 15 de agosto de 2026
domingo, 9 de agosto de 2026
Poupança, disciplina e escola.
Quero
falar da indisciplina escolar. Porém, vou tentar sair do senso comum. Qualquer
um é capaz de lamentar a existência de sujeitos que não se submetem aos
comandos do professor. Qualquer um pode escolher a seu gosto o “culpado” disso.
Uns condenam a família, outros o professor, outros tantos culpam o estudante. Afinal,
culpar é melhor e mais fácil do que entender. Entender dá mais trabalho. Inclusive,
é perigoso descobrir que fazemos parte do problema!
Preciso
dizer que a maioria dos estudantes não escolhe indisciplinar. Indisciplinar não é como escolher
comer o lanche X ou o Y. Indisciplinar na escola é algo bem difícil para o
indisciplinado. Percebam que o preço da indisciplina é muito alto. Chega a ser
uma ingenuidade acreditar que indisciplinar é algo banal, fácil e sempre prazeroso.
Ora,
indisciplinar tem como consequência imediata a repreensão em sala de aula. Logo
vêm as notas baixas e os pais são chamados à escola. Mas ainda é pior. Mesmo
que os pais protejam seus filhos, a sociedade não. Afinal, as seleções para
empregos, os concursos públicos não "perdoam". Os melhores empregos e os cursos acadêmicos mais procurados, continuam
a serem admirados e sendo sinais distintivos dos melhores sobre os não tão
bons.
Portanto,
o indisciplinado será provavelmente um discriminado. Se isso é justo ou não,
fica para o julgamento pessoal do leitor deste artigo.
Não dá
para romantizar a indisciplina. Ela cobra seu preço. E cobra caro. Às vezes as
consequências acompanham uma vida inteira. Portanto, ser indisciplinado não é
coisa fácil: é de alto risco! Não é simples escolha. E não é porque
os envolvidos não são livres para decidir. Ocorre que o contexto já foi decido por outros no lugar deles. Inúmeras vezes
nem têm consciência do preço que estão pagando, ou vão pagar, pela indisciplina.
Explicarei.
Para
refletir sobre este tema, não vou priorizar os neurodivergentes, pois quero
discutir a questão numa visão mais ampla, ou seja, sob os aspectos
sociológicos, políticos e culturais.
Sou
leitor do Zygmunt Bauman. Em um de seus livros ele fala da sociedade a crédito.
Ele fala do tempo em que as pessoas acreditavam na poupança feita no banco. Nossos (bisa)avós viveram em um período em
que os bancos ofereciam dinheiro para guardar nosso dinheiro. Ou seja, uma
conta poupança rendia juros ao poupador. Então, as crianças eram estimuladas a
guardar o dinheirinho para depois comprar o que queriam. A lógica: suspenção da satisfação do desejo - deixar o
dinheiro no banco - ganhar dinheiro com os juros (o banco pagava para ficar
com o dinheiro) e, depois, só depois, a
satisfação do desejo (a compra de algo tão querido). Hoje, esta lógica
inverteu-se. Satisfazemos o desejo
comprando o que queremos - devemos para o cartão de crédito - pagamos juros para o cartão e nos tornamos tão satisfeitos
quanto endividados. Por que lembrei disso?
Nossas
crianças e jovens já nasceram no tempo do consumo. No tempo do pagamento em dobro
pelo consumido (o preço + os juros do cartão) e da satisfação imediata de um desejo. Hoje
nós temos dificuldade em administrar os riscos desta lógica. Vivemos
endividados e na iminência de perder o crédito. Tudo nos induz a satisfação
imediata, ao não planejamento e a (caríssima!) renegociação de nossas dividas.
Uma loucura!
Na música
Pais e Filhos da banda Legião Urbana tem um verso que diz:
É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse o amanhã
Porque se você parar para pensar
Na verdade não há.
Tudo nos
leva a modificar essa letra para:
É preciso consumir o que queremos
Como se não houvesse o amanhã
Porque se você parar para pensar
Na verdade não há.
Vivemos e
somos ensinados a viver regidos pelo princípio do prazer. Lembrando Freud, este princípio da psique é uma
força primitiva, inata e irracional. Ela reside no Id. Esse princípio exige de
nós satisfação imediata. Não calcula consequências.
Em tempo:
a indisciplina é a satisfação imediata que não calcula consequências.
