Prof. Amilcar Bernardi
domingo, 3 de maio de 2026
sábado, 2 de maio de 2026
sábado, 25 de abril de 2026
terça-feira, 21 de abril de 2026
Mais uma carta para meu amigo imaginário! Quem não gostaria de escrever uma carta para um amigo inexistente?
Meu amigo ilusório!
Estou no meu escritório, no
meu apartamento.
Pela janela o cinza de um dia chuvoso adentra o ambiente. Estou cercado de silêncios gritantes e de intelectuais calados, fechados entre as capas dos livros nas minhas estantes.
Pobres intelectuais! São presidiários em seus livros.
Hoje não vou ler, melhor
dizendo, não vou libertar nenhum deles.
Há muito que ler no meu
escritório. Mas não há ninguém para me ouvir. Há mais coisas para aprender do
que dias para eu viver. Vivo entre estas fatalidades.
Meu amigo onírico! Só tu podes
me entender.
Minha alma é um oceano. Meu
pensamento é ventania, vendaval.
Minha pele e músculos são as margens para as águas - sempre a espera de tsunamis – deste mar que me inunda.
As pessoas só veem minha pele e músculos, nunca o tsunami.
Escrevo e gravo vídeos para
diminuir a pressão. Como se eu fosse um balão, sinto enorme pressão de dentro
para fora. Quase a explodir.
Não se engane meu amigo
interno! Apesar desta solidão, não moro sozinho, nem sou náufrago. Vivo entre
gentes e movimentos. A solidão é interna!
A solidão está dentro do meu
corpo. Dentro de mim não há ninguém me fazendo companhia. Estou lotado de
informações e vazio de compreensão. Moro sozinho dentro de mim; não há ninguém
para conversar.
Agora tenho a ti, meu amigo
inexistente. Portanto, meu amigo, meu melhor amigo, não me decepcione: ouça-me
sempre.
Não esqueça: estenda-me a mão
quando eu estiver perdido na minha imensidão interna sem saber o caminho de
volta. Salva-me de mim mesmo!
segunda-feira, 20 de abril de 2026
sábado, 18 de abril de 2026
Uma carta política para meu amigo imaginário! Meu amigo onírico! Como seria?
Olá meu amigo onírico! Meu melhor amigo!
Acordei muito cedo hoje. Devo ter sonhado algo muito, muito interessante: coisas atenienses! Mesmo sem lembrar, já abri meus olhos para o dia pensando coisas complexas!
Seria ótimo o governo de um só. De preferência um tirano, um déspota. Isso se fosse esse governante um (a) deus (a). Ora, imaginem um (a) deus (a) da justiça comandando o país! Seria divino! Perfeitamente divino. Que maravilha!
Por outro lado, um governo democrático governado por imbecis seria uma tragédia. A maioria insana elege um insano: como poderia ser diferente? Um horror! Idiotas escolhendo idiotas como ministros que idiotizam toda uma estrutura governamental. Uma tragédia sem volta! Mas, um grupo de deuses perfeitos seriam perfeitos democratas escolhendo perfeitamente!
O problema do número (um ou muitos) é um problema clássico, meu amigo virtual. Um governa (tirania) ou muitos governam (democracia)? A tirania de uma pessoa ou a tirania da maioria ? Ambos são males possíveis de serem evitados.
Entretanto, não creio que o número seja a questão central. O foco deve ser a imbecilidade.
Especialidade dos humanos: optarem pela imbecilidade.
Esta doença deve ser extirpada a ferro e fogo! Não a pessoa, claro; mas a capacidade de ser imbecil deve ser combatida. Da mesma forma que matamos a infecção e não o infectado, até porque a própria infecção já o mataria.
Em tempo: a imbecilidade mata.
O foco é a nossa capacidade de desenvolver a imbecilidade. Os imbecis que escolhem serem imbecis devem ser banidos. O ostracismo para o bem coletivo. Só voltariam quando se auto curarem.
Há boatos não confirmados de que algumas pessoas conseguiram evitá-la após tê-la cometido algumas vezes.
Mas é como um vício em álcool. Uma vez praticante da imbecilidade, a tendência é repetir a dose. O dependente cretino tem que ter muita força de vontade, ir a grupos de autoajuda em bibliotecas. Da mesma forma que o dependente químico, o imbecil não tem cura. Terá crises de abstinência. Basta apenas uma idiotice e pronto! Retoma o vício.
O problema não é a forma de governo. A questão recai sobre quem governa. Para o governante bom, justo e democrático, qualquer forma de governo é boa, justa e democrática! Precisamos de deuses e deusas para serem eleitos e eleitas!
A imbecilidade geralmente é atávica.
De pais e mães para filhos e filhas. Ela é ensinada desde cedo. É uma violência simbólica terrível. As pessoas dizem aos seus filhos e filhas:
“Odeie este e aquele! ”
“Veja, este é o mal absoluto, aquele é o bem absoluto! ”
“Já este outro é absolutamente desprezível! ”
“Isto é absolutamente verdadeiro e aquilo é absolutamente mentiroso! ”
E mais, dizem: “Creiam em absolutos! ”
É difícil definir o imbecil, mas os sinais são claros e clássicos.
O cretino crê que está sempre certo. Pensa que a terra é plana, que as vacinas contaminam e que a ciência é mentirosa. O imbecil adora o que crê ser a vida dos ricos, mesmo sabendo que a riqueza está em quem o explora. O imbecil odeia o Estado de bem-estar social.
É determinante para o diagnóstico: o imbecil acredita que os EUA são modelo para o mundo.
Creiam: a questão não é de número. A questão é de pessoas e de sua capacidade de serem estúpidas.
Escrevo esta carta para desabafar. Como ninguém me ouve, conto para ti meu amigo interno.
O problema do Brasil não é o governo em si. A questão é a proliferação absurda de idiotas. O imbecil precisa de espelho. Nada melhor que colocar no governo seus iguais para poder contemplar cópias de si mesmo. Quanta imbecilidade!
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Nascido em 1900, em Frankfurt, Alemanha, Erich Fromm estudou psicologia e sociologia. Doutorou-se em Filosofia em Munique e recebeu sól...
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Após assistir as imagens das manifestações nada patrióticas do sete de setembro, chocado, resolvi imediatamente escrever este texto. Vamos...


