domingo, 9 de agosto de 2026

Poupança, disciplina e escola.

 



Quero falar da indisciplina escolar. Porém, vou tentar sair do senso comum. Qualquer um é capaz de lamentar a existência de sujeitos que não se submetem aos comandos do professor. Qualquer um pode escolher a seu gosto o “culpado” disso. Uns condenam a família, outros o professor, outros tantos culpam o estudante. Afinal, culpar é melhor e mais fácil do que entender. Entender dá mais trabalho. Inclusive, é perigoso descobrir que fazemos parte do problema!

Preciso dizer que a maioria dos estudantes não escolhe indisciplinar. Indisciplinar não é como escolher comer o lanche X ou o Y. Indisciplinar na escola é algo bem difícil para o indisciplinado. Percebam que o preço da indisciplina é muito alto. Chega a ser uma ingenuidade acreditar que indisciplinar é algo banal, fácil e sempre prazeroso.

Ora, indisciplinar tem como consequência imediata a repreensão em sala de aula. Logo vêm as notas baixas e os pais são chamados à escola. Mas ainda é pior. Mesmo que os pais protejam seus filhos, a sociedade não. Afinal, as seleções para empregos, os concursos públicos não "perdoam". Os melhores empregos e os cursos acadêmicos mais procurados, continuam a serem admirados e sendo sinais distintivos dos melhores sobre os não tão bons.

Portanto, o indisciplinado será provavelmente um discriminado. Se isso é justo ou não, fica para o julgamento pessoal do leitor deste artigo.

Não dá para romantizar a indisciplina. Ela cobra seu preço. E cobra caro. Às vezes as consequências acompanham uma vida inteira. Portanto, ser indisciplinado não é coisa fácil: é de alto risco! Não é simples escolha. E não é porque os envolvidos não são livres para decidir. Ocorre que o contexto já foi decido por outros no lugar deles. Inúmeras vezes nem têm consciência do preço que estão pagando, ou vão pagar, pela indisciplina. Explicarei.

Para refletir sobre este tema, não vou priorizar os neurodivergentes, pois quero discutir a questão numa visão mais ampla, ou seja, sob os aspectos sociológicos, políticos e culturais.

Sou leitor do Zygmunt Bauman. Em um de seus livros ele fala da sociedade a crédito. Ele fala do tempo em que as pessoas acreditavam na poupança feita no banco. Nossos (bisa)avós viveram em um período em que os bancos ofereciam dinheiro para guardar nosso dinheiro. Ou seja, uma conta poupança rendia juros ao poupador. Então, as crianças eram estimuladas a guardar o dinheirinho para depois comprar o que queriam. A lógica: suspenção da satisfação do desejo - deixar o dinheiro no banco - ganhar dinheiro com os juros (o banco pagava para ficar com o dinheiro) e, depois, só depois, a satisfação do desejo (a compra de algo tão querido). Hoje, esta lógica inverteu-se. Satisfazemos o desejo comprando o que queremos - devemos para o cartão de crédito - pagamos juros para o cartão e nos tornamos tão satisfeitos quanto endividados. Por que lembrei disso?

Nossas crianças e jovens já nasceram no tempo do consumo. No tempo do pagamento em dobro pelo consumido (o preço + os juros do cartão) e da satisfação imediata de um desejo. Hoje nós temos dificuldade em administrar os riscos desta lógica. Vivemos endividados e na iminência de perder o crédito. Tudo nos induz a satisfação imediata, ao não planejamento e a (caríssima!) renegociação de nossas dividas. Uma loucura!

Na música Pais e Filhos da banda Legião Urbana tem um verso que diz:

 

É preciso amar as pessoas

Como se não houvesse o amanhã

Porque se você parar para pensar

Na verdade não há.

 

Tudo nos leva a modificar essa letra para:

 

É preciso consumir o que queremos

Como se não houvesse o amanhã

Porque se você parar para pensar

Na verdade não há.

 

Vivemos e somos ensinados a viver regidos pelo princípio do prazer. Lembrando Freud, este princípio da psique é uma força primitiva, inata e irracional. Ela reside no Id. Esse princípio exige de nós satisfação imediata. Não calcula consequências.

Em tempo: a indisciplina é a satisfação imediata que não calcula consequências.

