terça-feira, 13 de outubro de 2015
domingo, 20 de setembro de 2015
DESAFIO NO BRONX; uma perspectiva maquiaveliana.
Prof. Amilcar Bernardi
Maquiavel propõe questões que tratam sobre como
conquistar Estados e como conserva-
los. Sabia ele que a estratégia política
trabalha com a fortuna fazendo com que os mais determinados e habilidosos controlasse
a história. A iniciativa política deve ajustar-se às circunstâncias. O
necessário é manter-se à frente dos acontecimentos, procurando imprimir-lhes
rumo e alternativas mais propícias ao príncipe.
Para ele o povo é uma matéria que aguarda sua forma e
a engenharia da ordem parte da análise da situação social, não resultando do
arbítrio do fundador de Estados, mas de sua capacidade de captar, num momento
de gênio, aquela forma desejável e de sua disposição para impô-la sem qualquer
vacilação. Em suma, bom príncipe é aquele que tem a capacidade de perceber o
jogo de forças que caracteriza a política para agir com energia a fim de
conquistar e manter o poder. Sua reflexão é realista.
Maquiavel sabia que a política não pode ser algo
ideal, mas algo que seja realizável entre homens comuns. O que é deve orientar
o político bem mais do que deveria ser.
O filme DESAFIO NO BRONX pode ser lido sob a
perspectiva maquiaveliana. O que vimos na tela foi um jogo forças. Alguns
queriam dominar, outros apenas sobreviver, ainda outros precisavam manter o
poder já estabelecido. Eram aparentemente interesses diferentes. Aparentemente
porque era o mesmo: o domínio. Evidentemente que, sendo o mesmo interesse, eram
irreconciliáveis.
Como qualquer Estado moderno (discutido por
Maquiavel) as fronteiras entre bairros eram fixas. Cada bairro tinha seu
comando, seus asseclas, amigos e inimigos; inclusive normas internas bem
estabelecidas. Por exemplo: bairro de branco não tem negros e vice-versa. A
vigilância é forte porque as pessoas acreditam naqueles valores. Tais valores
são encarnados pelos comandantes dos bairros.
Para manter o status quo os “cidadãos” de cada bairro defendem seus
espaços arriscando-se na medida do possível, não mais que isso. Quando a
polícia, mais forte que cada comunidade isoladamente, aparece, há uma espécie
de cessar fogo para que as forças se mantenham ativas para outros embates.
O bairro dos brancos, mais evidenciado, tem seu
chefe. Mais velho e mais astuto. Leitor de Maquiavel entende os princípios do
escritor italiano. Para manter seu
domínio, na maioria das vezes tenta ser amado. Quando não consegue usa da
violência na medida certa. Não extrapola. Chama atenção na medida do medo que
quer produzir. Está sendo fiel ao princípio do Príncipe quando diz que os
homens têm menos escrúpulo de ofender o que se faz amar do que se faz temer.
O chefe sabe que não pode confiar em ninguém, sabe
que seu bairro é feito de homens, e homens são ingratos e simuladores. Então
também usa de artifícios e artimanhas para controlar as pessoas sob seu
domínio.
O menino, filho do motorista do ônibus, admira tal
figura esperta. Quer ser seguidor. Não aponta o responsável pelo assassinato
que vira. O comandante sente-se em dívida com seu comandado. Estende sua
proteção em troca de fidelidade. O pacto
é feito. Tal contrato é tão forte que tudo que o pai faz para afastar o filho
de tal influência é inútil. O poder que o jovem passa a ter o corrompe fazendo
dele dependente de seu protetor. E é assim que deve ser: a figura de protetor
mantém as pessoas dependentes e esperançosas de poder partilhar um pouco do poder.
A dependência, a troca de favores entre quem comanda
e quem é comandado é tão forte que quando o chefe morre, o poder é transferido
para outra pessoa do mesmo estilo. O medo da violência da mudança deixa tudo
como está. Não só o poder foi tomado quanto foi mantido. O jogo criado naquele
bairro teve força suficiente para sobreviver ao seu criador.
O interessante é que houve pouca violência. Este era
usado como último instrumento para manutenção do sistema montado. O jovem
aprendiz de gangster era frequentemente advertido para agir com astúcia. A
astúcia valia mais que a força. Sequer a polícia conseguiu prender alguém dos
poderosos e descumpridores da lei. A
astúcia venceu sempre. Ninguém queria o mal de ninguém. Queriam apenas a
manutenção dos privilégios. Não sentiam culpa em suas almas. Eram políticos que
sabiam o que queriam.
sábado, 12 de setembro de 2015
Jogos de linguagem em Wittgenstein
Jogos de linguagem em Wittgenstein[1]
Neste estudo falaremos apenas da segunda fase de Wittgenstein, pois
entendemos como mais relevante para o ensino médio as questões apresentadas nas
investigações filosóficas.