A
propaganda, as lojas e os bancos trabalham bem com este princípio. Com ele se
aliam nos impondo o consumo “como se não houvesse amanhã”. Se o amanhã (ainda) não
há, o consumo é hoje, para hoje. E as crianças e os jovens? Para estes, esta
lógica se impõe. Sentir e pensar o mundo desta forma é viver para rejeitar a
frustração (a frustração da espera).
Acontece
que a escola e o aprender são similares a poupança. Já a indisciplina é similar
ao endividamento do cartão de crédito. Aprender exige tempo. Aprender exige
aceitar as frustrações temporárias. Cada dia de “lentidão” (aprender é algo
lento) é uma poupança que rende juros compostos (para o futuro).
Como
ensinar que essa poupança só premia os mais “lentos”, atentos e afeitos às
frustrações temporárias?
A escola (o
óbvio precisa ser dito!) é em primeiro lugar um lugar para aprender. Aprender é
uma questão bem mais profunda do que apenas aceitar a disciplina. A disciplina,
na escola, não é moralizante. É mais um habituar-se, um organizar-se para poder
dedicar-se mais à aprendizagem.
Aprender
é uma poupança. Indisciplinar é viver a crédito. E viver a crédito é gozar hoje.
Mas o preço é não ganhar “juros cognitivos” para o futuro.
Vou
arriscar um conceito de disciplina sob este viés:
Disciplina é a capacidade cognitiva (duramente)
adquirida pelo estudante do hábito de (bem) administrar seu tempo, para crescentes
lucros cognitivos futuros. É a capacidade de driblar o princípio do prazer
imediatista e irracional, para poder investir calmamente em um capital
cognitivo crescente. O estudante é o seu próprio investidor.
A questão
é que tudo vai a favor do consumo, do gozo e da irreflexão. Da propaganda aos
pais. Do empregador ao empregado. Todos querem tudo aqui e agora! Pobres
crianças e jovens tão endividados com a indisciplina que comprometem a
aprendizagem atual e futura. Portanto, indisciplinar é uma questão econômica, ideológica
e política.
O professor
está em franca desvantagem. Há uma assimetria entre o mestre (lento e
persistente) e o sistema capitalista (imediatista e consumista).
A escola,
portanto, não lida com a disciplina por uma questão moral. A escola sabe, e
quer ensinar ao estudante, que é preciso aprender a suportar frustrações hoje
para lucros intelectuais futuros. A disciplina é o instrumento para a emancipação/libertação
do princípio do prazer imediato. É a constante busca pela autonomia e pela
liberdade do jovem de escolher desacelerar para estudar, ler, interpretar o
mundo (no sentido dado por Paulo Freire). E para quê? Para novamente (mais)
estudar, (mais) ler e (mais) interpretar.
Espero
ter conseguido me fazer entender. A disciplina não é para moralizar nem é para
ganhar dinheiro, nem é um exercício de poder. Ela uma poupança que recebe juros
cognitivos em progressão geométrica.
domingo, 2 de agosto de 2026
quarta-feira, 29 de julho de 2026
sábado, 25 de julho de 2026
quinta-feira, 23 de julho de 2026
sábado, 18 de julho de 2026
domingo, 12 de julho de 2026
Cartas ao meu amigo imaginário. Da coletânea: Solilóquio de um desempregado
Bom dia meu amigo abstrato!
Ainda bem que moras comigo dentro
da minha mente. Sem ti a solidão dentro de mim seria insuportável. Mas te cobro
aluguel. Deves ouvir-me sempre que eu tiver algo a dizer. Creio que seja um
preço suportável para ti.
Minha pequenez me assombra...
assim como me assombra a mania de grandeza das pessoas. Mas, o que mais me
assusta: elas não se assombram com a enormidade de seus próprios egos.
Creio que tomar-se de assombro só
é possível aos pequenos! Os que se acham grandes não tem espaços vazios para se
moverem, para se assombrarem. Estão repletos e imóveis por dentro.
Há aquela moça de classe média
que ostenta uma vida de gente rica. Ao menos, ostenta o que ela acredita ser os
diferenciais sociais de quem é rico. A aposta desta moça é na aparência, nos
estereótipos. Essa moça acredita que seu direito de desejar ser o que nunca
será (pelo menos o que dizem as estatísticas) é um direito inquestionável e
absoluto. Ela quer ser ou aparentar ser de uma classe social que não a quer.
Essa moça acha sua vida real um
desvalor. Um desvalor que ela quer evitar a todo custo. Melhor dizendo, a todo
o custo que seu cartão de crédito permitir. Ela sonha no boleto, no crédito. Ela
não sabe que seus bisavôs e bisavós depositavam seus sonhos na poupança.
