terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O planeta do general. O planetinha que o Pequeno Príncipe esqueceu de relatar. (Em homenagem aos que apoiam as intervenções imperialist@s na America Latina)

 

O planeta do general. O planetinha que o Pequeno Príncipe esqueceu de relatar.

(Em homenagem aos que apoiam as intervenções imperialistas)

 

O Pequeno Príncipe chegou ao mais estranho dos planetinhas que já visitara. A aparência do planeta era similar aos outros. Era pequeno. Bem pequeno. Bastava alguns passos para ir de um lado ao outro deste pequeno orbe.

 


O que o fazia tão estranho? A estranheza estava nos personagens que viviam nele.

 

A pessoinha vestia-se como um militar. Usava um chapéu estranho. Usava também uma farda azul. E botas. E bigodes. Tinha um ar sério. Sobre os ombros fixavam-se dragonas amarelas. O estilo era bem pomposo.

 

Em um primeiro momento, não dava para saber se era um maestro daquelas bandas coloridas que andam pelas ruas nos dias festivos.

 

Também poderia ser um militar. Olhando bem de perto, em função das medalhas, deveria ser um militar importante.

 

Mas o que deixava tudo bem estranho eram as formigas. Elas estavam em frente ao pequeno militar. Estavam perfiladas. Parecia estarem à espera de ordens. Atentas, pareciam viver para obedecer.

 

O planetinha estava quase sem oxigênio, nem água. Afinal, já não existia nele plantas, rios ou animais.

 

- Olá senhor! O senhor é um militar?

- Que susto pequeno viajante. Claro que sou um militar. Mais que isso: sou General generalíssimo, comandante supremo de tudo que aqui existe.

- Então, General, o senhor é muito importante!

- Claro que sim! Veja o meu exército! Ele não é assustador?

- Desculpa-me, General, só vejo pequenas formigas.

- Tens problema de visão, meu caro visitante? Eis o meu exército. Não se engane! Não são apenas formigas. São formigas militares, heroicas, fortes, destruidoras. Sempre a espera de ordens. Sempre obedecem. Nunca questionam.

- Que medo!

- Melhor ter medo mesmo. – Confirma o sujeitinho fardado.

- General, o senhor percebeu que seu mundo está acabando?

- Sim, evidentemente. Afinal, sou um General generalíssimo. Já mandei o meu exército fazer mais exercícios militares para enfrentar o inimigo.

- Qual inimigo, senhor general?

- Ora, bem se vê que és um civil, inapto para os grandes perigos. O inimigo, ora, é a destruição do planeta. – O general estava feliz em ser superior ao visitante.

- Entendo. Mas, o que exercícios militares podem ajudar nessa situação?

- Ora, militares treinados lutam melhor contra o inimigo.

- Sim. Mas e o planeta? Apesar dos exercícios militares, o planeta vai morrer.

- Sim, sei disso. Então vou mandar meu exército de formigas construírem trincheiras.

- Só isso?

- O visitante acha pouco? Então vou mandar construir enormes formigueiros. Não qualquer formigueiro, mas totalmente armado e a prova de bombas.

- Quais bombas? - Pergunta o visitante ao General.

- Não importa. Se tu falas em destruição do planeta, com certeza haverá bombas!

- Mas senhor, o planeta está morrendo porque não tem ar, nem água.

- Ora, jovem, vou mandar meu exército destruir aquela plantinha ali. – E os insetos acabaram com a planta em um segundo. Eram bem treinados!

- Porque o senhor fez isso? – Assustou-se o jovem visitante.

- Ora, jovenzinho, para mostrar ao inimigo nosso poder! Os inimigos temerão nosso poder. E os militares vivem disso: enormes demonstrações de poder destrutivo.

- General, mas é o planeta que será destruído!

- Obrigado por reconhecer isso, meu jovem!

- Não entendi, senhor.