Nesta fase passou a afirmar que é impossível uma redução legítima entre
um conceito lógico (da linguagem) e um conceito empírico (realidade). Em outras
palavras, a linguagem não é a captura conceitual da realidade, isto é, não é a
reprodução do objeto, mas sim uma atividade, um jogo. E os jogos de linguagem
adquirem seu significado no uso social, nos diferentes modos de ser e de viver
no qual a linguagem está inserida. Estes jogos, portanto, são produzidos
socialmente e não individualmente. “A linguagem é como uma caixa de
ferramentas”. Ela não é falsa ou
verdadeira, mas se sabemos ou não a usar.
A tarefa da filosofia é usar adequadamente a linguagem, sabendo dos seus
limites e calando-se diante do que não pode ser falado.
Na a obra Investigações Filosóficas o filósofo fala em
semelhanças entre jogos de linguagem. Esse pensar dá mais vitalidade a
linguagem, pois exercitamos tais jogos na vida cotidiana adaptados a cada
circunstância: trabalho, lazer, disputas filosóficas e etc. O que há em cada
situação é apenas uma “semelhança” de família. Assim pensando Wittgenstein, nas
investigações, conclui que o sentido da palavra é o seu uso e o papel da
filosofia é esclarecer o uso de cada uma das palavras em cada jogo de
linguagem.
A linguagem para este filósofo é baseada no habitual, no
cotidiano. Wittgenstein diz que há
várias maneiras de representar os fatos, existem muitas linguagens semelhantes
a jogos governados por regras próprias, inerentes a um dado contexto, cada
jogo. Pertence a uma certa forma de vida onde tira seu sentido. Esse sentido se
dá no uso que se faz da linguagem. Uso contido no cotidiano, nos modos comuns
de falar ou nas linguagens específicas de artesãos e dos técnicos, e que não
necessita de esclarecimentos. O fim de um determinado jogo é definido pela
forma de vida em que se insere esse jogo. O proferimento humano é responsável
por um padrão de correção. Tal padrão é um artefato humano. Isso não quer dizer
que um indivíduo pode decidir por si mesmo o que é certo e o que é errado na
arte da comunicação. Estamos vinculados à concepção que fazemos de nós mesmos
como seres que observam um mundo independente e nele agem. Se nos opomos a verdades que nos parecem
necessárias, tal se dá apenas porque fomos nós que criamos as regras que as
fazem ser assim; e também podemos abrir
mão daquilo que criamos.
Fica mais evidente a existência de jogos quando ensinamos uma criança.
Dizemos, “Isto é um giz”. Ela entende.
Mas de repente ela nos pergunta, “O que é isto?
Como mostrar a palavra isto?
Patenteia-se que o significado de isto ou ali se aprende no seu uso mesmo e não
tanto no aprender do uso. As palavras só se tornam claras no seu uso comum num
determinado jogo de linguagem. A palavra explica-se no contexto em que for
usada. Representar uma linguagem significa representar-se uma forma de vida.
Essa referência à vida nos faz lembrar movimento, associações e variações.
Assim é nossa linguagem.
As palavras explicitam-se quando nos inteiramos do jogo em que elas
fazem parte. A frase do chefe ao funcionário: “Tu podes fazer isso para mim? ”
Para o funcionário significará, apesar de ser uma pergunta, uma ordem na práxis
da linguagem do escritório. Mas esse mesmo funcionário, ouvindo a mesma frase,
mas proferida por um amigo, a entenderá de forma diferente. Uma expressão dita
a um estranho, por exemplo, “Ë legal! ”, será ambígua. Poderá significar um
fato juridicamente válido ou uma gíria com sentido bem diverso. Para reduzir a ambiguidade,
torna-se necessário que convivam algum tempo no mesmo jogo.
Fica então evidente, que simplesmente denominar não faz uma linguagem.
Quando apontamos à uma criança muito nova uma mulher e dizemos ”mãe”, a criança
entenderá imediatamente que todos têm mãe? Que nem todas as moças são
mães? Que a mesma mulher que é mãe,
também é tia, irmã, esposa, empregada? E quando ouvir a expressão “mãe pátria?
” Entenderá ela que a palavra mãe ocupa vários “lugares” nos vários jogos de
linguagem?
A linguagem funciona em seu uso. Não nos cabe indagar sobre os
significados das palavras, mas sobre suas funções práticas. Essas funções se
exercem na vida. Isoladas de todos os contextos, a expressão não deve ser
transformada em objeto de ponderações profundas sobre sua essência. Devemos
considerar toas as espécies de contexto em que ela pode aparecer, só assim a
elucidaremos.
Segundo o autor a linguagem engendra, ela mesma, suas superstições. A
filosofia tem como tarefa esclarecer e neutralizar os efeitos enfeitiçadores da
linguagem. O problema encontra-se no ímpeto em perguntar sobre a essência da
linguagem. Devemos voltar nossa atenção a estudos sobre o funcionamento da
linguagem. Os usos múltiplos e variados,
constituem múltiplas linguagens. Ela é um conjunto de jogos. Esses jogos são
como ferramentas usadas para esclarecer o que queremos expressar.
