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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Lógica Aristotélica

A lógica formal clássica estuda os processos intelectuais que são a condição do conhecimento verdadeiro. Esse conhecimento verdadeiro não é o mesmo que dizer que algo existe ou não. Por exemplo, a linguagem matemática é verdadeira, mas não existe! Inclusive muitos lógicos atuais gostariam de ver as coisas serem expressas através da linguagem da matemática. Quanto mais rigorosa for mais adequada ao pensamento científico.
A filosofia precisa da lógica para ser filosofia.
Aristóteles sabia que é mais improdutivo discutir quanto maior for o grau de inexatidão. É importante no momento criativo deixarmos a mente solta, vagando. Mas no momento em que vamos expressar o pensamento é importantíssimo atentarmos para a concatenação de argumentos que nos levou a tal ou qual conclusão. É esse encadeamento demonstrável que dará a credibilidade ao que vamos expressar. Qualquer conclusão a que chegarmos será “julgada” pela coerência na concatenação dos elementos intelectuais que formaram tal conclusão.
Todo o argumento precisa conter um juízo.  
O juízo é que estabelece uma relação determinada entre dois ou mais termos (sujeito e predicado). Quando afirmo que o professor ensina, estou relacionando o termo (conceito) professor e o termo (outro conceito) ensinar. Podemos tornar isso mais complexo ao fazermos duas afirmações: 
O (todo) professor ensina. O Amilcar é professor. Logo, posso inferir que o Amilcar ensina. A inferência aconteceu quando passei das premissas a uma conclusão permitidas por elas.
Aristóteles dizia que o raciocino é válido, formalmente, quando seguimos corretamente as regras da lógica.  As regras se materializam através dos silogismos. O silogismo é o encadeamento de duas premissas. A premissa é cada uma das proposições de um silogismo que serve de base à conclusão.


Todo o pensamento deverá ser submetido a três regras básicas:
a)             Princípio da identidade. A é A. Um ser é igual a ele mesmo sempre.
b)            Princípio da não-contradição. Ou é ou não é. Sob o mesmo ponto de vista algo não pode ser e não ser.
c)             Princípio do terceiro excluído:   
     A é X – uma possibilidade
                A não é X – segunda e última possibilidade.   Exclui-se uma terceira.

Pensando dessa forma, Aristóteles criou uma nova ciência: a lógica. A inteligência grega clássica era indisciplinada e caótica (talvez hoje seja pior!) até que as fórmulas aristotélicas proporcionaram um método rápido para o teste e a correção do pensamento. A lógica significa a arte e o método do pensamento correto. É uma ciência porque, numa proporção muitíssimo elevada, os processos de pensamento correto podem ser reduzidos a regras como a física e a geometria, e ensinados a qualquer inteligência anormal; é uma arte, porque pela prática, dá ao pensamento aquela precisão inconsciente e imediata que guia os dedos do pianista.
Antes de falarmos: definamos os temos! Quanta discussão reduzida a nada! 

Outra questão importante é os universais. Um universal para Aristóteles é qualquer substantivo comum (o que denota os seres de uma espécie em sua totalidade), qualquer nome capaz de uma aplicação universal; assim, animal, homem, livro, árvore são universais. Mas esses universais são idéias subjetivas, não tangíveis. Tudo que existe fora de nós é um mundo de objetos individuais e específicos, não de coisas genéricas e universais. Ora, o homem universal não existe, exceto em pensamento, é uma abstração mental prática.
Uma contribuição admirável de Aristóteles é a doutrina do silogismo. Um silogismo é um trio de proposições das quais a terceira (a conclusão) segue-se da verdade admitida das outras duas.

Silogismo: Dedução formal tal que, postas duas proposições, chamadas premissas, delas, por inferência, se tira uma terceira, chamada conclusão.
Premissas: Cada uma das proposições de um silogismo que serve de base à conclusão.

Parece, porem, que o silogismo não é tanto um mecanismo para a descoberta da verdade quanto para a clareza de exposição e de pensamento.
Mas é importante lembrarmos que Aristóteles dizia que há um limite para o alcance da inteligência. Somente o ser dos dados sensíveis é conhecido como objeto próprio e adequado da inteligência. Aquilo que vem à nossa cabeça, a idéia alcançada pelos sentidos, é construída por semelhança, por analogia. As idéias não são atingidas diretamente.

Aristóteles utiliza as quatro formas lógicas:


TODO O X É Y.
NENHUM X É Y.
ALGUM X É Y.
ALGUM X NÃO É Y.






terça-feira, 21 de outubro de 2014

Ciência Política



Ciência política

Os dois primeiros grandes sistematizadores do pensamento político, Platão e Aristóteles, entendiam a política referente ao estudo da polis, suas estruturas, instituições, constituição. É de Aristóteles a ideia de que a política é a ciência “maior”, ou a mais importante do seu tempo, preocupado com um governo capaz de garantir o bem-estar geral (o bom governo) da sociedade.
            Contudo, foi só no Renascimento que a política começou a adquirir, de fato, contornos de uma ciência. A ciência política moderna é uma disciplina relativamente nova, da qual alguns autores datam seu surgimento (ao menos no que concerne a ciência política moderna) no século XVI, com Nicolau Maquiavel.
           Foi Maquiavel quem, na modernidade, se tornou um dos principais responsáveis por dar à política uma certa autonomia, procurando estudar e conhecer a verdade efetiva dos fatos, adotando um referencial mais compatível com as exigências atuais que os de Aristóteles, sendo considerado, por isso, como o pai da ciência política.

