Follow by Email

domingo, 22 de maio de 2016

A virtú e a fortuna na política brasileira.
Prof. Amilcar Bernardi


É muito comum governos que estão fragilizados economicamente e/ou politicamente, aventurarem-se em guerras com outras nações para unificarem seu povo em outro foco. A história é farta destes exemplos. Essa união tenderia a favorecer estes governos, uma espécie de “pausa” na reflexão econômica e política quando fracassadas. Uma pausa motivada pela exacerbação de um nacionalismo mítico. Geralmente não dá certo.

Unir o povo em sentido contrário aos problemas nacionais, portanto, é uma prática antiga e também atual. Maquiavel alertava que o povo pode ser conduzido, mas por pessoas especiais, os príncipes de
virtú.  Virtú é a capacidade que o condutor do Estado teria em controlar os acontecimentos através de estratégias. Entretanto, a história é imprevisível e a fortuna comanda metade da nossa vida. Entendamos aqui fortuna não como dinheiro, claro; mas como sorte, boa ou má sorte. Portanto, quem se lança no mar da política pode até contar com muitos conhecimentos e tecnologias, mas com certeza, não poderá controlar a vontade do mar.

O PT nestes anos de governo não conseguiu unir as esquerdas, nem dentro da sua própria sigla. Não teve a virtú necessária. A oposição cresceu e aventurou-se a disputar o poder. Aproveitou o cenário econômico desfavorável, a mídia tendenciosa e emplacou o impeachment. Mas, a fortuna é o lado da história que não é controlável. Temer uniu as esquerdas melhor do que o PT sonhou fazer. Efeito colateral que ele (Temer e aliados) não previu. Não teve sabedoria para tal.

Não foi preciso criar uma guerra externa nem nenhum factoide maluco para unir as pessoas numa luta. A direita fez isso. Maquiavel já afirmava: “Mas a ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela. ”

O mal da ambição do PSDB, PMDB e associados é a união das esquerdas. Resta saber se a maré que está a favor delas manter-se-á por muito tempo. Terão as esquerdas virtú? Ou fracassarão?

Que soprem os ventos nestes mares tumultuados da política brasileira!

Sobre Zubis e estóicos...


Prof. Amilcar Bernardi



Zumbis podem ser felizes?


Vamos imaginar o seguinte: em um laboratório escondido um cientista maluco, querendo eliminar a dor, criou um vírus que, após infectar a pessoa, a tornaria imune ao sofrimento físico. O cientista dessa forma acreditava que as pessoas ficariam livres dos males físicos. Principalmente aquelas que sofriam de doenças terríveis! Seria um bem para a humanidade. Mas algo deu errado e, na ilha secreta onde acontecia os experimentos, o vírus se espalhou e dominou todas as pessoas! Aconteceu o inesperado, ao infectarem-se as pessoas não perderam só a dor, mas desapareceu delas o desejo, o querer... como diriam os gregos antigos, desapareceram as paixões, todas!
O cientista percebeu que a comunidade não brigava mais. Havia calma na ilha. A competição desapareceu. Não havia mais amor, mas o ódio também não. As relações tornaram-se tranquilas. As pessoas agiam de forma mais calculada e eram propensas a cooperação. Dizem até que os casamentos eram agora por interesse, mas não havia revolta nenhuma, apenas cálculo. Era uma paz maravilhosa e... estranha. As pessoas eram zumbis sem tristeza, sem brigas, tudo era negociado para que não houvesse desarmonia. Há quem diga que se tornaram, portanto, felizes e não queriam a cura. Há outros que dizem que foi uma maldição estranha e que ninguém mais vai até a ilha. O que tu achas? Vamos falar agora dos Estoicos, eles se dariam bem nessa ilha.

Estóicos

Um verdadeiro sábio, segundo o estoicismo, não deveria sofrer de emoções externas, pois estas influenciariam em suas decisões e raciocínios.

Como Aristóteles estes pensadores também queriam a felicidade. Mas não aceitavam o meio termo aristotélico. Entretanto, não discordavam que a felicidade viria da razão. Para os estoicos a pessoa para ser feliz deveria ser virtuosa, cem por cento virtuosa, não numa espécie meio termo, mas totalmente. Afirmava que não devemos ser virtuosos para o outro, mas sermos virtuosos porque assim deve ser e pronto!
A virtude vem da prática.  Ou seja, da ação humana. Não adianta refletir sobre a boa ação sem obrar, sem fazer de acordo com essa reflexão. Após decidir a pessoa vai e faz. Não levará em consideração seus sentimentos, mas a razão. É quase um super-homem da virtude. A pessoa não dominada por sentimentos é dona de si mesma e fará sempre o certo. Se levar em consideração as paixões, sua racionalidade ficará perturbada, então, errará suas decisões.