[1] Bibliografia:
Abbagnano,
Nicola. A sabedoria da filosofia, Rio de Janeiro, Vozes, 1989.
Cotrim,
Gilberto. Fundamentos da Filosofia. 15a edição. São Paulo. Editora
Saraiva. 2000.
Doria,
Francisco Antônio. Marcus vida e obra, Rio de Janeiro, José Álvaro editor,
1969.
Stegmüler,
Wolfgang. A filosofia contemporânea, 6a edição, São Paulo, USP, 1977.
Wittgenstein,
Ludwig. Investigações Filosóficas, 3a edição. São Paulo. Abril Cultural, 1984.
sábado, 23 de maio de 2015
Rerum Novarum
Encíclica
Rerum Novarum
A encíclica é um documento feito pelo papa dirigido aos
religiosos e aos fiéis. De maneira geral tem cunho de fé, mas também pode se
referir ao mundo, aos problemas sociais e econômicos. O Papa Leão XIII
utilizou-se da Rerum Novarum para orientar o mundo cristão num momento de
grande sofrimento dos trabalhadores e trabalhadoras. O contexto era o da
Revolução Industrial, do liberalismo clássico e das péssimas condições de
trabalho e dos baixos salários. O pensamento de Karl Marx era já bastante
conhecido pelas classes mais esclarecidas.
O
Papa manifestou-se, pois, o contexto social assim o exigia. Leão XIII reconhece
que as pessoas que trabalham estão numa miséria imerecida, entregues a cobiça.
Entretanto, defende a propriedade privada e reage contra o comunismo. A riqueza
e seu acúmulo em excesso, assim como o comunismo e o socialismo, corrompem a alma
e o corpo. O corpo é exaurido pelas
horas extenuantes de trabalho, e alma corrompida pelo afrouxamento dos
costumes, pelo abando das mães trabalhadoras a seus filhos. O comunismo também
corrompe a alma insuflando o ódio e a inveja nos pobres, segundo o Papa.
A
propriedade, segundo Leão XII, estava já prevista por Deus na Bíblia: “Não
cobiçarás a mulher do teu próximo. Não desejarás para ti a casa do teu próximo,
nem o seu campo, nem o seu servo ou serva, nem seu boi, nem seu jumento, nem
bem algum que pertença a teu próximo”.
Apesar
dessa defesa da propriedade, a Igreja não pode deixar de ver a dolorosa
realidade social. A encíclica afirma que
somente o evangelho pode suavizar o conflito. Não é possível aceitar a ideia da
luta de classes, mas a concórdia entre elas.
A diferença social é natural, mas o conflito não. Adverte a
Rerum Novarum que a desigualdade social deve ser algo que venha a favor
de todos. As classes ao unirem-se, como fazem
os organismos complexos, proporcionarão o avanço social, a sinergia entre as
classes. A classe trabalhadora não deve lesar o patrão e deve ser fiel a ele. Por
outro lado, os patrões não podem ver o trabalhador como escravo, inumano, como
coisa, como instrumento do lucro. O patrão deve cuidar do pobre para que este
viva modestamente, mas com dignidade junto com sua família. Com isso o
empregador ajuda ao seu subordinado cuidar das coisas da alma, pois terá o
subalterno menos tempo de trabalho e o salário será o suficiente para a esposa
cuidar da família.
Ser
rico não é pecado, mas o cuidado com a esmola impõe-se. Jesus era o rico
supremo e fez-se pobre. O rico deve controlar seus impulsos ao enriquecimento e
aos prazeres. Para isso o estado é necessário. Leão XIII opõe-se ao liberalismo.
Afirma que o estado tem que propiciar com suas leis a prosperidade pública e o
progresso da indústria, do comércio e da agricultura. O governo observará a sorte do operário e a proteção
à sua dignidade. Pobres e ricos são cidadãos. O trabalho deve assegurar
habitação, vestuário e que as pessoas possam viver através dele. A riqueza do
rico vem do trabalho. O trabalho do pobre vem da riqueza. O trabalho
é a fonte da riqueza das nações. Portanto, uma classe nunca poderá oprimir outra.
O estado cuidará da harmonia entre elas.
A lei estatal reprimirá os abusos preocupando-se primeiramente dos
fracos.
A
greve é desarmonia. A desordem impede o desenvolvimento. É preciso antecipar os
motivos. Identificar a causa e saná-la com sabedoria. O papel dos sindicatos e
das corporações são muito importantes, úteis e necessários. Não é possível a
luta de classes. Por isso o estado deverá dar as garantias mínimas ao
trabalhador.
A
Rerum Novarum produziu uma corrente favorável às políticas sociais ao incentivar
as organizações dos trabalhadores e ao chamar a atenção do estado sobre as
condições dos trabalhadores. Aproximou a ordem econômica da moral cristã. O
cristianismo reconhece a má distribuição do poder e das riquezas. Portanto,
apregoa a encíclica que o salário seja digno e que todos possam encontrar
trabalho. O trabalho é mais que o lucro que traz, é a dignidade do trabalhador.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Platão
Platão é uma das maiores figuras de todos os tempos na filosofia. A
extraordinária envergadura do gênio filosófico de Platão está em ter tirado a
especulação filosófica das incertezas e da ingenuidade dos inícios e, tê-la
levado a uma profundidade, maturidade e amplitude assombrosos.