Política: É a ciência e arte que trata da formação, direção e ordem das funções do Estado e do disciplinamento das suas relações internas com o grupo social e externas com os outros Estados.  Dicionário Jurídico. Ivan Horcádio.


Além da atividade política, essa ciência social cuida de desenvolver as teorias do Estado. O Estado é o ponto máximo da organização social.
A ciência política moderna surge a partir do século XIX, na altura em que as revoluções liberais e o desenvolvimento industrial propiciaram grandes mudanças sociais, as quais foram analisadas por vários pensadores.


Política e Filosofia nasceram na mesma época. Por serem contemporâneas, diz-se que a Filosofia é filha da polis e muitos dos primeiros filósofos (os chamados pré-socráticos) foram chefes políticos e legisladores de suas cidades. Por sua origem, a Filosofia não cessou de refletir sobre o fenômeno político, elaborando teorias para explicar sua origem, sua finalidade e suas formas.  Chauí, Marilena. Convite à Filosofia).

Quanto a ciência política, seu raio de ação é menor que o da Filosofia.  A Ciência Política precisa de dados estatísticos e documentais, há uma expectativa de resultados e métodos que desejam ser objetivos. Há uma orientação específica dos estudos para os fenômenos sociais políticos utilizando-se de metodologia das ciências empíricas.
Não fácil falar sobre o que é ciência.  Mais complexo ainda é falarmos sobre Ciência Política. Isso porque tenta uma aproximação, como já foi dito, da metodologia das ciências empíricas com a tentativa de explicar pessoas, em gerações e lugares diferentes, instituições e ideias do passado, presente e futuro.  Daí resulta a dificuldade em delimitar os limites da Ciência política.  Está ligada a questões de filosofia, sociologia e direito.


Na modernidade...
No final da Idade Média, a burguesia havia acumulado capital. Eram, os burgueses, ricos e influentes, entretanto, não atinha acesso pleno a política, ou seja, pouco influía nas decisões nacionais. O absolutismo havia cumprido uma árdua missão, unificado os estados e derem uma relativa estabilidade legal. A moeda logo pode circular com segurança ente os territórios. Após cumprir esse papel, o absolutismo passou a ser um empecilho. Que venha a democracia!
O problema é a propriedade e a mercantilização da visão de mundo e a defesa da igualdade e da liberdade. A desigualdade social cresce assustadoramente.
Na área cultural e científica, tivemos o Renascimento. Ele aconteceu na passagem da Idade Média para a Moderna. Em alguns aspectos não se afastava muito do pensar medieval, veja que por exemplo, inúmeros pensadores continuavam tendo fé em Deus. Afinal, a razão, a inteligência e o dom da arte eram frutos de Deus.
O humanismo tinha como característica a reprodução de situações do cotidiano e na rigorosa reprodução dos traços e formas humanas (naturalismo). Esse aspecto humanista inspirava-se em outro ponto-chave do Renascimento: o elogio às concepções artísticas da Antiguidade Clássica ou Classicismo. Por isso, havia clamores hedonistas e um individualismo forte. O renascimento entregou o mundo ao trabalho e responsabilidades humanas.

O hedonismo renascentista, por sua vez, consistia na valorização do corpo, dos prazeres terrenos e espirituais, no culto do belo e da perfeição. (...) O naturalismo pode ser definido como o interesse dos artistas em retratar, os homens e os animais, o cuidado rigoroso em mostrar a natureza como de fato ela é. A valorização do retrato fiel estimulou o estudo da anatomia humana, das plantas e dos animais, a fim de transportar para a arte o conhecimento obtido na investigação científica. O racionalismo consistia na busca da verdade por meio da investigação e da experiência e não mais com base em princípios religiosos e explicações sem fundamento científico. Braick, Patrícia Ramos. História das cavernas ao terceiro milênio: das origens da Humanidade à reforma Religiosa na Europa.

Revolução Industrial
A Revolução industrial foi um conjunto de mudanças que aconteceram na Europa nos séculos XVIII e XIX. A principal particularidade dessa revolução foi a substituição do trabalho artesanal pelo assalariado e com o uso das máquinas. Com isso imensos contingentes de pessoas saia do campo e ia para as cidades. Antes, no campo, produziam para seu consumo, depois, nas cidades, produziam nas fábricas.
Não foi uma coincidência que a Inglaterra tanto se sobressaiu na Europa em relação a industrialização. Nesse período, a Inglaterra já havia produzido uma rica burguesia. A questão geográfica era vantajosa, pois estava junto ao mar.



O ludismo foi um movimento social ocorrido na Inglaterra entre os anos de 1811 e 1812. Contrários aos avanços tecnológicos ocorridos na Revolução Industrial, os ludistas protestavam contra a substituição da mão-de-obra humana por máquinas. O nome do movimento deriva de um dos seus líderes, Ned Ludd. Com a participação de operários das fábricas, os "quebradores de máquinas", como eram chamados os ludistas, fizeram protestos e revoltas radicais. Invadiram diversas fábricas e quebraram máquinas e outros equipamentos que consideram os responsáveis pelo desemprego e as péssimas condições de trabalho no período.


