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domingo, 22 de maio de 2016

Sobre Zubis e estóicos...


Prof. Amilcar Bernardi



Zumbis podem ser felizes?


Vamos imaginar o seguinte: em um laboratório escondido um cientista maluco, querendo eliminar a dor, criou um vírus que, após infectar a pessoa, a tornaria imune ao sofrimento físico. O cientista dessa forma acreditava que as pessoas ficariam livres dos males físicos. Principalmente aquelas que sofriam de doenças terríveis! Seria um bem para a humanidade. Mas algo deu errado e, na ilha secreta onde acontecia os experimentos, o vírus se espalhou e dominou todas as pessoas! Aconteceu o inesperado, ao infectarem-se as pessoas não perderam só a dor, mas desapareceu delas o desejo, o querer... como diriam os gregos antigos, desapareceram as paixões, todas!
O cientista percebeu que a comunidade não brigava mais. Havia calma na ilha. A competição desapareceu. Não havia mais amor, mas o ódio também não. As relações tornaram-se tranquilas. As pessoas agiam de forma mais calculada e eram propensas a cooperação. Dizem até que os casamentos eram agora por interesse, mas não havia revolta nenhuma, apenas cálculo. Era uma paz maravilhosa e... estranha. As pessoas eram zumbis sem tristeza, sem brigas, tudo era negociado para que não houvesse desarmonia. Há quem diga que se tornaram, portanto, felizes e não queriam a cura. Há outros que dizem que foi uma maldição estranha e que ninguém mais vai até a ilha. O que tu achas? Vamos falar agora dos Estoicos, eles se dariam bem nessa ilha.

Estóicos

Um verdadeiro sábio, segundo o estoicismo, não deveria sofrer de emoções externas, pois estas influenciariam em suas decisões e raciocínios.

Como Aristóteles estes pensadores também queriam a felicidade. Mas não aceitavam o meio termo aristotélico. Entretanto, não discordavam que a felicidade viria da razão. Para os estoicos a pessoa para ser feliz deveria ser virtuosa, cem por cento virtuosa, não numa espécie meio termo, mas totalmente. Afirmava que não devemos ser virtuosos para o outro, mas sermos virtuosos porque assim deve ser e pronto!
A virtude vem da prática.  Ou seja, da ação humana. Não adianta refletir sobre a boa ação sem obrar, sem fazer de acordo com essa reflexão. Após decidir a pessoa vai e faz. Não levará em consideração seus sentimentos, mas a razão. É quase um super-homem da virtude. A pessoa não dominada por sentimentos é dona de si mesma e fará sempre o certo. Se levar em consideração as paixões, sua racionalidade ficará perturbada, então, errará suas decisões.



O sábio é um homem espiritualmente muito forte. Ele sabe que o bem mais elevado é a virtude.
A virtude é a razão e o conhecimento.  É uma disposição firme e imutável. O homem passa a ser senhor de si mesmo vivendo de acordo com as leis naturais. É uma aceitação voluntária.



O destino existe. Um destino determinado pelas leis da natureza. Não há como lutar contra. Melhor é usar a razão e agir de acordo com as leis naturais. O sentimento quer sair dos “trilhos”, a razão deve ignorá-los totalmente. Fazer o bem é seguir a razão. A virtude não está nas emoções. O homem deve ser senhor de si mesmo, dominar o que seu coração diz. O coração erra muito, não tem regras, deseja muito e sempre quer coisas diferentes. Só não estamos dominados quando estamos agindo de forma bem consciente, não dominado pelos sentimentos irracionais. O sábio é superior a dor física ou sentimental.


A felicidade vem da paz interior. O bem-estar está dentro da pessoa; nunca no corpo ou nos prazeres. O sábio se mantém imperturbável.


Sem se perturbar com as paixões o sábio é feliz na sua imperturbabilidade. Nenhuma emoção é vantajosa. O sábio busca a apatheia. Ou seja, embora continuando uma pessoa sensível ao mundo, tem o poder de escolher o que é racional.  Outro termo interessante é a ataraxia, ou seja, o homem só é feliz quando está tranquilo. Para se obter a ataraxia é necessário autocontrole e a austeridade.
A ataraxia é um termo ligado às correntes filosóficas gregas do Ceticismo e do Epicurismo. Vem do grego ataraktos, imperturbado. 
A apatheia: acordo a filosofia estóica, é o estado mental atingido quando uma pessoa é livre de perturbações emocionais. Pode ser entendida como a equanimidade ou indiferença.

São três as virtudes estoicas:
- A inteligência: conhecimento do bem e do mal.
- A coragem: o conhecimento do que temer e do que não temer.
- A justiça: o conhecimento que nos permite dar a cada um o que é devido.

" Segundo o estoicismo, há uma oposição radical entre o que depende de nós e pode ser bom ou mau, porque o objeto de nossa decisão, e o que não depende de nós, mas de causas exteriores, do destino, e é indiferente. Isto significa que:

·                É na conformação ao destino que está nossa liberdade e onde se pode exercer a escolha moral;
·                Na vontade de fazer o bem é que se encontra a nossa liberdade, a independência, a invulnerabilidade, o valor eminentemente estóico, a coerência consigo mesmo;
·                Não há diferença entre viver segundo a razão e segundo o destino, pois a mesma coisa não pode ser universal e constantemente agradar senão o que é moralmente direito. "

A frase de Epíteto "não deseja que o que acontece aconteça como queres, mas queiras que o que acontece aconteça como acontece e serás feliz."

Esta frase:

Não quer dizer que há um conformismo indiferente, uma vez que tudo é determinado pelo destino;
- Ela quer dizer que há uma indiferença que consiste em não fazer diferença, mas em querer, em amar mesmo, de modo igual, tudo o que é determinado pelo destino;

Não quer dizer que o estóico é indiferente porque não se pode saber se uma coisa é boa ou má;
Não quer dizer que há aí uma moral da indiferença.” (http://www.brasilescola.com/filosofia/os-estoicos.htm)



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