Ele nasceu em Atenas, 427 ªC. Seus pais foram Aristão e Perizona,
ambos descendentes das mais nobres famílias da Grécia. Depois de ter recebido
uma esmerada educação, seu primeiro contato com a cultura deu-se no terreno da
pintura e da poesia. Mas bem depressa começou o estudo da filosofia,
frequentando a escola de Crátilo, longínquo discípulo de Heráclito.
Enquanto Platão ouvia as lições de Crátilo já começara a frequentar a
escola de Sócrates. Essa foi a maior influência na formação da personalidade de
Platão.
Após a condenação de Sócrates, Platão, temendo represálias, deixou
Atenas com destino a Mégara. De lá iniciou uma série de viagens, visitando
cidades da Grécia e da Itália. Quando voltou a Atenas, fundou sua Academia. É a
primeira universidade, onde estava previsto o estudo da matemática e geometria.
Forneceu a Grécia uma série de grandes matemáticos e espíritos organizadores e
imprimiu a matemática e à geometria um enorme desenvolvimento.
A teoria platônica das ideias:
Platão parece ter-se considerado em condições de resolver todos os
problemas filosóficos. Procurava verdadeira causa de tudo. Para encontra-la
julgou que devia refugiar-se nas idéias e considerar nelas a realidade das
coisas existentes. Para Platão uma coisa é bela porque participa da beleza. Só
é verdadeira porque participa da verdade. Esta é a causa do mundo sensível: a
sua participação no mundo intelectual. Isto significa que, existindo um mundo
sensível, deve existir também o mundo inteligível. Existem bancos porque existe
à parte, separado, subsistente, o banco.
Só existem os homens porque existe o homem.
Vê-se assim que, segundo Platão, existem dois mundos, o inteligível e
o sensível, e que o primeiro é a causa do segundo.
Para demonstrar a existência do mundo inteligível (mundo das ideias),
Platão aduz três argumentos:
Argumento da reminiscência: temos a ideia de verdade, de
bondade, de igualdade, a ideia universal de homem, etc. Essas idéias nós não as
tiramos da experiência, logo o conhecimento atual é a recordação de uma
intuição que se deu em outra vida.
Reminiscência:
Segundo Platão, lembrança do que a alma contemplou em uma vida anterior,
quando, ao lado dos deuses, tinha a visão direta das idéias; anamnese.
Argumento do verdadeiro
conhecimento: Não existe ciência a não ser do verdadeiro; ora, a verdade
exige correspondência entre o conhecimento e a realidade, mas o único
conhecimento humano que merece o nome de ciência é o que diz respeito aos
conceitos universais. Logo, deve existir um mundo inteligível, universal.
Argumento da contingência:
deve existir a ideia necessária e estática para que se explique o nascer e o
parecer das coisas: uma coisa é bela não por certa combinação de cores, mas
porque é uma aparição terrena do Belo em si; o dois é dois não pela adição de
duas unidades, mas pela participação na Dualidade.
As idéias são sempre descritas como realidades simples, incorpóreas,
imateriais, não sensíveis, incorruptíveis, eternas, divinas, imutáveis,
auto-suficientes, transcendentes. Uma questão de difícil solução para os
estudiosos de Platão, é o lugar de Deus no mundo inteligível. Platão acredita
nos deuses, mas também na existência de um Ser supremo (Demiurgo), criador e
pai do universo, artífice de todas a sorte de objetos. Para o filósofo das
idéias, Deus é uma das idéias soberanas.
Para Platão Deus constitui um grande mistério. Ele diz que é difícil
encontrar o Autor e Pai do Universo, e, uma vez encontrado, é muito difícil
falar nele.
Platão afirma que no princípio existiam, além das idéias (os modelos a
reproduzir), o caos (uma matéria informe a plasmar) e o Demiurgo (o artífice
soberano). O Demiurgo, observando as idéias, plasma a matéria informe e assim
produz o mundo material. Terminada a tarefa, o Demiurgo infunde no mundo
material uma alma universal, a fim de conservar a vida do mundo, sem uma
contínua intervenção do Demiurgo.
O pensamento político de Platão:
[1]
No livro VII de A República,
Platão ilustra o seu pensamento como o famoso muito da caverna. Vamos observar a questão política. As
questões que então aparecem são as seguintes: como influenciar os homens que
não vêem? Cabe ao sábio ensinar e dirigir. Trata-se da necessidade da ação
política, da transformação dos homens e da sociedade, desde que essa ação seja
dirigida pelo modelo ideal contemplado.
Platão imagina uma cidade, Callipolis (cidade bela). É uma cidade
utópica. É uma cidade que não existe, mas que deve ser modelo.