Em nome da produção marcada pelas máquinas o trabalhador
perdeu o conhecimento de todo a técnica de fabricação passando a executar apenas uma etapa.

Com isso os artesãos não resistiram a concorrência e “quebraram”

Adam Smith (pensador escocês) escreveu em 1776 o livro “A Riqueza das Nações”, nessa obra (que é considerada a obra fundadora da ciência econômica), Smith afirma que o individualismo é bom para toda a sociedade. Para ele, o Estado deveria interferir o mínimo possível na economia. Adam Smith também considerava que as atividades que envolvem o trabalho humano são importantes e que a indústria amplia a divisão do trabalho aumentando a produtividade, ou seja, cada um deve se especializar em uma só tarefa para que o trabalho renda mais.

Thomas Malthus foi um economista inglês que afirmava que o crescimento da população era culpa dos pobres que tinham muitos filhos e não tinham como alimentá-los. Para ele, as catástrofes naturais e as causadas pelos homens tinham o papel de reduzir a população, equilibrando, assim, a quantidade de pessoas e a de comida. Além disso, Malthus criticava a distribuição de renda. O seu raciocínio era muito simples: os responsáveis pelo desenvolvimento cultural eram os ricos e cobrar impostos deles para ajudar os pobres era errado, afinal de contas era a classe rica que patrocinava a cultura.


A robotização do trabalhador foi também um aspecto gerado pela Revolução industrial. O operário especializou-se em servir uma máquina, transformado-se em autômato destinado a desempenhar atividades cotidianas, cansativas e monótonas. E um autômato mais vulnerável aos acidentes de trabalho devido à própria monotonia de suas atividades. (Braick, Patrícia Ramos. História das Cavernas ao terceiro milênio. Editora Moderna).

Os valores feudais desapareceram.  Os lucros motivaram a tecnologia, que motivou mais trabalho e mais urbanização desenfreada. Os valores capitalistas se sobressaram e se consolidaram. As ferramentas agora tinham novos donos e os trabalhadores só tinham seu trabalho. O trabalho, ou a capacidade de trabalho, virou mercadoria.

As Trade-Unions são predecessoras dos sindicatos, forma de organização dos trabalhadores com um considerável nível de organização, o século XIX foi um período muito fértil na produção de ideias antiliberais que serviram à luta da classe operária, seja para obtenção de conquistas na relação com o capitalismo, seja na organização do movimento revolucionário cuja meta era construir o socialismo objetivando o comunismo. O mais eficiente e principal instrumento de luta das trade-unions era a greve.


Do ponto de vista econômico, a Revolução Industrial foi sobretudo a passagem de um sistema de produção marcadamente agrário e artesanal para outro de cunho industrial, dominado pela fábrica e pela maquinaria. Uma de suas características básicas foram as sucessivas inovações tecnológicas verificadas nesse período (...).  Pazzinato, Alceu L. História Moderna e Contemporânea. Editora Ática
  

Montesquieu (1689 – 1755)
Montesquieu formulou os princípios básicos para que governos tirânicos fossem evitados. Ele afirmava que o despotismo era a maior ameaça individual à liberdade dos cidadãos. O risco do despotismo só seria limitado por uma constituição capaz de prevenir tal destino. Para isso, defendeu a separação da máquina política em três poderes:
Executivo: ficaria responsável pela administração pública de uma nação, geralmente exercido por um rei (Monarquia) ou chefe de Estado (República);
Legislativo: ficaria responsável pelos projetos de leis e representaria a Câmara dos Parlamentares;
Judiciário: ficaria responsável pelo órgão jurídico e pelo cumprimento das leis dos cidadãos e dos outros dois poderes, exercidos pelos juízes e magistrados.
Sua teoria teve grande impacto no iluminismo europeu e serviu de molde para a organização do sistema político das nações modernas.
Havendo a separação dos poderes, o governante não poderá exacerbar do seu poder. Assim, será possível a liberdade política. Os espíritos poderão ficar tranquilos, pois estarão a salvo sem temerem o governo do momento. Estarão a salvo porque confiam no ordenamento jurídico respeitado pelos poderes estabelecidos. Tal segurança não será possível no caso da união dos poderes em nome de um só titular. Essa união é sinônimo de ausência de liberdade e temor.

Daqui passa Montesquieu a explicar como se extingue ou desaparece a liberdade nas hipóteses que ele configura de união dos poderes num só titular. Quando uma única pessoa, singular ou coletiva, detém o poder legislativo e o poder executivo, já deixou de haver liberdade, porquanto persiste, segundo Montesquieu, o temor da elaboração de leis tirânicas, sujeitas a uma não menos tirânica aplicação. Bonavides, Paulo. Ciência Política. Malheiros editores.

Dessa forma, sabendo da luta de forças entre os poderes constituídos, coloca Montesquieu uma espécie de sistema de pesos e contrapesos. Essa separação garantiria que nenhuma das instituições administrativas pudesse assumir todo o poder, já que cada uma delas conseguiria restringir qualquer abuso de poder das outras. Quando nossa presidente Dilma veta uma lei, ela não está criando nova lei, apenas impede um movimento do legislativo.

As obrigações administrativas do governo devem ser separadas em três poderes....