A propaganda, as lojas e os bancos trabalham bem com este princípio. Com ele se aliam nos impondo o consumo “como se não houvesse amanhã”. Se o amanhã (ainda) não há, o consumo é hoje, para hoje. E as crianças e os jovens? Para estes, esta lógica se impõe. Sentir e pensar o mundo desta forma é viver para rejeitar a frustração (a frustração da espera).

Acontece que a escola e o aprender são similares a poupança. Já a indisciplina é similar ao endividamento do cartão de crédito. Aprender exige tempo. Aprender exige aceitar as frustrações temporárias. Cada dia de “lentidão” (aprender é algo lento) é uma poupança que rende juros compostos (para o futuro).

Como ensinar que essa poupança só premia os mais “lentos”, atentos e afeitos às frustrações temporárias?

A escola (o óbvio precisa ser dito!) é em primeiro lugar um lugar para aprender. Aprender é uma questão bem mais profunda do que apenas aceitar a disciplina. A disciplina, na escola, não é moralizante. É mais um habituar-se, um organizar-se para poder dedicar-se mais à aprendizagem.

Aprender é uma poupança. Indisciplinar é viver a crédito. E viver a crédito é gozar hoje. Mas o preço é não ganhar “juros cognitivos” para o futuro.

Vou arriscar um conceito de disciplina sob este viés:

Disciplina é a capacidade cognitiva (duramente) adquirida pelo estudante do hábito de (bem) administrar seu tempo, para crescentes lucros cognitivos futuros. É a capacidade de driblar o princípio do prazer imediatista e irracional, para poder investir calmamente em um capital cognitivo crescente. O estudante é o seu próprio investidor.

A questão é que tudo vai a favor do consumo, do gozo e da irreflexão. Da propaganda aos pais. Do empregador ao empregado. Todos querem tudo aqui e agora! Pobres crianças e jovens tão endividados com a indisciplina que comprometem a aprendizagem atual e futura. Portanto, indisciplinar é uma questão econômica, ideológica e política.

O professor está em franca desvantagem. Há uma assimetria entre o mestre (lento e persistente) e o sistema capitalista (imediatista e consumista).  

A escola, portanto, não lida com a disciplina por uma questão moral. A escola sabe, e quer ensinar ao estudante, que é preciso aprender a suportar frustrações hoje para lucros intelectuais futuros. A disciplina é o instrumento para a emancipação/libertação do princípio do prazer imediato. É a constante busca pela autonomia e pela liberdade do jovem de escolher desacelerar para estudar, ler, interpretar o mundo (no sentido dado por Paulo Freire). E para quê? Para novamente (mais) estudar, (mais) ler e (mais) interpretar.

Espero ter conseguido me fazer entender. A disciplina não é para moralizar nem é para ganhar dinheiro, nem é um exercício de poder. Ela uma poupança que recebe juros cognitivos em progressão geométrica.

                                                                                                                               Prof. Amilcar Bernardi

domingo, 12 de julho de 2026

Cartas ao meu amigo imaginário. Da coletânea: Solilóquio de um desempregado

 


Bom dia meu amigo abstrato!

Ainda bem que moras comigo dentro da minha mente. Sem ti a solidão dentro de mim seria insuportável. Mas te cobro aluguel. Deves ouvir-me sempre que eu tiver algo a dizer. Creio que seja um preço suportável para ti.

Minha pequenez me assombra... assim como me assombra a mania de grandeza das pessoas. Mas, o que mais me assusta: elas não se assombram com a enormidade de seus próprios egos.

Creio que tomar-se de assombro só é possível aos pequenos! Os que se acham grandes não tem espaços vazios para se moverem, para se assombrarem. Estão repletos e imóveis por dentro.

Há aquela moça de classe média que ostenta uma vida de gente rica. Ao menos, ostenta o que ela acredita ser os diferenciais sociais de quem é rico. A aposta desta moça é na aparência, nos estereótipos. Essa moça acredita que seu direito de desejar ser o que nunca será (pelo menos o que dizem as estatísticas) é um direito inquestionável e absoluto. Ela quer ser ou aparentar ser de uma classe social que não a quer.