Partindo do princípio que as pessoas são diferentes e por isso devem
ocupar lugares e funções diferentes na sociedade, Platão diz que o Estado, e
não a família, deve se ocupar da educação das crianças. Aqui quer uma forma de
comunismo em que são eliminadas a propriedade e a família, a fim de evitar a
cobiça e os interesses decorrentes dos laços afetivos, além da degenerescência
das ligações inadequadas. O Estado
orientaria as formas de eugenia (ciência que estuda as condições mais propícias
à reprodução e melhoramento genético da espécie humana), criaria creches para a
educação coletiva das crianças.
A educação estatal deve ser igual para todos até os 20 anos, quando
dar-se-ia o primeiro corte identificando as pessoas que, por possuírem alma de
bronze, têm a sensibilidade grosseira e por isso devem se dedicar à
agricultura, ao artesanato e ao comércio. Dedicariam-se a subsistência da
cidade.
Os outros continuariam os estudos por mais 10 anos, até o segundo
corte. Aí seriam identificadas as almas de prata, que teriam a virtude da
coragem essencial aos guerreiros.
Constituiriam a guarda do estado, seriam os soldados.
Os mais notáveis, que sobrariam desses cortes, teriam a alma de ouro.
Seriam instruídos na arte de pensar a dois, ou seja, na arte de dialogar.
Estudariam filosofia, que eleva a alma a ter o conhecimento mais puro.
Aos 50 anos, aqueles que passassem com sucesso pela série de provas
estariam aptos a serem admitidos no corpo supremo dos magistrados. Estes
governariam a cidade, exerceriam o poder, pois apenas eles teriam a ciência da
política. Por serem os mais sábios,
também seriam os mais justos, uma vez que justo é aquele que conhece a justiça.
E esta é a principal virtude, condição das demais. Só poderá ser chefe quem
conhece a ciência política. Por isso a democracia é inadequada, pois desconhece
que a igualdade deve se dar apenas na repartição dos bens, mas nunca no igual direito
ao poder. É preciso que os filósofos se
tornem reis, ou que os reis se tornem filósofos.
A ética platônica:
Toda a filosofia de Platão tem uma orientação ética. Ela ensina o
homem a desprezar os prazeres, as riquezas e as honras, a renunciar aos bens do
corpo e deste mundo e a praticar a virtude. Afinal, no mundo sensível a alma é
prisioneira do corpo, é peregrina à procura de um bem superior que perdeu. O
homem está na terra de passagem. A alma será julgada de acordo como justiça e a
injustiça que cometeu, será julgada em função da temperança e da intemperança,
da virtude e do vício. Para ser feliz é necessário dedicar-se a prática da
virtude. A virtude consiste no conhecimento, ao passo que o mal consiste na
ignorância. A virtude é uma só: o conhecimento da verdade.
Então a realização da natureza humana [2]
não consiste em uma disciplina racional da sensibilidade. Mas na supressão da
sensibilidade, na separação da alma do corpo. Agir moralmente é agir
racionalmente, e agir racionalmente é filosofar, e filosofar é suprimir o
sensível, morrer aos sentidos, ao corpo, ao mundo, viver para o espírito, o
inteligível, a ideia. Visto que a alma humana racional se acha, de fato, neste
mundo, unida ao corpo e aos sentidos, deve principiar a sua vida moral sujeitando
o corpo ao espírito, para impedir que o primeiro seja obstáculo para o segundo.
Para que se realize a sabedoria, a contemplação, a filosofia, é necessário que
a alma racional domine, daí a virtude da temperança (moderação).
O mito da caverna:
Um grupo de pessoas vive acorrentado numa caverna desde que nasceu, de
costas para a entrada. Elas vêem refletida na parede da caverna as sombras do
mundo real. Elas acham que as sombras são tudo o que existe. Um dos habitantes
se livra das amarras. Fora da caverna, primeiro ele se acostuma com a luz,
depois vê a beleza e a vastidão do mundo, com suas cores e contornos. Ao voltar
para a caverna para libertar seus companheiros, acaba sendo assassinado, pois
não acreditam nele.
O mito da caverna [3] é
uma alegoria a respeito das duas principais formas de conhecimento: o mundo
sensível, dos fenômenos e o mundo inteligível, das idéias. Se escapasse da caverna [4] e
alcançasse o mundo luminoso da realidade, ficaria livre da ilusão. Mas, estando
acostumado às sombras, às ilusões, teria de habituar os olhos à visão do real:
primeiro olharia as estrelas da noite, depois as imagens das coisas refletidas
nas águas tranquilas, até que pudesse encarar diretamente o sol e enxergar a
fonte de toda a luminosidade.
[1]
Aranha, Maria Lúcia de Arruda. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo.
Editora Moderna. 1993.
[2]
Padovani, Humberto. História da Filosofia. 7a edição. São Paulo,
Edições melhoramentos. 1967.
[3]
Aranha, Maria Lúcia de Arruda. Filosofando: introdução à filosofia.. 2a
edição. São Paulo. Editora Moderna, 1993.
[4]
Cotrin, Gilberto. Fundamentos da Filosofia: ser, saber e fazer. São Paulo.