... o poder executivo, responsável por fazer cumprir as leis do Estado
... o poder legislativo responsável por aprovar e alterar as leis do Estado.
... o poder judiciário responsável por interpretar as leis do Estado.
Como todos esses podres são separados e independentes uns dos outros, a influência de cada poder não pode exceder a dos outros dois.
Vários autores. O livro da Política.  Editora Globo

Revolução francesa (14/07/1789)

A situação da França no século XVIII era de extrema injustiça social na época do Antigo Regime. O Terceiro Estado era formado pelos trabalhadores urbanos, camponeses e a pequena burguesia comercial. Os impostos eram pagos somente por este segmento social com o objetivo de manter os luxos da nobreza.

A França era um país absolutista nesta época. O rei governava com poderes absolutos, controlando a economia, a justiça, a política e até mesmo a religião dos súditos. Os oposicionistas eram presos na Bastilha (prisão política da monarquia) ou condenados à morte.
A sociedade francesa do século XVIII era estratificada e hierarquizada. No topo da pirâmide social, estava o clero que também tinha o privilégio de não pagar impostos. Abaixo do clero, estava a nobreza formada pelo rei, sua família, condes, duques, marqueses e outros nobres que viviam de banquetes e muito luxo na corte. A base da sociedade era formada pelo terceiro estado (trabalhadores, camponeses e burguesia).



De maneira geral a vida dos trabalhadores e camponeses era muito difícil. A miséria era a regra. A burguesia estava bem melhor situada, entretanto, queria uma participação política maior e com maior liberdade econômica.
O povo revoltou-se derrubando a Bastilha, que significava toda a repressão daquele momento histórico. Simbolicamente, caia nesse momento a monarquia francesa.
Nas ruas ouvia-se o lema dos revolucionários: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
No mês de agosto de 1789, a Assembleia Constituinte cancelou todos os direitos feudais que existiam e promulgou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Este importante documento trazia significativos avanços sociais, garantindo direitos iguais aos cidadãos, além de maior participação política para o povo.


Declaração de direitos do homem e do cidadão – 1789
Os representantes do povo francês, reunidos em Assembleia Nacional, tendo em vista que a ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos direitos do homem são as únicas causas dos males públicos e da corrupção dos Governos, resolveram declarar solenemente os direitos naturais, inalienáveis e sagrados do homem, a fim de que esta declaração, sempre presente em todos os membros do corpo social, lhes lembre permanentemente seus direitos e seus deveres; a fim de que os atos do Poder Legislativo e do Poder Executivo, podendo ser a qualquer momento comparados com a finalidade de toda a instituição política, sejam por isso mais respeitados; a fim de que as reivindicações dos cidadãos, doravante fundadas em princípios simples e incontestáveis, se dirijam sempre à conservação da Constituição e à felicidade geral.
Em razão disto, a Assembleia Nacional reconhece e declara, na presença e sob a égide do Ser Supremo, os seguintes direitos do homem e do cidadão:
Art.1º. Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade comum.
Art. 2º. A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. Esses direitos são a liberdade, a propriedade a segurança e a resistência à opressão.
Art. 3º. O princípio de toda a soberania reside, essencialmente, na nação. Nenhuma operação, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane expressamente.
Art. 4º. A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique o próximo. Assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites apenas podem ser determinados pela lei.
Art. 5º. A lei não proíbe senão as ações nocivas à sociedade. Tudo que não é vedado pela lei não pode ser obstado e ninguém pode ser constrangido a fazer o que ela não ordene.
Art. 6º. A lei é a expressão da vontade geral. Todos os cidadãos têm o direito de concorrer, pessoalmente ou através de mandatários, para a sua formação. Ela deve ser a mesma para todos, seja para proteger, seja para punir. Todos os cidadãos são iguais a seus olhos e igualmente admissíveis a todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo a sua capacidade e sem outra distinção que não seja a das suas virtudes e dos seus talentos.
Art. 7º. Ninguém pode ser acusado, preso ou detido senão nos casos determinados pela lei e de acordo com as formas por esta prescritas. Os que solicitam, expedem, executam ou mandam executar ordens arbitrárias devem ser punidos; mas qualquer cidadão convocado ou detido em virtude da lei deve obedecer imediatamente, caso contrário torna-se culpado de resistência.
Art. 8º. A lei apenas deve estabelecer penas estrita e evidentemente necessárias e ninguém pode ser punido senão por força de uma lei estabelecida e promulgada antes do delito e legalmente aplicada.
Art. 9º. Todo acusado é considerado inocente até ser declarado culpado e, se julgar indispensável prendê-lo, todo o rigor desnecessário à guarda da sua pessoa deverá ser severamente reprimido pela lei.
Art. 10º. Ninguém pode ser molestado por suas opiniões, incluindo opiniões religiosas, desde que sua manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida pela lei.
Art. 11º. A livre comunicação das ideias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem. Todo cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na lei.
Art. 12º. A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita de uma força pública. Esta força é, pois, instituída para fruição por todos, e não para utilidade particular daqueles a quem é confiada.
Art. 13º. Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração é indispensável uma contribuição comum que deve ser dividida entre os cidadãos de acordo com suas possibilidades.
Art. 14º. Todos os cidadãos têm direito de verificar, por si ou pelos seus representantes, da necessidade da contribuição pública, de consenti-la livremente, de observar o seu emprego e de lhe fixar a repartição, a coleta, a cobrança e a duração.
Art. 15º. A sociedade tem o direito de pedir contas a todo agente público pela sua administração.
Art. 16.º A sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida a separação dos poderes não tem Constituição.
Art. 17.º Como a propriedade é um direito inviolável e sagrado, ninguém dela pode ser privado, a não ser quando a necessidade pública legalmente comprovada o exigir e sob condição de justa e prévia indenização.
In Textos Básicos sobre Derechos Humanos. Madrid. Universidad Complutense, 1973, traduzido do espanhol por Marcus Cláudio Acqua Viva. APUD. FERREIRA Filho, Manoel G. et. alli. Liberdades Públicas São Paulo, Ed. Saraiva, 1978.

