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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Ilogicismos, má fé e incongruências


 Prof. Amilcar Bernardi


Minha liberdade esta cerceada como nunca antes. Meus iguais me limitam, não os órgãos oficiais. Quanto a estes, nunca tivemos tanta liberdade!
Percebo que opinar é por demais perigoso. Ficar “em cima do muro” está cada vez mais vantajoso. Esconder-se na toca do silêncio é melhor que expor-se. Porque digo isso? O fenômeno que está atingindo as pessoas que opinam é por demais perverso. Miríades de pessoas que mal sabem escrever avassalam as redes sociais em manadas, ofendendo a tudo e a todos. Impropérios e palavrões abundam.
Com tacapes verbais toscos e mal feitos, agridem a fim de atingir de morte alguém. Ignorantes da língua portuguesa, com seus erros gramaticais aliados a ignorância da polidez e da política, saem por aí à caça de ideias diferentes das suas. Ilogicismos, incongruências e má fé são lançados para atingir pessoas inocentes, cujo “crime” é apenas pensar, pensar diferente dos agressores.
Não me sinto livre nesse país democrático. A ignorância despótica de um grande grupo está calando muita gente. Não me sinto livre porque posso ser agredido com palavrões mal escritos a qualquer momento. Essas pessoas agressivas e antissociais com seus erros ortográficos blasfemam contra a língua pátria e contra as pessoas que querem expressar-se. Não, não me sinto livre.
A liberdade está sendo agredida e pouco podemos fazer, pois é a própria população que está limitando-se. A estultice está cerceando o pensar alheio. Já não há palavras, são dardos envenenados. Já não há discussões sofísticas de alta qualidade intelectual, há sim, petardos burros e nada loquazes que derrubam oponentes pela grosseria.
Retornamos ao período da pedra lascada verbal. Palavras mal acabadas como péssimas ferramentas. Palavras-pedras grotescas cujo o uso é apenas para macerar, destroçar, caçar, agredir.

Pois é, não sinto-me livre.

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