Editora Saraiva. 1997.
Sócrates
SÓCRATES
Para os Cristãos, Cristo é um divisor de águas. Existe a história
antes de Cristo e a depois de Cristo. Para a filosofia ocidental, temos os
pré-socráticos e os pós-socráticos.
Também Sócrates é um divisor nas águas revoltas
da história da filosofia. Com esse pensador a preocupação grega passa a ser a ética e a política e não mais a
natureza, como nos pré- socráticos.
Sócrates argumentava de maneira forte contra os que
acreditavam saber algo. Acaba confrontando com o Estado, pois sua ironia
colidia contra as práticas dos políticos da época. Acaba por ser condenado à
morte. A acusação: desrespeitar os deuses e corromper a juventude. Na verdade o
que havia contra Sócrates era seu cruel questionamento dos valores da época.
Manda-lo à morte foi imortaliza-lo, pois seu desaparecimento naquelas
circunstâncias marcou seus contemporâneos. Quando estava em frente aos 501
cidadãos do júri, ironiza os acusadores e pouco se defende. O júri então o
condena a morrer bebendo cicuta.
Esse brilhante pensador optou por manter diálogos com as pessoas.
Dialogava com qualquer um em qualquer lugar. O ponto alto desses diálogos era a
refutação. As afirmações dos interlocutores eram desqualificadas por Sócrates. O
Filósofo levava as pessoas a se contradizerem. A dificuldade está em que Sócrates não
escreveu tais diálogos. Ele valorizava mais a fala viva do que a letra
morta. Seu principal discípulo, Platão,
registrou seus ensinamentos. Isso trará outro problema: estamos estudando
Sócrates ou Platão?
Platão nos mostra Sócrates nas praças de Atenas ironizando e
questionando as pessoas. Esse questionamento era cruel, muitas vezes acontecia
de forma grosseira. Iniciava suas
questões muitas vezes pela definição: “O que é isso que falas?” As idéias e as
virtudes deveriam ser definidas com exatidão. Descobriu Sócrates que as pessoas
não sabiam do que falavam! Ele faz uma espécie de análise de conceitos em seus
diálogos.
Os
sofistas também agiam semelhantemente ao Sócrates, porém, intencionavam diretamente
preparar uma elite, futuros governantes. Para isso ensinavam de maneira
enciclopédica e com ênfase na eloquência.
Polemarco e Sócrates discutem a justiça. A República
-
Ora muito bem:
para proveito e obtenção de que dirás que é útil a justiça em tempo de paz?
-
Para os
contratos, Sócrates!
-
Por contrato
entendes sociedades, ou que outra coisa?
-
Sociedades,
precisamente.
-
Quem é o melhor
parceiro num jogo de damas: o homem justo ou o bom jogador? E para a colocação
de tijolos e pedras, o homem justo será melhor sócio do que o pedreiro?
-
Bem ao contrário.
-
Então em que
espécie de sociedade o homem justo é melhor sócio do que o citarista, uma vez
que para tocar cítara este é melhor sócio que o homem justo?
-
Creio que em
assuntos de dinheiro.
-
Com exceção, talvez,
ó Polemarco, do uso do dinheiro quando se trata de comprar ou vender um cavalo,
pois nesse caso penso que será preferível um homem entendido em cavalos. Não é assim?
-
Sim, parece.
-
E quando queres
comprar um navio, o armador ou o piloto será melhor?
-
É verdade.
-
Então, qual é o
uso em comum da prata ou do ouro em que o homem justo deve ser preferido?
-
Quando se quer
que um depósito seja bem guardado.
-
Queres dizer:
quando não precisamos do dinheiro e convém deixa-lo quieto?
-
Precisamente.
-
Portanto, a
justiça é útil quando o dinheiro é inútil?
-
É o que se
conclui.
Sócrates nas suas indagações quer se afastar do senso comum e
aproximar-se dos conceitos mais precisos e ricos. Podemos dizer que ele parte
do que já sabemos (senso comum) para um conhecimento mais elaborado. Essa busca
pelo conhecimento mais elaborado é pessoal, ninguém pode fazer pela pessoa. Por
isso esse filósofo perguntava sempre, nunca respondia. A pessoa, através da
própria reflexão, devia achar as respostas. Ele motivava o aprendiz com seus diálogos
em praça pública.
Sócrates nasceu em 470 ou 469 ªC, em Atenas, filho de Sofrônico,
escultor e de Fenáreta, parteira. Aprendeu a arte paterna, mas dedicou-se
inteiramente à meditação e ao ensino filosófico, sem recompensa nenhuma, não
obstante sua pobreza. Formou sua instrução, sobretudo através de reflexão
pessoal, na moldura da alta cultura ateniense da época, em contato com o que de
mais ilustre houve na cidade de Péricles. Casou-se com Xantipa, que não foi a
esposa ideal. Mas também ele não se preocupava com as questões domésticas.
A introspecção é característica da filosofia socrática. Exprime-se no
famoso lema conhece-te a ti mesmo. – isto é, torna-te consciente da tua
ignorância.