Essa moça acha sua vida real um desvalor. Um desvalor que ela quer evitar a todo custo. Melhor dizendo, a todo o custo que seu cartão de crédito permitir. Ela sonha no boleto, no crédito. Ela não sabe que seus bisavôs e bisavós depositavam seus sonhos na poupança. Deixavam seu dinheirinho lá no banco. Recebiam juros do banco por isso. Com o tempo, com o dinheirinho juntado, compravam o que podiam comprar. Conseguiam reprimir o desejo até terem o dinheiro para satisfazê-lo. Essa moça não! Ela compra primeiro, endivida-se primeiro, ostenta imediatamente e gasta sua vida para pagar os juros do cartão de crédito.  Como dizia a minha avó: “Cada louco com a sua mania”!

A moça sequer percebe que manter a ilusão para todos de que é de uma classe social que não pertence a ela, é coisa cara e trabalhosa! Não vale a pena!

Eu que sou pequeno assombro-me com o tamanho desta insensatez. Não consigo entender. Essa moça parte do princípio de que consegue enganar a todos seus amigos e amigas que vivem da mesma forma que ela. É como dois mágicos que usam os mesmos truques, acharem que se enganam mutuamente usando a mesma ilusão!

Há também aquele moço que tem fé no seu líder fascista. O líder promete violência, armas e desentendimentos. O líder é contra os pobres (para o azar da moça dos parágrafos anteriores!). O líder é racista, homofóbico e aporofóbico. Mas o moço também sonha ser diferente, especial e superior. Parecido com o sonho da moça.

Então, exulta ao ouvir seu líder. Afinal, o moço pobre não se vê como pobre. Também imagina que nunca será vítima da violência proposta pelo líder. Pelo contrário, aliando-se a violência acredita que terá seu diferencial de classe: pertencerá à classe dos poderosos, dos fortes, dos “não-pobres”. 

Não pobre: categoria dos que não podem ser ricos, mas que negam ilusoriamente sua pobreza.

O moço exulta ao ouvir seu líder. Sente-se exaltado, acima dos demais. Sente-se mais viril, mais forte, mais esperto (não mais inteligente!) e diferente das massas tão iguais entre si. O moço sonha ser tão violento quando seu líder, quer ser um odiador. Este será seu diferencial em relação aos demais pobres e frágeis! Afinal, seu sonho mesmo é ser diferente dos seus iguais!

Como entender esse fenômeno? O rapaz quer se aproximar do mal para ser diferente! Quer se aproximar da violência que pode abater ele mesmo e seus familiares. Ele se esforça diuturnamente para não ver que é igual a todos aqueles que são alvo do fascismo. Ele quer ser flecha, mas é alvo!

Há também aqueles e aquelas que internalizam o jeito de ser da moça e do moço! Ostentam e odeiam!

Confesso meu amigo imaginário: sou pequeno demais para entender esse grande enigma.

Mas não é só coisa de moços e moças. Conheço uma senhora idosa que diz com fervor: “Aquela gente toda é vagabunda”. A idosa senhora, tão frágil e de aparência tão inocente, se refere aos moradores de rua. A idosa cristã, que logo será entrevistada pessoalmente por Jesus no céu, gasta seus últimos anos de vida julgando as pessoas pobres. Ela diz: “Há trabalho para todos. Só não trabalha quem não quer”.

Pois é, como entender este fenômeno? Mesmo com tão pouco tempo de vida, a senhora gasta esse tempo para odiar. Talvez pelo hábito de uma vida inteira buscando ser rica e ser diferente dos demais seus iguais. Uma vida inteira tentando ostentar diferenciais! É como se ela dissesse o tempo todo: Não sou pobre, não sou igual, não sou qualquer uma! Uma vida inteira negando e negando-se!

Como entender? Confesso minha pequenez!

Inúmeras pessoas que conheci se acham grandes demais. Tão grandes em seus egos que não cabem na realidade de suas vidas. Então, desesperam-se. Juntam-se aos seus semelhantes, aqueles com egos tão inflados quanto os seus. Querem ter seguidores. Como se fosse uma espécie de nova religião. Afinal, para se manter nesse grupo é preciso crer, ter fé nas próprias grandezas e evitar a todo o custo a criticidade. Afinal, só ateus e comunistas são críticos.