Deixavam seu dinheirinho lá no banco. Recebiam juros do banco por isso. Com o
tempo, com o dinheirinho juntado, compravam o que podiam comprar. Conseguiam
reprimir o desejo até terem o dinheiro para satisfazê-lo. Essa moça não! Ela
compra primeiro, endivida-se primeiro, ostenta imediatamente e gasta sua vida
para pagar os juros do cartão de crédito.
Como dizia a minha avó: “Cada louco com a sua mania”!
A moça sequer percebe que manter
a ilusão para todos de que é de uma classe social que não pertence a ela, é
coisa cara e trabalhosa! Não vale a pena!
Eu que sou pequeno assombro-me
com o tamanho desta insensatez. Não consigo entender. Essa moça parte do
princípio de que consegue enganar a todos seus amigos e amigas que vivem da
mesma forma que ela. É como dois mágicos que usam os mesmos truques, acharem
que se enganam mutuamente usando a mesma ilusão!
Há também aquele moço que tem fé
no seu líder fascista. O líder promete violência, armas e desentendimentos. O
líder é contra os pobres (para o azar da moça dos parágrafos anteriores!). O
líder é racista, homofóbico e aporofóbico. Mas o moço também sonha ser
diferente, especial e superior. Parecido com o sonho da moça.
Então, exulta ao ouvir seu líder.
Afinal, o moço pobre não se vê como pobre. Também imagina que nunca será vítima
da violência proposta pelo líder. Pelo contrário, aliando-se a violência acredita
que terá seu diferencial de classe: pertencerá à classe dos poderosos, dos
fortes, dos “não-pobres”.
Não pobre: categoria dos que não podem ser ricos, mas que negam ilusoriamente
sua pobreza.
O moço exulta ao ouvir seu líder.
Sente-se exaltado, acima dos demais. Sente-se mais viril, mais forte, mais
esperto (não mais inteligente!) e diferente das massas tão iguais entre si. O
moço sonha ser tão violento quando seu líder, quer ser um odiador. Este será
seu diferencial em relação aos demais pobres e frágeis! Afinal, seu sonho mesmo
é ser diferente dos seus iguais!
Como entender esse fenômeno? O
rapaz quer se aproximar do mal para ser diferente! Quer se aproximar da
violência que pode abater ele mesmo e seus familiares. Ele se esforça
diuturnamente para não ver que é igual a todos aqueles que são alvo do
fascismo. Ele quer ser flecha, mas é alvo!
Há também aqueles e aquelas que
internalizam o jeito de ser da moça e do moço! Ostentam e odeiam!
Confesso meu amigo imaginário:
sou pequeno demais para entender esse grande enigma.
Mas não é só coisa de moços e
moças. Conheço uma senhora idosa que diz com fervor: “Aquela gente toda é
vagabunda”. A idosa senhora, tão frágil e de aparência tão inocente, se refere
aos moradores de rua. A idosa cristã, que logo será entrevistada pessoalmente
por Jesus no céu, gasta seus últimos anos de vida julgando as pessoas pobres.
Ela diz: “Há trabalho para todos. Só não trabalha quem não quer”.
Pois é, como entender este
fenômeno? Mesmo com tão pouco tempo de vida, a senhora gasta esse tempo para
odiar. Talvez pelo hábito de uma vida inteira buscando ser rica e ser diferente
dos demais seus iguais. Uma vida inteira tentando ostentar diferenciais! É como
se ela dissesse o tempo todo: Não sou pobre, não sou igual, não sou qualquer
uma! Uma vida inteira negando e negando-se!
Como entender? Confesso minha
pequenez!
Inúmeras pessoas que conheci se
acham grandes demais. Tão grandes em seus egos que não cabem na realidade de
suas vidas. Então, desesperam-se. Juntam-se aos seus semelhantes, aqueles com
egos tão inflados quanto os seus. Querem ter seguidores. Como se fosse uma
espécie de nova religião. Afinal, para se manter nesse grupo é preciso crer,
ter fé nas próprias grandezas e evitar a todo o custo a criticidade. Afinal, só
ateus e comunistas são críticos.
Estes moços, moças e idosos tem
um ego tão grande que precisam de casas grandes, carros grandes, dívidas
grandes e grandes limites nos seus cartões de crédito. E sempre precisam de
mais alguma coisa. Gastam a vida buscando o que ainda não tem: outra casa,
outro carro, outras dívidas, outros limites nos cartões de crédito.