             Convém ter em mente que a burguesia ao chegar ao poder não estabeleceu a igualdade plena. Houve um ajuste na questão dos impostos, pois a desigualdade na distribuição de renda persistiu. As camadas mais baixas não tinham acesso às decisões políticas. Com a R.F os entraves econômicos foram superados ou enfraquecidos

A primeira constituição francesa (1791), estabelecia a monarquia constitucional, o poder Executivo (Rei) limitado pelo Poder Legislativo. Entretanto o voto era censitário. Assim assegurou-se a distinção da burguesia em detrimento do terceiro estado.

O liberalismo Clássico
O liberalismo Clássico é constituído por um conjunto de ideias éticas, políticas e econômicas da burguesia, em oposição à visão de mundo da nobreza feudal. À burguesia interessava separar o Estado e sociedade, entendendo por esta última o conjunto das atividades particulares dos indivíduos, sobretudo as de natureza econômica. Essa separação reduziria igualmente a interferência da esfera privada na esfera pública, já que o poder procurava outra fonte de legitimidade, diferente da tradição e das linhagens de nobreza.
Três aspectos do liberalismo
O liberalismo pode ser entendido sob três enfoques pelo menos: o político, o ético e o econômico.
- O liberalismo político surgiu como oposição ao absolutismo real. Enquanto no absolutismo o poder estava fundado no direito divino dos reis, na tradição e na herança, o liberalismo buscou a legitimidade do poder nas gerias contratualistas e no consentimento dos cidadãos. (...)
- O liberalismo ético supõe a prevalência do Estado de direito, que rejeita o arbítrio, as prisões sem culpa formada, a tortura e as penas cruéis. Estimula a tolerância para com as crenças religiosas, ao mesmo tempo que defende os direitos individuais, como a liberdade de pensamento, de expressão e de religião.
- O liberalismo econômico opôs-se. Inicialmente, à intervenção do rei nos negócios, exercida por meio de procedimentos típicos da economia mercantilista, com o a concessão de monopólios e privilégios. A economia liberal consolidou-se com o escocês Adam Smith (1723 – 1790) e o inglês David Ricardo (1722 – 1823), que defendiam a propriedade privada dos meios de produção e a economia de mercado baseada na livre iniciativa e competição.  Aranha, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia com textos: temas e história da Filosofia. Editora Moderna.



sábado, 4 de outubro de 2014

Origens da Sociologia

Origens da Sociologia

A questão das origens da Sociologia é muito importante. Importante porque iremos associá-la a uma tendência científica de ver as sociedades, as pessoas, os grupos sociais. Portanto, a Sociologia não é uma mera opinião sofisticada sobre a sociedade, mas sim, uma ciência social. 
Ela surgiu do ideal iluminista num contexto pós-revolução francesa. As cabeças estavam fervendo com o pensamento marcado pela liberdade, igualdade e fraternidade.  Para colocarmos a origem da sociologia no contexto histórico-econômico, ela surgia no contexto da modernidade, junto ao capitalismo, às fábricas, a urbanização desenfreada, o fortalecimento sem igual do apelo a racionalidade e a secularização. As tecnologias recém-descobertas apontavam para a ciência. Assim, era necessária uma ciência que abordasse os fenômenos sociais.
As cabeças dos intelectuais estavam embaladas pelo ideal do iluminismo. Isso proporcionava uma visão crítica do capitalismo desenfreado e da exploração das pessoas que saiam do campo e vinham gravitar em torno das fábricas. As doenças, a fome e a violência contrastavam com a opulência dos industriais e com o desenvolvimento intelectual vindo das ciências. Havia um clima popular de revolta. Surgiram os sindicatos, greves e até máquinas foram quebradas ou sabotadas; era o advento do ludismo.          
 A Revolução Científica, que ocorreu no século XVI, aconteceu quando houve a separação da ciência com a filosofia. Agora a ciência se tornava um conhecimento mais estruturado e prático. Surge o método científico de Francis Bacon, baseado na observação direta dos fenômenos, na experimentação e demonstração. Decerto, a Revolução Científica possibilitou que as teorias fossem cada vez mais aperfeiçoadas, fornecendo às pessoas uma compreensão melhor sobre o mundo. Então, esse sucesso nas explicações científicas acabou fazendo alguns pensadores da época se questionarem: Se a Ciência obtinha sucesso na explicação da natureza, poderia também explicar a sociedade?
Os pensadores procuraram entender como a sociedade estava estruturando sob esse novo jeito de viver na Europa. A grande questão no século XVII (e ainda hoje) era a seguinte: com tantas transformações, como manter unida e organizada a sociedade?
O termo Sociologia foi criado por Auguste Comte em 1838, que pretendia unificar a Psicologia, a Economia e a História, levando em consideração que todos esses assuntos giram em torno do homem e seu comportamento. Mas os fundamentos sociológicos só foram institucionalizados com Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber, pensadores renomados que se tornam base para nosso estudo.
Apesar dos grandes avanços da Sociologia não podemos dizer que ela quer ou pode explicar tudo o que acontece nas sociedades. O ser humano é muito complexo para ser conhecido em plenitude. Porém ela desenvolveu eficientes teorias e métodos, constituindo excelente instrumento de compreensão das situações com que os povos se defrontam na vida cotidiana, das suas múltiplas relações sociais e, consequentemente, de si mesmas como seres inevitavelmente sociais.