Estes moços, moças e idosos tem um ego tão grande que precisam de casas grandes, carros grandes, dívidas grandes e grandes limites nos seus cartões de crédito. E sempre precisam de mais alguma coisa. Gastam a vida buscando o que ainda não tem: outra casa, outro carro, outras dívidas, outros limites nos cartões de crédito.

Novamente recorro à minha sábia avó: Cada louco com sua mania. Eu acredito que as pessoas são livres para gastarem suas vidas no que quiserem e como quiserem.  Mas não entendo porque precisam arrastar os outros nesse vórtice de preconceito, desprezo e violência. Esses malucos para sustentarem seu parecer ser rico e seu parecer ser forte, insistem em esmagar as pessoas.

Sou pequeno demais para entender tal patologia.

Meu amigo virtual e mental, confesso para ti: pequeno como eu sou, posso contentar-me com meu pequeno apartamento, meus livros e meus amores. Não preciso de mais nada. Entendo meus limites. Meus limites me permitem caber exatamente na realidade em que vivo. E se quero crescer mais e ampliar meus limites, leio mais livros, amo mais, faço mais amigos. Meus limites não são fatais nem precisam prejudicar ninguém. São incentivo. E quando eu “crescer” vou tentar ajudar tantos outros que, como eu, são pequenos e querem ampliar seus limites.

 


terça-feira, 21 de abril de 2026

Mais uma carta para meu amigo imaginário! Quem não gostaria de escrever uma carta para um amigo inexistente?

 


Meu amigo ilusório!

Estou no meu escritório, no meu apartamento.

Pela janela o cinza de um dia chuvoso adentra o ambiente. Estou cercado de silêncios gritantes e de intelectuais calados, fechados entre as capas dos livros nas minhas estantes. 

Pobres intelectuais! São presidiários em seus livros.

Hoje não vou ler, melhor dizendo, não vou libertar nenhum deles.

Há muito que ler no meu escritório. Mas não há ninguém para me ouvir. Há mais coisas para aprender do que dias para eu viver. Vivo entre estas fatalidades.

Meu amigo onírico! Só tu podes me entender.

Minha alma é um oceano. Meu pensamento é ventania, vendaval.

Minha pele e músculos são as margens para as águas - sempre a espera de tsunamis – deste mar que me inunda. 

As pessoas só veem minha pele e músculos, nunca o tsunami.

Escrevo e gravo vídeos para diminuir a pressão. Como se eu fosse um balão, sinto enorme pressão de dentro para fora. Quase a explodir.

Não se engane meu amigo interno! Apesar desta solidão, não moro sozinho, nem sou náufrago. Vivo entre gentes e movimentos. A solidão é interna!

A solidão está dentro do meu corpo. Dentro de mim não há ninguém me fazendo companhia. Estou lotado de informações e vazio de compreensão. Moro sozinho dentro de mim; não há ninguém para conversar.

Agora tenho a ti, meu amigo inexistente. Portanto, meu amigo, meu melhor amigo, não me decepcione: ouça-me sempre.

Não esqueça: estenda-me a mão quando eu estiver perdido na minha imensidão interna sem saber o caminho de volta. Salva-me de mim mesmo!

sábado, 18 de abril de 2026

Uma carta política para meu amigo imaginário! Meu amigo onírico! Como seria?



Olá meu amigo onírico! Meu melhor amigo! 

 Acordei muito cedo hoje. Devo ter sonhado algo muito, muito interessante: coisas atenienses! Mesmo sem lembrar, já abri meus olhos para o dia pensando coisas complexas! 

Seria ótimo o governo de um só. De preferência um tirano, um déspota. Isso se fosse esse governante um (a) deus (a). Ora, imaginem um (a) deus (a) da justiça comandando o país! Seria divino! Perfeitamente divino. Que maravilha! 

Por outro lado, um governo democrático governado por imbecis seria uma tragédia. A maioria insana elege um insano: como poderia ser diferente? Um horror! Idiotas escolhendo idiotas como ministros que idiotizam toda uma estrutura governamental. Uma tragédia sem volta! Mas, um grupo de deuses perfeitos seriam perfeitos democratas escolhendo perfeitamente! 