O sábio é um homem espiritualmente muito forte. Ele sabe que o bem mais elevado é a virtude.
A virtude é a razão e o conhecimento.  É uma disposição firme e imutável. O homem passa a ser senhor de si mesmo vivendo de acordo com as leis naturais. É uma aceitação voluntária.



O destino existe. Um destino determinado pelas leis da natureza. Não há como lutar contra. Melhor é usar a razão e agir de acordo com as leis naturais. O sentimento quer sair dos “trilhos”, a razão deve ignorá-los totalmente. Fazer o bem é seguir a razão. A virtude não está nas emoções. O homem deve ser senhor de si mesmo, dominar o que seu coração diz. O coração erra muito, não tem regras, deseja muito e sempre quer coisas diferentes. Só não estamos dominados quando estamos agindo de forma bem consciente, não dominado pelos sentimentos irracionais. O sábio é superior a dor física ou sentimental.


A felicidade vem da paz interior. O bem-estar está dentro da pessoa; nunca no corpo ou nos prazeres. O sábio se mantém imperturbável.


Sem se perturbar com as paixões o sábio é feliz na sua imperturbabilidade. Nenhuma emoção é vantajosa. O sábio busca a apatheia. Ou seja, embora continuando uma pessoa sensível ao mundo, tem o poder de escolher o que é racional.  Outro termo interessante é a ataraxia, ou seja, o homem só é feliz quando está tranquilo. Para se obter a ataraxia é necessário autocontrole e a austeridade.
A ataraxia é um termo ligado às correntes filosóficas gregas do Ceticismo e do Epicurismo. Vem do grego ataraktos, imperturbado. 
A apatheia: acordo a filosofia estóica, é o estado mental atingido quando uma pessoa é livre de perturbações emocionais. Pode ser entendida como a equanimidade ou indiferença.

São três as virtudes estoicas:
- A inteligência: conhecimento do bem e do mal.
- A coragem: o conhecimento do que temer e do que não temer.
- A justiça: o conhecimento que nos permite dar a cada um o que é devido.

" Segundo o estoicismo, há uma oposição radical entre o que depende de nós e pode ser bom ou mau, porque o objeto de nossa decisão, e o que não depende de nós, mas de causas exteriores, do destino, e é indiferente. Isto significa que:

·                É na conformação ao destino que está nossa liberdade e onde se pode exercer a escolha moral;
·                Na vontade de fazer o bem é que se encontra a nossa liberdade, a independência, a invulnerabilidade, o valor eminentemente estóico, a coerência consigo mesmo;
·                Não há diferença entre viver segundo a razão e segundo o destino, pois a mesma coisa não pode ser universal e constantemente agradar senão o que é moralmente direito. "

A frase de Epíteto "não deseja que o que acontece aconteça como queres, mas queiras que o que acontece aconteça como acontece e serás feliz."

Esta frase:

Não quer dizer que há um conformismo indiferente, uma vez que tudo é determinado pelo destino;
- Ela quer dizer que há uma indiferença que consiste em não fazer diferença, mas em querer, em amar mesmo, de modo igual, tudo o que é determinado pelo destino;

Não quer dizer que o estóico é indiferente porque não se pode saber se uma coisa é boa ou má;
Não quer dizer que há aí uma moral da indiferença.” (http://www.brasilescola.com/filosofia/os-estoicos.htm)