Renascença

Para que possamos entender o contexto que fez com que surgisse a Sociologia, vamos passear pela história da Europa. Primeiro, vamos observar a renascença. Esse termo refere-se ao período aproximado do século XIV ao XVII. Ou seja, é um período após a Idade Média. A transição do feudalismo para o capitalismo trouxe muitas rupturas na cultura medieval. Na filosofia (refletindo nas ciências e nas artes) há uma retomada das referências culturais da antiguidade clássica, que nortearam as mudanças deste período em direção a um ideal humanista e naturalista.  O humanismo renascentista foi outra ruptura cultural com a tradição medieval. Redescobriram-se os Diálogos de Platão, os textos históricos de Heródoto e Tucídides e as obras dos dramaturgos e poetas gregos. O estudo da literatura antiga, da história e da filosofia moral tinha por objetivo criar seres humanos livres e civilizados, pessoas de requinte e julgamento, cidadãos, mais que apenas sacerdotes e monges.
A razão, já tão enaltecida por Platão e Aristóteles, era considerada uma manifestação da mente humana, do seu espírito. Essa manifestação enaltecia a humanidade do homem. Isso não invalidava a fé medieval, pois essa razão era dada por Deus e podia nos aproximar (ou não) Dele. Quando o humano foi valorizado, houve maior espaço para o individualismo e para os ideais da burguesia.
Para nosso estudo do contexto do surgimento da Sociologia, temos que salientar que essa abertura do mundo natural ao mundo humano teve forte força revolucionária. Ao longo dos séculos posteriores ao Renascimento, os valores por ele empreendidos vigoraram ainda por diversos campos da arte, da cultura e da ciência. Graças a essa preocupação em revelar o mundo, o Renascimento suscitou valores e questões que ainda se fizeram presentes em outros movimentos concebidos ao logo da história ocidental.


Iluminismo


Ideal surgindo na França no Século XVII. Seguindo a onda do renascimento, o iluminismo defendia o domínio da razão. A visão teocêntrica da Idade Média estava cada vez mais fraca. A expressão iluminismo significava que as trevas medievais seriam iluminadas pela razão humana. Isso porque as crenças religiosas e místicas seriam superadas pelo pensamento racional. O homem é o centro. Os franceses embeberam-se nesses ideais, o que influenciou fortemente a Revolução Francesa.
O iluminismo influenciou também as mudanças políticas, econômicas e sociais. O ideal de liberdade, igualdade e fraternidade ecoava em todos os cantos, inclusive nos muros caídos da Bastilha. Pensadores e burgueses intelectualmente se aliaram. A pressão era tanta que alguns reis que eram absolutistas, passaram a aceitar algumas ideias iluministas; mais por medo do que por convicção. Eram os déspotas esclarecidos, expressão que denota uma contradição evidente; o esclarecimento não convive com o despotismo! Tentavam conciliar o jeito de governar absolutista com as ideias de progresso iluministas.
A questão da natureza do homem, se boa ou má, dominava a preocupação dos filósofos. Rousseau, por exemplo, o homem era naturalmente bom, porém, era corrompido pela sociedade com o passar do tempo. Essa questão se impunha, pois eram contra as imposições de caráter religioso. Também eram contra as práticas mercantilistas, contrários ao absolutismo do rei, além dos privilégios dados a nobreza e ao clero. 
A burguesia, que já havia na idade média se aliado ao rei, agora apoiavam o iluminismo. Os burgueses queriam mais poder agora nas questões políticas e econômicas, pois estavam enriquecidos e, apesar disso, sem poder algum. O rei ainda detinha todos os poderes. Também as práticas mercantilistas eram também forte empecilho aos burgueses, porque o governo interferia fortemente nas questões econômicas. 
Foi um movimento que tinha como foco o ideal de justiça e de igualdade entre os homens. Para fins didáticos identificamos o século XVIII como o marco do seu surgimento. Lembrando as características da Idade Média, os iluministas reagiam contra as injustiças e a dominação da Igreja (ou dominação religiosa). Questionavam as sociedades que afastavam os homens do seu estado natural, subjugando-os a um modo de vida que os violentava. Então, como justificar a existência do estado?
A razão é escolhida como a eficaz ferramenta para responder as questões sobre o mundo, sobre a política e sobre a felicidade humana. Somente a razão poderia satisfazer a necessidade humana de justiça, liberdade e a igualdade. Só a razão poderia dizer algo sobre a política, a economia e a natureza. Inclusive, para alguns, a razão provava a existência de Deus, não a religião imposta e dogmática. A visão iluminista era uma visão otimista, pois acreditava no progresso e na felicidade através da ciência e da razão.
O iluminismo foi um movimento de reação ao absolutismo europeu, que tinha como características as estruturas feudais, a influencia cultural da Igreja Católica, o monopólio comercial e a censura das ideias críticas.