Novamente recorro à minha sábia
avó: Cada louco com sua mania. Eu acredito que as pessoas são livres para
gastarem suas vidas no que quiserem e como quiserem. Mas não entendo porque precisam arrastar os
outros nesse vórtice de preconceito, desprezo e violência. Esses malucos para
sustentarem seu parecer ser rico e
seu parecer ser forte, insistem em
esmagar as pessoas.
Sou pequeno demais para entender
tal patologia.
Meu amigo virtual e mental,
confesso para ti: pequeno como eu sou, posso contentar-me com meu pequeno
apartamento, meus livros e meus amores. Não preciso de mais nada. Entendo meus
limites. Meus limites me permitem caber exatamente na realidade em que vivo. E
se quero crescer mais e ampliar meus limites, leio mais livros, amo mais, faço
mais amigos. Meus limites não são fatais nem precisam prejudicar ninguém. São
incentivo. E quando eu “crescer” vou tentar ajudar tantos outros que, como eu,
são pequenos e querem ampliar seus limites.
sábado, 4 de julho de 2026
domingo, 28 de junho de 2026
terça-feira, 9 de junho de 2026
domingo, 24 de maio de 2026
domingo, 17 de maio de 2026
domingo, 3 de maio de 2026
sábado, 2 de maio de 2026
sábado, 25 de abril de 2026
terça-feira, 21 de abril de 2026
Mais uma carta para meu amigo imaginário! Quem não gostaria de escrever uma carta para um amigo inexistente?
Meu amigo ilusório!
Estou no meu escritório, no
meu apartamento.
Pela janela o cinza de um dia chuvoso adentra o ambiente. Estou cercado de silêncios gritantes e de intelectuais calados, fechados entre as capas dos livros nas minhas estantes.
Pobres intelectuais! São presidiários em seus livros.
Hoje não vou ler, melhor
dizendo, não vou libertar nenhum deles.
Há muito que ler no meu
escritório. Mas não há ninguém para me ouvir. Há mais coisas para aprender do
que dias para eu viver. Vivo entre estas fatalidades.
Meu amigo onírico! Só tu podes
me entender.
Minha alma é um oceano. Meu
pensamento é ventania, vendaval.
Minha pele e músculos são as margens para as águas - sempre a espera de tsunamis – deste mar que me inunda.
As pessoas só veem minha pele e músculos, nunca o tsunami.
Escrevo e gravo vídeos para
diminuir a pressão. Como se eu fosse um balão, sinto enorme pressão de dentro
para fora. Quase a explodir.
Não se engane meu amigo
interno! Apesar desta solidão, não moro sozinho, nem sou náufrago. Vivo entre
gentes e movimentos. A solidão é interna!
A solidão está dentro do meu
corpo. Dentro de mim não há ninguém me fazendo companhia. Estou lotado de
informações e vazio de compreensão. Moro sozinho dentro de mim; não há ninguém
para conversar.
Agora tenho a ti, meu amigo
inexistente. Portanto, meu amigo, meu melhor amigo, não me decepcione: ouça-me
sempre.
Não esqueça: estenda-me a mão
quando eu estiver perdido na minha imensidão interna sem saber o caminho de
volta. Salva-me de mim mesmo!
segunda-feira, 20 de abril de 2026
sábado, 18 de abril de 2026
Uma carta política para meu amigo imaginário! Meu amigo onírico! Como seria?
Olá meu amigo onírico! Meu melhor amigo!
Acordei muito cedo hoje. Devo ter sonhado algo muito, muito interessante: coisas atenienses! Mesmo sem lembrar, já abri meus olhos para o dia pensando coisas complexas!
Seria ótimo o governo de um só. De preferência um tirano, um déspota. Isso se fosse esse governante um (a) deus (a). Ora, imaginem um (a) deus (a) da justiça comandando o país! Seria divino! Perfeitamente divino. Que maravilha!
Por outro lado, um governo democrático governado por imbecis seria uma tragédia. A maioria insana elege um insano: como poderia ser diferente? Um horror! Idiotas escolhendo idiotas como ministros que idiotizam toda uma estrutura governamental. Uma tragédia sem volta! Mas, um grupo de deuses perfeitos seriam perfeitos democratas escolhendo perfeitamente!
O problema do número (um ou muitos) é um problema clássico, meu amigo virtual. Um governa (tirania) ou muitos governam (democracia)? A tirania de uma pessoa ou a tirania da maioria ? Ambos são males possíveis de serem evitados.