O problema do número (um ou muitos) é um problema clássico, meu amigo virtual. Um governa (tirania) ou muitos governam (democracia)? A tirania de uma pessoa ou a tirania da maioria ? Ambos são males possíveis de serem evitados. 

Entretanto, não creio que o número seja a questão central. O foco deve ser a imbecilidade. 

Especialidade dos humanos: optarem pela imbecilidade. 

Esta doença deve ser extirpada a ferro e fogo! Não a pessoa, claro; mas a capacidade de ser imbecil deve ser combatida. Da mesma forma que matamos a infecção e não o infectado, até porque a própria infecção já o mataria. 

Em tempo: a imbecilidade mata. 

O foco é a nossa capacidade de desenvolver a imbecilidade. Os imbecis que escolhem serem imbecis devem ser banidos. O ostracismo para o bem coletivo. Só voltariam quando se auto curarem. 

Há boatos não confirmados de que algumas pessoas conseguiram evitá-la após tê-la cometido algumas vezes. 

Mas é como um vício em álcool. Uma vez praticante da imbecilidade, a tendência é repetir a dose. O dependente cretino tem que ter muita força de vontade, ir a grupos de autoajuda em bibliotecas. Da mesma forma que o dependente químico, o imbecil não tem cura. Terá crises de abstinência. Basta apenas uma idiotice e pronto! Retoma o vício. 

O problema não é a forma de governo. A questão recai sobre quem governa. Para o governante bom, justo e democrático, qualquer forma de governo é boa, justa e democrática! Precisamos de deuses e deusas para serem eleitos e eleitas! 

A imbecilidade geralmente é atávica. 

De pais e mães para filhos e filhas. Ela é ensinada desde cedo. É uma violência simbólica terrível. As pessoas dizem aos seus filhos e filhas:

“Odeie este e aquele! ”

“Veja, este é o mal absoluto, aquele é o bem absoluto! ”

“Já este outro é absolutamente desprezível! ” 

“Isto é absolutamente verdadeiro e aquilo é absolutamente mentiroso! ” 

E mais, dizem: “Creiam em absolutos! ” 

É difícil definir o imbecil, mas os sinais são claros e clássicos. 

O cretino crê que está sempre certo. Pensa que a terra é plana, que as vacinas contaminam e que a ciência é mentirosa. O imbecil adora o que crê ser a vida dos ricos, mesmo sabendo que a riqueza está em quem o explora. O imbecil odeia o Estado de bem-estar social. 

É determinante para o diagnóstico: o imbecil acredita que os EUA são modelo para o mundo. 

Creiam: a questão não é de número. A questão é de pessoas e de sua capacidade de serem estúpidas.

Escrevo esta carta para desabafar.  Como ninguém me ouve, conto para ti meu amigo interno. 

O problema do Brasil não é o governo em si. A questão é a proliferação absurda de idiotas. O imbecil precisa de espelho. Nada melhor que colocar no governo seus iguais para poder contemplar cópias de si mesmo. Quanta imbecilidade! 

domingo, 12 de abril de 2026

Aula 8o ano (aula 02) Brasil Imperial

 

Principais eventos no Reinado de D. João VI

 


O Reinado de D. João VI: Do Rio de Janeiro a Lisboa (Retorno)

O governo de D. João VI é um dos períodos mais singulares da história mundial, pois foi a única vez em que um monarca europeu governou seu império a partir de uma colônia nas Américas.

Abertura dos Portos: Assim que chegou, ele acabou com o "pacto colonial", permitindo que o Brasil comercializasse com outras nações (principalmente a Inglaterra).

Transformações no Rio de Janeiro: A cidade precisava se tornar uma capital digna de um rei. D. João VI fundou instituições que existem até hoje:

  • Banco do Brasil (Economia).
  • Imprensa Régia (Criação de jornais).
  • Jardim Botânico e Biblioteca Real.
  • Missão Artística Francesa: Trouxe artistas como Debret para registrar a vida no Brasil.

3. Elevação do Brasil a Reino Unido (1815)

Com a derrota de Napoleão na Europa, o Brasil deixou de ser oficialmente uma colônia e passou a ser Reino Unido a Portugal e Algarves. Na prática, isso significava que o Brasil tinha o mesmo status político que a metrópole.

