O ser humano ele não “vê” o mundo.
Sempre há uma mediação anterior, pois somos simbólicos. Ver e interpretar são
inseparáveis. Quando nascemos, temos contato primeiro com a interpretação que
nossos pais e sociedade têm do mundo. Só depois o “vemos”. Em um primeiro
momento, o que cremos se sobrepõe ao experienciado. Depois, com as (com)vivências
(trocas de experiências) e com o conhecimento (escolar/científicos) passamos a
simbolizar/interpretar o mundo de forma mais consciente, responsável e
alicerçada na(s) ciência(s).
O racismo vive mais no mundo
intangível das concepções, nas formas de entender o mundo. As leis atacam preferencialmente
as formas materiais desta (des)valorização de determinadas cores de pele. A
educação formal tem que tratar do simbólico, das interpretações. Ensinar forma espíritos.
A escola trabalha não só elementos da cognição, mas também da metacognição (capacidade
de pensar o próprio pensamento).
Como vemos o que vemos: eis aí a
chave para eliminarmos os preconceitos, notadamente o racismo.
A lei 9394 no seu artigo 26-A, no parágrafo 2º no diz: “Os conteúdos referentes à
História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o
currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura
e História Brasileiras”. Percebamos que os conteúdos que seriam pelo senso
comum exclusivos da disciplina de História, agora sob o ponto de vista de uma
reconceituação do próprio ensino de História no contexto de uma exigência antirracista,
é compartilhado com as disciplinas de Educação Artística e de Literatura. Ora,
para reconfigurar (pre)conceitos, nada melhor do que a arte e a literatura. Estas
(com)vivem no aspecto simbólico das sociedades. Portanto, não basta saber a
História da África. Melhor para compreendê-la é cantá-la, desenhá-la, poetá-la e
escrever sobre ela. Os estudantes, desta forma em sala de aula, poderão rever,
repensar reconfigurar sua compreensão sobre o racismo (do outro e dele mesmo).
Para que seja possível uma recontextualização das (pré)concepções
sobre os negros, é importante na literatura apresentar escritores e escritoras
negras, como a filósofa Djamila Ribeiro ou escritores já conhecidos como
Machado de Assis; sem esquecer nosso presidente Nilo Peçanha. A lembrança de
Machado de Assis não precisa de justificação. Quanto a filósofa Djamila,
ela é ativista do movimento negro e seus escritos são de fácil acesso, estão
disponíveis nas redes sociais e no jornal Folha de São Paulo. Evidente que o viés adotado
pelo professor, não pode ser no sentido de mostrar exemplos de casos raros,
excepcionais. A intenção sempre é a expressão máxima do valor de todas as pessoas,
cuja pele é o que menos importa. O professor deve incentivar uma cultura que
saiba identificar a exclusão de toda a ideia, de todo o simbolismo que
ratifique não só racismo, mas também a opressão em relação as mulheres e às
minorias.
Temas semelhantes no @prof.amilcarbernardi - YouTube
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