Elementos conceituais de liberdade



A liberdade



Em um primeiro momento parece que temos a certeza da ausência da  liberdade. Pensamos a liberdade não porque a sentimos, mas porque temos falta dela. Sempre foi assim. Ela parece ser uma utopia, algo como um horizonte que nos faz viajar para o futuro. Mesmo que não conheçamos a verdade da liberdade, ela é a esperança que nos faz lutar por um amanhã melhor (e já que estamos falando em liberdade, cada um é livre para definir o que é um amanhã melhor).
Para Jean-Paul Sartre, a liberdade é o próprio fundamento do ser do homem. Ela está na raiz de seu comportamento, porque sempre temos que escolher. Nesse sentido o homem é essencialmente livre, não pode abdicar da liberdade. Para Sartre, o homem está condenado a ser livre. Segundo esse autor, somos totalmente livres.  Isso porque não posso escolher mais ou menos entre duas ou mais coisas.  Mas não escolhemos livremente sem consultarmos nosso contexto de vida. Primeiro aceito quem sou e após livremente escolho fazer o que quiser de mim. É uma liberdade vivida: sujeita-se às condições do nosso dia a dia.  A possibilidade de liberdade é construída a cada momento: na aceitação das determinações das quais não se pode fugir e na luta contra as determinações que podem ser superadas.

Sozinho é possível ser livre. Em sociedade também é?

Numa ilha é fácil. Quero ver numa metrópole. Sem ninguém por perto faço o que quero. Mas quando estou com outras pessoas, estou limitado no meu agir.  Segundo Aristóteles o homem é um animal social. Com isso podemos deduzir que sozinhos nem homens seríamos! Portanto, a questão da liberdade solitária é impossível. Forçosamente para sermos gente temos que compartilhar a vida, os espaços, os sonhos, as alegrias....  Sem pessoas sou escravizado pela solidão.
Portanto, é na prática que se constrói a liberdade, a partir dos desafios que os problemas do nosso existir apresentam. Sermos livres significa termos imaginação criadora e a capacidade de invenção. Para conviver é preciso criar a liberdade possível. A liberdade é transformadora das relações entre pessoas e entre pessoas e a natureza. Nada está pronto.

Se abandonarmos a ideia de liberdade, teremos de abandonar a ética, a moral, o direito, a cultura e tudo o mais que deriva de atitudes humanas propriamente ditas; a ética e o direito seriam imediatamente abolidos, e ninguém poderia ser culpado por suas ações.
Texto de Ricardo Timm de Souza. Revista Mundo Jovem. junho 2004. Edição número 347


Liberdade ética

                    Podemos falar em liberdade no sentido ético, quando nos referimos ao sujeito moral consciente, capaz de decidir com autonomia a respeito de como deve se conduzir em relação a si mesmo e aos outros. Kant dizia que a liberdade consiste na obediência às leis que o próprio sujeito moral se impõe.
Ser autônomo é uma situação de muita exigência, é um desafio que muitas pessoas não conseguem suportar. Os riscos de enganos, a intranquilidade, a angústia da decisão e a responsabilidade que o ato livre acarreta, fazem com que a liberdade seja considerada um pesado encargo. Por isso há tantos que a ela renunciam, para se acomodarem na segurança das verdades dadas.
Abandonar-se aos desejos parece ser uma coisa bem fácil. Entretanto, seria algo terrível. Para sermos instintuais teríamos que nos despir de toda a moral, de toda nossa vivência social. Não valoraríamos mais nada além da satisfação dos nossos ímpetos impensados. Dá para imaginar como seria impossível viver num mundo assim. Podemos então perceber que valorizar alguns comportamentos e limitar outros é uma tarefa difícil, humana e dolorosa. Não podemos ser totalmente livres... seríamos escravos dos nossos desejos. Mal negócio, não? Que a ética seja bem-vinda!

Instinto é uma energia da mente que expressa as necessidades do corpo e de tudo que valoriza a vida corporal. São eles que nos fazem reagir e agir quando levamos um susto, por exemplo. Claro que no nosso dia a dia não é bem assim. Posso lá no fundo de mim estar com muita vontade de fazer algo, mas minha formação cultural e moral vão filtrar se vou ou não realizar o que quero e se for possível realizar, como vou fazê-lo.



Livre Arbítrio - Santo Agostinho


Adaptado do site http://www.significados.com.br/livre-arbitrio/ Acesso em 08/03/2014)


Muitas vezes a expressão livre arbítrio, tem o mesmo significado que a expressão liberdade. No entanto, Santo Agostinho diferenciou claramente esses dois conceitos. O livre arbítrio é a possibilidade de escolher entre o bem e o mal; enquanto que a liberdade é o bom uso do livre arbítrio. Isso significa que nem sempre o homem é livre quando põe em uso o livre arbítrio, depende sempre de como usa essa característica. Assim, o livre arbítrio está mais relacionado com a escolha que a pessoa faz. O livre arbítrio é uma faculdade. 

Epicuro! II


Epicuro!