- Ora, se os militares vivem para demonstrar seu poder de destruição, destruir o planeta é a maior, e magnífica, e definitiva, e estrondosa manifestação deste poder! Antes que tudo acabe...acabemos antes!!!!

Assustado com tal brutalidade e espantosa ignorância, o jovem viajante continuou sua viagem por outros mundos. Ainda deu tempo para ouvir o general gritar para seu exército de insetos:

- Destruam tudo o que poderem para demonstrar nosso poder. E destruam logo, antes que este mundo acabe!

 

sábado, 27 de dezembro de 2025

Relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos - OEA


 Relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos – OEA


Enfim chegou ao Brasil o Relatório feito pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da OEA. Neste relatório estamos bem na foto! 

O relator especial para a liberdade de expressão, Pedro Vaca, analisou a situação atual do Brasil nesse quesito. Houve recomendações para melhorias, claro. 

O relatório trouxe preocupações quanto às definições das expressões: discurso de ódio e desinformação. Afinal, são tão citados que parecem ter conceitos bem definidos. Com esse problema, concordo! Mas me dá arrepios só de imaginar nosso congresso discutindo esses conceitos! 

Também foi relatado que a liberdade de imprensa e das falas dos parlamentares devem ser respeitadas. Concordo também. Apenas sugiro que retirem as crianças da sala quando da transmissão dos discursos parlamentares. Não me refiro a todos os parlamentares. Acredito que o leitor já sabe de quais estou falando.

Todas as recomendações do relatório são razoáveis. Mas não trazem novidades. Até aqui tudo tranquilo e até favorável à democracia brasileira. 

Creio que os extremados vão absolutizar estas recomendações. Óbvio! Inclusive vão usar as recomendações como um libelo contra os "esquerdistas" e os "comunistas". Mas o relatório foi bem mais que as diversas recomendações. Claro que são importantes críticas; mas não é só isso. Quero fazer apontamentos que, creio, são bem mais relevantes. Estes sim, fundamentais. 

O documento da OEA afirma que houve sim tentativas para deslegitimar as eleições de 2022. Mas não só isso, também constata a tentativa de golpe de Estado. Até aqui eu já estava satisfeito! 

Mas tem mais. Quem adora medir nosso país pelo que pensam os estrangeiros, terá que aceitar o que essa organização internacional constatou. Vai doer, claro.

Bem interessante é a constatação do relatório de que ainda há um forte legado da ditadura militar no Estado brasileiro. Penso que isso justifica o apego dos extremados ao autoritarismo, mantendo a desigualdade social. Ora, esse apontamento do relatório ao autoritarismo, é mais que evidente. Basta lembrar os desfiles (zumbis) de pessoas nas ruas pedindo a volta dos militares. Sem esquecer, claro, da figura bizarra de um ex-militar e ex-presidente, agressivo, grosseiro e violento. Não por coincidência, essa criatura foi fundamental para a tentativa de golpe. 

O relatório identifica que há figuras públicas poderosas que intimidam a liberdade jornalística e atacam grupos discriminados. Lembrei como exemplo o MBL, o movimento escola sem partido e as ameaças que fazem inúmeros pastores por aí.

Os extremados não vão gostar desse relatório. Vão distorcendo.

Ah! Não posso esquecer que o relator desse documento, aponta para o perigo da falta de regulamentação das plataformas da internet. Acredito que essa constatação vai atingir em cheio aqueles que dizem que regulamentar as redes, é o mesmo que calar a verborreia virtual. 

O relatório também afirma que a liberdade de expressão não pode ser usada para alterar o regime democrático. Portanto, mentir não é exercer a liberdade.

O que me fez sorrir foi a constatação, pelo documento, de que os processos eleitorais brasileiros se sujeitam tranquilamente à observação internacional. Não só possuímos instituições democráticas sólidas, quanto as urnas eletrônicas são íntegras. 

Termino esse texto quase rindo ao imaginar o "pranto e o ranger de dentes" dos extremados. Por isso eles não esperavam.


Ostentar é a regra. Consumir nem tanto.