Idade Moderna

A idade Moderna tem algo de semelhante ao nosso século XXI. O que seria? A sensação de mudanças muito rápidas. O tempo Moderno era também um tempo de transformações. Nos referimos ao período de 1453 até 1789. A Idade Moderna é um período de retomada de valores culturais e grande ampliação dos mesmos. É também a época do nascedouro do capitalismo, o que introduziu significativas mudanças na humanidade.      

Contexto deste período
- reaquecimento das atividades comerciais;
- as reflexões vidas do renascimento;
- enfrentamento de dogmas;
- abalo da hegemonia do catolicismo;
- surgimento das grandes navegações;
- “descobrimento” da América;
- aumento da população europeia, o crescimento das cidades e o desenvolvimento das manufaturas.
- fortalecimento da burguesia nas cidades;
- tecnologia: como a bússola, a pólvora, a prensa e a consequente produção de livros.
Nesse contexto a centralização do poder nas mãos dos Reis no início era interessante, mas com o passar do tempo tornou-se inviável.
No início da idade moderna a centralização política e administrativa trazia vantagens para a burguesia, uma vez que unificava impostos, leis, moedas, pesos, medidas e regras alfandegárias de cada país. Entretanto, o tempo mostrou que o absolutismo impedia a liberdade plena para comerciar e produzir que tanto necessitavam os burgueses.

O absolutismo

O Absolutismo caracterizou a História Moderna como o período dos grandes reis. Foi elemento constituinte dos Estados Nacionais Modernos que estabeleceram novos padrões políticos na humanidade com a unificação dos primeiros países. O Absolutismo concedia uma posição de grande importância social e política para os reis, que eram encarados também como representantes de Deus na Terra.

Os principais filósofos foram John Locke (1632-1704), Thomas Hobbes (1588 1679) e Jean-Jacques Rousseau (1712 -1778).

Maquiavel

Maquiavel (1469 – 1527) é autor de uma pequena obra, chamada O Príncipe.
Pensava ele que o saber político tem força descomunal fazendo com que a ação humana não seguisse um curso determinado (determinismo) pelo destino. Para Maquiavel, a fortuna (acontecimento fortuito; casualidade, acaso) proporciona chaves para o sucesso da ação política e constituía metade da vida que não pode ser governada pelo governante. O estadista sábio e prudente busca na história uma situação semelhante e exemplar, da qual saberia extrair o conhecimento dos meios para a ação e previsão dos efeitos. Para ser eficaz, a iniciativa política deve ajustar-se às circunstâncias. O necessário é manter-se à frente dos acontecimentos, procurando imprimir-lhes rumo e alternativas, dado que a fortuna é um rio impetuoso e os homens devem prevenir-se com a edificação de diques e barragens.
Para Maquiavel, o essencial numa nação é que os conflitos originados em seu interior sejam controlados e regulados pelo Estado. O povo é matéria que aguarda sua forma e a engenharia da ordem parte da análise da situação social, não resultando do arbítrio do fundador de Estados, mas de sua capacidade de captar, num momento de gênio, aquela forma desejável e de sua disposição para impô-la sem qualquer vacilação.
Os Príncipes precisam observar a realidade evitando pensar como ela deveria ser. Os homens não tendem naturalmente para uma ordem em sociedade. Essa disciplina é trabalho para a política. A política é feita por homens que imporão a ordem na sociedade sempre ameaçada pelo caos. A sociedade é o resultado da luta de forças internas, antagônicas na maioria das vezes, e da necessidade de proteção contra outras nações. O bom Príncipe é aquele que propicia o melhor arranjo dessas forças. Os homens deixados a si mesmos sucumbem no caos, pois são volúveis e ingratos. Na verdade, não meios cem por cento eficazes na contenção da natureza egoísta do homem, por isso, a história mostra que os governos são temporários, ordem e desordem se seguem em movimentos cíclicos.

Hobbes e o Estado absoluto


Thomas Hobbes (1588 –1679), inglês da família pobre, conviveu com a nobreza, de quem recebeu apoio e condições para estudar. Defendeu ferrenhamente o poder absoluto numa época em que surgiam as ideias liberais. O absolutismo havia atingido o apogeu, mas estava em declínio em relação as ideias liberais.
Hobbes é um contratualista. Ou seja, parte da ideia de um estado de natureza do homem (antes de qualquer sociabilidade, por hipótese desfruta de todas as coisas, realiza todos os seus desejos, é dono de um poder ilimitado).  Nesse estado de natureza o homem tem direito a tudo, esse direito de natureza é chamado de jus naturale (a liberdade que cada homem possui de usar seu próprio poder, da maneira que quiser, para a preservação de sua própria natureza – de sua vida). Acontece que enquanto perdurar esse estado de coisas, não haverá segurança nem paz alguma. A situação dos homens deixados a si próprios é de anarquia. Os interesses egoístas predominam e o homem se torna um lobo para o outro homem (homo homini lupus).
Hobbes dirá que o homem reconhece a necessidade de renunciar a seu direito a todas as coisas, contentando-se, em relação aos outros homens, a dar a mesma liberdade que dá a si mesmo. Essa nova ordem é celebrada mediante um contrato (hipotético), um pacto pelo qual todos abdicam de sua vontade em favor de um homem ou assembleia de homens, como representante de todos.  O homem não sendo sociável por natureza, o será por artifício. ‘É o medo e o desejo de paz que o levam a fundar um estado social e a autoridade política, abdicando dos seus direitos em favor do soberano.
O poder do soberano deve ser absoluto, isto é, ilimitado. A transmissão do poder dos indivíduos ao soberano deve ser total, caso contrário, um pouco que seja conservado da liberdade natural do homem, instaura-se de novo a guerra. E se não há limites para a ação do governante, não é sequer possível ao súdito julgar se o soberano é justo ou injusto, tirano ou não, pois é contraditório dizer que o governante abusa do poder: não há abuso quando o poder é ilimitado. O Estado uma vez instituído não pode ser contestado (seja monarquia ou aristocracia).
Hobbes usa a figura bíblica do leviatã, animal monstruoso e cruel, mas que de certa forma defende os peixes menores de serem engolidos pelos mais fortes.

