domingo, 1 de setembro de 2019
domingo, 25 de agosto de 2019
terça-feira, 20 de agosto de 2019
sábado, 17 de agosto de 2019
quinta-feira, 15 de agosto de 2019
Platão e o rei coprofílico.

O sábio sabe que um dia o escafandro vai pifar e ficará no
fundo do oceano e alma voltará para seu mundo acima dele. É dever do sujeito
sábio discutir a alma e os ares acima do mar. É burrice discutir o corpo e suas
impressões falíveis. É tolice falar do peso da água e das impressões corporais.
Platão nos lembra que a alma está de passagem e logo voltará ao seu mundo
verdadeiro. Os prazeres do corpo e suas vicissitudes são efêmeros e devem ser
ignorados. O olhar deve se voltar para dentro, para a alma. A verdade está
nela. O corpo induz ao erro. Falar do escafandro é esquecer que somos a alma
que nele está.
Podemos imaginar o espanto do meu amigo Platão ao ser
apresentado para alguém que acredita ser apenas corpo e seus dejetos. E mais,
que só pensa nele. Que mede o mundo e as coisas através do corpo. O filósofo ficaria estupefato ao encontrar
alguém que dissesse que o amor é sexo (relação entre corpos apenas). Que a
beleza se resume a um corpo desejável para transar. Platão teria um infarto
filosófico se um rei dissesse que o conhecimento faz mal ao intelecto. Com
certeza cometeria suicídio se este rei falasse de cocô, relações sexuais anais
e tamanho de pênis.
Platão acreditava que o governo compete ao sábio, ao rei filósofo.
Só este sabe onde está a verdade. Ou melhor, sabe onde não está a verdade: nas
coisas corporais. Um reinado sem abstrações ou reflexões seria impensável,
abominável demais! Imaginem o AVC que teria Platão ao saber da existência de um
rei coprofílico.
Ao avesso da filosofia platônica podemos imaginar o que
segue.

Esta pessoa corporeificada ao extremo, não tem bom gosto,
finesse ou sutilezas. É bronco, fala mal, é duro e agressivo. O que não
entende, odeia. Na verdade, odeia muito. Um ódio físico, corporal. Odeia o que
está ao alcance de um murro (mais longe do que isto, não vê). Só percebe
proximidades, o bronco. A ciência, a história, as universidades e os livros são
por ele mal vistos.
Odeia ter consciência da sua própria pequenez. Então ataca
feroz quem o lembra dela. É um ataque por medo. Este cidadão de pedra tem medo
do que não compreende. Pobre espiritualmente e vil, afunda nos prazeres
corporais. Este sujeito só pode falar de excreções corporais, de sexo sem
sentimento e da dor dos corpos. Por isso, quer controlar pela tortura ou pela
prisão. Esta pessoa só sabe controlar corpos.
Isto porque para ele os humanos são apenas objetos desalmados. O que é
imaterial, intelectual, espiritual e abstrato não é perceptível para este Neandertal.
Ele é apenas um animal obediente aos seus desejos corporais e observador das
suas excreções.
Agora imaginemos Platão, aquele que desejava um rei filósofo.
Coloquemos o grego clássico em frente a este cidadão estúpido, hoje sentado no
trono. Arrogante, ignorante, bronco e sem alma. Em volta um séquito de
adoradores dos prazeres corporais. Os conselheiros do palácio mal sabem ler. Os
juízes do reino não conhecem as leis. As autoridades perseguem os sábios e
prendem os filósofos que discutem nas praças.
Ao ver esta cena dantesca, o pobre Platão gritaria: onde
está a cicuta que matou Sócrates? Por piedade, onde está a cicuta?
terça-feira, 13 de agosto de 2019
segunda-feira, 12 de agosto de 2019
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