Sócrates não gostava que o chamassem de sofista. Mas é fato que tinha
uma vida semelhante a eles. Não recebia dinheiro por seus ensinamentos, mas
semelhantemente aos sofistas, falava nas praças públicas. Os jovens adoravam
ouvi-lo. Ele queria falar sobre coisas práticas, não sobre metafísica. Assim
falava sobre autoconhecimento (um dos pontos fundamentais da sua filosofia),
política e ética.
Interessou-se sobre o conhecimento de si e dos homens. Refletia sobre esse tema em público, isso fez
com que surgissem muitos curiosos a sua volta, que acabaram tornando-se seus discípulos. Acreditava que o conhecimento vem da
discussão, ou seja, da partilha entre as pessoas que querem aprender e ensinar.
O saber é construído em conjunto.
Sócrates interrogava as pessoas sobre o que elas acreditavam saber. O
resultado era interessante. As pessoas desconheciam o que falavam! Então
Sócrates percebe que a sabedoria começa pelo reconhecimento da própria
ignorância. Mesmo sendo esse processo
muito doloroso. Quanto mais orgulhosa e preconceituosa for a pessoa, tanto mais
difícil será a superação da ignorância. Para estas ele reservava a ironia e a
refutação. A ironia e a refutação levavam
as pessoas a aceitarem e confessarem suas próprias contradições e ignorâncias.
Só assim estavam livres para descobrirem coisas novas. Ajudava seus discípulos
a conceberem suas próprias ideias. A
educação vem de dentro para fora da pessoa. É uma autoeducação que leva ao
conhecimento de si mesmo através das discussões (diálogos).
Não podemos confundir os diálogos com o cultivo da eloquência.
Sócrates não queria levar as pessoas a se convencerem através de palavras
bonitas, sonoras e atraentes. Utilizava-se da dialética. Buscava através de
perguntas e respostas o esclarecimento do que é a vida virtuosa na polis. Ele
queria eliminar a ignorância das almas não confundi-las com sofismas.
O mundo humano
A filosofia de Sócrates volta-se para o mundo humano, psicológico, com
finalidades práticas, morais. É cético com relação a metafísica. A única
ciência possível e útil é a ciência da prática. Vale dizer, o agir humano – bem
como o conhecer humano – se baseia em normas objetivas e transcendentes à
experiência.
A gnosiologia de Sócrates baseia-se nesses pontos fundamentais:
ironia, refutação, introspecção, ignorância, indução, definição. Antes de tudo,
temos que desembaraçar o espírito dos conhecimentos errados, dos preconceitos,
opiniões; é este o momento da ironia, isto é, da crítica. A seguir será
possível realizar o conhecimento verdadeiro (a ciência) mediante a razão. O mestre deve tirar a instrução da mente do
discípulo. O procedimento lógico para realizar o conhecimento verdadeiro é,
antes de tudo, a indução: isto é, remontar do particular ao universal, da
opinião a ciência, da experiência ao conceito.
A ironia, a refutação e a maiêutica
Entre os gregos a ironia era considerada uma atitude do espírito
detestável. Segundo Aristóteles, o irônico peca contra a veracidade porque, em
seus discursos, se recusa a revelar as suas qualidades, oculta seu saber sob a
capa de uma ignorância fingida e se protege atrás de um comportamento negativo.
Os contemporâneos de Sócrates o condenaram por ela. A ironia e a refutação
acabam, nas mãos de Sócrates, se tornando uma atitude pedagógica e filosófica. Essa atitude tem a finalidade de pôr a
descoberto a vaidade, de desmascarar a impostura e de seguir a verdade. Ao desprezar
o que a sociedade preza, ameaça as opiniões correntes e os valores consagrados.
Era, dessa forma, um cidadão crítico ao questionar o que se tinha como verdade.
Com suas perguntas Sócrates deixava embaraçado e perplexo aquele que
está seguro de si mesmo. Conceitos até então estáveis são vistos como
problemas. Atiçava a curiosidade e a reflexão. A sua arte educativa pode ser
comparada com a de sua mãe, porque ele é como o médico que ajuda nos partos do
espírito. Por causa deste aspecto o método de Sócrates é chamado de maiêutica.
Por razões de método (e não por incapacidade), seus diálogos levantavam
uma questão, mas não davam a solução. Servem para pôr o interrogado no caminho
da solução e para que ele mesmo a encontre.
Ensinamentos filosóficos:
Sócrates não se interessa pelos
princípios supremos do universo, mas pelo valor do conhecimento humano. Não
questiona o cosmos, antes de tudo examinava se os homens haviam aprofundado
suficientemente os conhecimentos humanos, para se ocuparem de tais assuntos.
Na psicologia, a doutrina socrática gira em torno da imortalidade da
alma. Para ele a alma é superior ao corpo e encontra-se nele como numa prisão.
A morte libera a alma desta prisão e lhe abre a porta de uma vida melhor.
Deve-se cuidar da alma e não temer a morte.