Entretanto, não creio que o número seja a questão central. O foco deve ser a imbecilidade.
Especialidade dos humanos: optarem pela imbecilidade.
Esta doença deve ser extirpada a ferro e fogo! Não a pessoa, claro; mas a capacidade de ser imbecil deve ser combatida. Da mesma forma que matamos a infecção e não o infectado, até porque a própria infecção já o mataria.
Em tempo: a imbecilidade mata.
O foco é a nossa capacidade de desenvolver a imbecilidade. Os imbecis que escolhem serem imbecis devem ser banidos. O ostracismo para o bem coletivo. Só voltariam quando se auto curarem.
Há boatos não confirmados de que algumas pessoas conseguiram evitá-la após tê-la cometido algumas vezes.
Mas é como um vício em álcool. Uma vez praticante da imbecilidade, a tendência é repetir a dose. O dependente cretino tem que ter muita força de vontade, ir a grupos de autoajuda em bibliotecas. Da mesma forma que o dependente químico, o imbecil não tem cura. Terá crises de abstinência. Basta apenas uma idiotice e pronto! Retoma o vício.
O problema não é a forma de governo. A questão recai sobre quem governa. Para o governante bom, justo e democrático, qualquer forma de governo é boa, justa e democrática! Precisamos de deuses e deusas para serem eleitos e eleitas!
A imbecilidade geralmente é atávica.
De pais e mães para filhos e filhas. Ela é ensinada desde cedo. É uma violência simbólica terrível. As pessoas dizem aos seus filhos e filhas:
“Odeie este e aquele! ”
“Veja, este é o mal absoluto, aquele é o bem absoluto! ”
“Já este outro é absolutamente desprezível! ”
“Isto é absolutamente verdadeiro e aquilo é absolutamente mentiroso! ”
E mais, dizem: “Creiam em absolutos! ”
É difícil definir o imbecil, mas os sinais são claros e clássicos.
O cretino crê que está sempre certo. Pensa que a terra é plana, que as vacinas contaminam e que a ciência é mentirosa. O imbecil adora o que crê ser a vida dos ricos, mesmo sabendo que a riqueza está em quem o explora. O imbecil odeia o Estado de bem-estar social.
É determinante para o diagnóstico: o imbecil acredita que os EUA são modelo para o mundo.
Creiam: a questão não é de número. A questão é de pessoas e de sua capacidade de serem estúpidas.
Escrevo esta carta para desabafar. Como ninguém me ouve, conto para ti meu amigo interno.
O problema do Brasil não é o governo em si. A questão é a proliferação absurda de idiotas. O imbecil precisa de espelho. Nada melhor que colocar no governo seus iguais para poder contemplar cópias de si mesmo. Quanta imbecilidade!
domingo, 12 de abril de 2026
Aula 8o ano (aula 02) Brasil Imperial
Principais eventos no Reinado de D. João VI
O Reinado de D. João VI: Do Rio de Janeiro a Lisboa
(Retorno)
O governo
de D. João VI é um dos períodos mais singulares da história mundial, pois foi a
única vez em que um monarca europeu governou seu império a partir de uma colônia
nas Américas.
Abertura
dos Portos: Assim
que chegou, ele acabou com o "pacto colonial", permitindo que o
Brasil comercializasse com outras nações (principalmente a Inglaterra).
Transformações
no Rio de Janeiro: A cidade
precisava se tornar uma capital digna de um rei. D. João VI fundou instituições
que existem até hoje:
- Banco do Brasil (Economia).
- Imprensa Régia (Criação de jornais).
- Jardim Botânico e Biblioteca Real.
- Missão Artística Francesa: Trouxe artistas como Debret
para registrar a vida no Brasil.
3. Elevação do Brasil a Reino Unido (1815)
Com a
derrota de Napoleão na Europa, o Brasil deixou de ser oficialmente uma colônia
e passou a ser Reino Unido a Portugal e Algarves. Na prática, isso
significava que o Brasil tinha o mesmo status político que a metrópole.
4. Conflitos e Tensões
Nem tudo
foi festa. O reinado enfrentou resistência:
- Revolução Pernambucana
(1817): Um
movimento republicano e separatista no Nordeste, causado pelos altos
impostos e pela crise econômica, que foi duramente reprimido.