4. Conflitos e Tensões

Nem tudo foi festa. O reinado enfrentou resistência:

  • Revolução Pernambucana (1817): Um movimento republicano e separatista no Nordeste, causado pelos altos impostos e pela crise econômica, que foi duramente reprimido.
  • Envolvimento em duas guerras: Invasão da Guiana Francesa e do território chamado Cisplatina (Atual Uruguai)
  • Questões relativas aos impostos

5. A Revolução Liberal do Porto (1820)

Este foi o evento que mudou tudo. Em Portugal, a burguesia e os militares exigiram:

  1. O retorno imediato do Rei para Lisboa.
  2. A criação de uma Constituição (fim do absolutismo).
  3. A recolonização do Brasil (o que os brasileiros não aceitaram).

O Retorno (1821): Pressionado, D. João VI voltou para Portugal, mas deixou seu filho, D. Pedro I, como Príncipe Regente no Brasil, aconselhando-o: "Pedro, se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros".


Resumo

Evento

Consequência para o Brasil

Abertura dos Portos

Fim do monopólio comercial português.

Reino Unido (1815)

Igualdade política com Portugal.

Rev. do Porto (1820)

Crise política que levou à Independência.

 

 

D. Pedro – O príncipe Regente



O reinado de D. Pedro I, especificamente o período que compreende desde a partida de D. João VI até sua abdicação, é um dos momentos mais turbulentos e decisivos da história brasileira.


1. A Regência e o Grito de Independência (1821–1822)

Após o retorno de D. João VI a Portugal em abril de 1821, seu filho Pedro permaneceu como Príncipe Regente. A pressão das Cortes Portuguesas para que o Brasil retornasse ao status de colônia e que o príncipe voltasse a Lisboa gerou forte resistência local.

  • Dia do Fico (9 de janeiro de 1822): D. Pedro desobedece às ordens de Portugal e decide permanecer no Brasil.
  • 7 de setembro de 1822: Às margens do riacho Ipiranga, D. Pedro declara a Independência do Brasil, sendo coroado Imperador pouco depois.

2. A Consolidação e a Primeira Constituição (1823–1824)

A organização do novo Estado foi marcada por conflitos entre o desejo de poder do Imperador e as aspirações da elite brasileira.

  • Noite da Agonia (1823): D. Pedro I dissolve a Assembleia Constituinte por discordar da limitação de seus poderes.
  • Constituição de 1824: Outorgada (imposta) pelo Imperador, criou o Poder Moderador, que dava a ele autoridade sobre os demais poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário).

3. Crises Internas e Externas

O reinado enfrentou forte oposição em diversas frentes:

  • Confederação do Equador (1824): Movimento republicano e separatista no Nordeste, severamente reprimido pelo Império.
  • Guerra da Cisplatina (1825–1828): Conflito territorial que resultou na independência do Uruguai, gerando altos custos financeiros e perda de popularidade para o Imperador.
  • Crise Sucessória em Portugal: Com a morte de D. João VI, D. Pedro se envolveu profundamente nas disputas pelo trono português contra seu irmão, D. Miguel, o que fez os brasileiros temerem uma nova união com Portugal.

4. O Declínio e a Abdicação (1831)

A insatisfação popular e política atingiu o ápice no início da década de 1830.

- A Noite das Garrafadas (1831): Conflitos violentos no Rio de Janeiro entre apoiadores brasileiros e portugueses do Imperador. Os liberais aproveitaram uma festa que estava sendo preparada para Dom Pedro I, sobretudo por portugueses, para quando o imperador chegasse ao Rio de Janeiro.

- 7 de Abril de 1831: Sem apoio militar e político, D. Pedro I abdica do trono em favor de seu filho de cinco anos, D. Pedro de Alcântara, e parte para a Europa para recuperar o trono português para sua filha, Dona Maria da Glória.


Principais Características do Período

Características

Estilo de Governo

Centralizador e autoritário.

Economia

Crise financeira, inflação e falência do primeiro Banco do Brasil (1829).

Política Externa

Reconhecimento da independência (muitas vezes mediante pagamento de dívidas).

Legado

Manutenção da integridade territorial e da monarquia na América do Sul.




O processo de Kafika. E se fosse hoje?