Quanto ao conhecimento, faz uma distinção entre opinião e verdade. O
conhecimento sensível por si só não pode fazer-nos conhecer a verdade, mas
somente opiniões mais sólidas. O homem é dotado só de conhecimento sensitivo.
Mas, além disso, existe outro conhecimento, o intelectual. Este vai além das
aparências sensíveis, porque extrai das coisas a sua verdadeira natureza,
formando na mente uma noção, um conceito, de valor universal.
Sócrates foi o primeiro filósofo que procurou determinar a natureza do
conceito universal e que mostrou que ele é muito diferente da opinião. A
opinião varia de individuo para individuo, ao passo que o conceito universal é
necessariamente o mesmo para todos.
O procedimento para chegar a aquisição do conceito universal é o
indutivo.
Indução: Raciocínio cujas
premissas têm caráter menos geral que a conclusão.
Das definições de valor limitado passa-se para definições menos
imprecisas até chegar-se à definição adequada. Quando Sócrates quer definir a
justiça, por exemplo, pede aos interlocutores uma definição e demonstra que ela
é insuficiente. Pede outra definição e faz o mesmo... até chegar a uma
definição mais satisfatória.
Para Sócrates a moralidade identifica-se com o conhecimento: a
sabedoria é virtude e a virtude identifica-se com a sabedoria. Se o homem peca,
é por ignorância, porque não é admissível que, conhecendo o bem o mal, escolha
o mal e não o bem. Os homens que fazem o mal ignoram o bem ou não sabem que o que
escolheram é mau. Ele incita seus ouvintes a procurarem a verdade e a
sabedoria, porque somente a verdade e a sabedoria tornam o homem livre e
virtuoso.
terça-feira, 10 de março de 2015
Homens bomba. Terrorismo brasileiro.
Prof.
Amilcar Bernardi
O
que é a política? Há milhões de significados possíveis. Mas estes significados têm
algo em comum: entendimento, diálogo. Claro, não podemos esquecer que a razão
faz parte. Só há diálogo quando há a razão. A racionalidade e o diálogo são inseparáveis.
Caso contrário, serão duas pessoas falando para as paredes, uma não entendendo
(ou não querendo entender) a outra.
Lembrei-me
agora das crianças que estão aprendendo a falar e já estão na pré-escola. Elas
brigam muito. Afinal, querem os mesmos brinquedos e ainda não sabem negociar. E
porque não sabem? Por que são aprendizes do diálogo. Elas não sabem ainda que
apenas expressar seu querer não interfere no direito de querer do outro. Então,
os quereres colidem e pimba! Um empurra o outro. Não é fácil ser criança entre
outras crianças. Ninguém negocia nada, todos querem tudo. Faz parte do aprender
a ser gente. Se os adultos se comportam como crianças é muito complicado. Não
temos professores para adultos aprenderem a falar e a negociarem seus quereres.
Só na pré-escola temos tais professores, mestres da negociação infantil.
O
que é a política? Não é coisa para crianças, aprendizes do falar e do negociar.
Não é coisa de quem prefere empurrar o outro sem conversa, embriagado por si
mesmo, por seus desejos irracionais. Não é coisa para surdos e mudos espirituais.
Enquanto os espíritos estiverem presos em seus corpos, entrincheirados sem
quererem falar e ouvir, é guerra certa. Tenho medo desses surdos e mudos que
não entendem o outro, mas querem ser por eles entendidos. São terroristas na
política. Explodem tudo, fazem terra arrasada.
Estamos
hoje cercados de terroristas, homens-bomba unilaterais. Se estão de um lado, explodem
o outro. Pronto, sem explicações. Para estas caricaturas de politizados, alguém
sempre está do lado contrário ao seu. Portanto, a política é uma guerra santa.
Eles têm que explodir os infiéis que não aceitam seu deus ideológico. Estou aterrorizado.
Tenho dificuldade de afirmar meu posicionamento. Quem estará ao meu lado? Será
um terrorista? E se minha afirmação for pública, com certeza sempre haverá um
homem-bomba cheio de ódio. Ele vai explodir-me ou a alguém que eu ame. Vai vasculhar
minha vida para achar alguma falha, alguma forma de atingir-me.
Ouvi
na televisão um especialista na contratação de empregados de uma grande empresa
brasileira. Ele disse o seguinte: cuidado com o Face book. As informações que o
cidadão postar lá podem ser usadas contra ele na hora de contratá-lo. Entendi
bem a mensagem. Se o empregador ou o selecionador for um terrorista, ele vai
explodir o candidato antes de conhece-lo. Um total fanatismo! Basta ler para
explodir a pessoa. O terrorista pensa que não é nada pessoal, é apenas uma
faxina ideológica.
O
que é a política? Não sei bem. Mas posso afirmar que não é fanatismo nem ódio.
A
elite brasileira está produzindo terroristas políticos. E estes estão
proliferando mais que vírus. A elite ainda não sabe. Alguns seres microscópicos
criados pelo homem, matam seu hospedeiro. Ou seja, o próprio homem.
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