- Envolvimento em duas guerras: Invasão da Guiana Francesa
e do território chamado Cisplatina (Atual Uruguai)
- Questões relativas aos
impostos
5. A Revolução Liberal do Porto (1820)
Este foi
o evento que mudou tudo. Em Portugal, a burguesia e os militares exigiram:
- O retorno imediato do Rei
para Lisboa.
- A criação de uma
Constituição (fim do absolutismo).
- A recolonização do Brasil (o que os brasileiros não aceitaram).
O Retorno
(1821):
Pressionado, D. João VI voltou para Portugal, mas deixou seu filho, D. Pedro
I, como Príncipe Regente no Brasil, aconselhando-o: "Pedro, se o
Brasil se separar, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para
algum desses aventureiros".
Resumo
|
Evento |
Consequência para o Brasil |
|
Abertura dos Portos |
Fim do monopólio comercial
português. |
|
Reino Unido (1815) |
Igualdade política com
Portugal. |
|
Rev. do Porto (1820) |
Crise política que levou à
Independência. |
D. Pedro – O
príncipe Regente
O reinado
de D. Pedro I, especificamente o período que compreende desde a partida de D.
João VI até sua abdicação, é um dos momentos mais turbulentos e decisivos da
história brasileira.
1. A Regência e o Grito de Independência (1821–1822)
Após o
retorno de D. João VI a Portugal em abril de 1821, seu filho Pedro permaneceu
como Príncipe Regente. A pressão das Cortes Portuguesas para que o
Brasil retornasse ao status de colônia e que o príncipe voltasse a Lisboa gerou
forte resistência local.
- Dia do Fico (9 de janeiro de
1822): D.
Pedro desobedece às ordens de Portugal e decide permanecer no Brasil.
- 7 de setembro de 1822: Às margens do riacho
Ipiranga, D. Pedro declara a Independência do Brasil, sendo coroado
Imperador pouco depois.
2. A Consolidação e a Primeira Constituição
(1823–1824)
A
organização do novo Estado foi marcada por conflitos entre o desejo de poder do
Imperador e as aspirações da elite brasileira.
- Noite da Agonia (1823): D. Pedro I dissolve a
Assembleia Constituinte por discordar da limitação de seus poderes.
- Constituição de 1824: Outorgada (imposta) pelo
Imperador, criou o Poder Moderador, que dava a ele autoridade sobre
os demais poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário).
3. Crises Internas e Externas
O reinado
enfrentou forte oposição em diversas frentes:
- Confederação do Equador
(1824):
Movimento republicano e separatista no Nordeste, severamente reprimido
pelo Império.
- Guerra da Cisplatina
(1825–1828):
Conflito territorial que resultou na independência do Uruguai, gerando
altos custos financeiros e perda de popularidade para o Imperador.
- Crise Sucessória em
Portugal: Com
a morte de D. João VI, D. Pedro se envolveu profundamente nas disputas
pelo trono português contra seu irmão, D. Miguel, o que fez os brasileiros
temerem uma nova união com Portugal.
4. O Declínio e a Abdicação (1831)
A
insatisfação popular e política atingiu o ápice no início da década de 1830.
- A Noite
das Garrafadas (1831): Conflitos violentos no Rio de Janeiro entre apoiadores brasileiros e
portugueses do Imperador. Os liberais aproveitaram uma
festa que estava sendo preparada para Dom Pedro I, sobretudo por portugueses, para
quando o imperador chegasse ao Rio de Janeiro.
- 7 de
Abril de 1831: Sem
apoio militar e político, D. Pedro I abdica do trono em favor de seu
filho de cinco anos, D. Pedro de Alcântara, e parte para a Europa para
recuperar o trono português para sua filha, Dona Maria da Glória.
Principais Características do Período
|
Características |
|
|
Estilo de Governo |
Centralizador e autoritário. |
|
Economia |
Crise financeira, inflação e
falência do primeiro Banco do Brasil (1829). |
|
Política Externa |
Reconhecimento da independência
(muitas vezes mediante pagamento de dívidas). |
|
Legado |
Manutenção da integridade
territorial e da monarquia na América do Sul. |
sábado, 11 de abril de 2026
segunda-feira, 6 de abril de 2026
-
Nascido em 1900, em Frankfurt, Alemanha, Erich Fromm estudou psicologia e sociologia. Doutorou-se em Filosofia em Munique e recebeu sól...
-
Após assistir as imagens das manifestações nada patrióticas do sete de setembro, chocado, resolvi imediatamente escrever este texto. Vamos...





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