John Locke

Também se mantém na linha do empirismo. Nasceu em Wrington, em 1632. Estudou na Universidade de Oxford filosofia, ciências naturais e medicina.   Faleceu em 1704.
          Quanto a política, Locke deriva a lei civil da lei natural, racional, moral, em virtude da qual todos os homens – como seres racionais – são livres, tem igual direito a vida e a propriedade; e, entretanto na vida política, não podem renunciar a estes direitos, sem renunciar à própria dignidade e natureza humana. Locke admite um originário estado de natureza antes do estado civilizado. Não, porém, no Esse estado de natureza de Locke é em um sentido moral, em virtude do qual cada um sente o dever racional de respeitar nos outros a mesma personalidade que nele se encontra. sentido brutal e egoísta de inimizade universal, como dizia Hobbes. O homem passa do estado de natureza ao estado civilizado, porquanto, no primeiro, falta a certeza e a regularidade da defesa e da punição, que existe no segundo, graças à autoridade superior. Entretanto, no contrato social os indivíduos não renunciam a todos os direitos, porquanto os diretos são inalienáveis. Renunciam unicamente ao direito de defesa e de fazer justiça, para conseguir que os direitos inalienáveis sejam melhor garantidos.
Locke parte da concepção individualista, pela qual os homens isolados no estado de natureza se uniram mediante contrato social para constituir a sociedade civil. Portanto apenas o pacto torna legítimo o poder do Estado. O problema está em que, no estado natural, cada um é juiz em causa própria; portanto os riscos das paixões e da parcialidade são muito grandes e podem desestabilizar as relações entre os homens.   Por isso, visando a segurança e a tranquilidade necessárias ao gozo da propriedade, as pessoas consentem em instituir o corpo político.
O ponto crucial do pensamento de Locke é que os direitos naturais dos homens não desaparecem em consequência desse consentimento, mas subsistem para limitar o poder do soberano, justificando, em última instância, o direito à insurreição. O poder é um truste, um depósito confiado aos governantes – trata-se de uma relação de confiança -, e, se, estes não visarem ao bem público, é permitido aos governados retira-lo e confia-lo a outrem.
A sociedade civil (ou política) representa um aspecto progressista do pensamento liberal. Destaca a origem democrática, parlamentar do poder político. Ou seja, o poder está fundamentado nas instituições políticas, e não no arbítrio dos indivíduos.
 Tanto para Hobbes quanto para Locke, a essência humana é ser livre da dependência das vontades alheias, e a liberdade existe como exercício de posse.  Assim, a primeira coisa que o homem possui é o seu corpo; todo homem é proprietário de si mesmo e de suas capacidades.

Jean-Jaques Rousseau

Rousseau nasceu em Genebra, a 28 de junho de 1712, morre em 02 de julho de 1778, mas na França é que produz suas grandes obras.  Tem em seus escritos um tema dominante: a relação entre a natureza e a sociedade, a moral fundada na liberdade, primazia dos sentimentos sobre a razão, a teoria da bondade natural do homem e a doutrina do contrato social. Espantoso para a época foi Rousseau criticar o individualismo burguês antes que a burguesia se consolidasse no poder. Influenciou e foi influenciado pelo iluminismo. A Revolução Francesa teve influência dos escritos de Rousseau.
Ele vai dizer que a sociedade civilizada é vil, corrupta e avara. Não critica toda a sociedade, mas aquela que acorrenta o homem. Acredita que a liberdade que o selvagem desfrutava (em seu estado de natureza) era o oposto dos liames sociais que hoje nos une (uma sociedade artificial). Os homens renunciaram a seu estado de natureza através de um pacto social onde as pessoas se mantêm sob grilhões. Rousseau propõe algo diferente, o novo pacto faz com que todos se submetam a uma vontade geral; cada pessoa deve obediência apenas ao Estado. Essa obediência só é livre enquanto o Estado representar a vontade geral. Somente o povo é fonte da legitimidade do Estado. Ninguém está submetido à vontade individual, o cidadão vai obedecer somente às leis que, por sua vez, representam a vontade geral. A vontade geral não é a soma das vontades particulares. “Se, quando o povo suficientemente informado delibera, não tivessem os cidadãos nenhuma comunicação entre si, do grande número de pequenas diferenças resultaria sempre a vontade geral e a deliberação seria sempre boa”. Mas, se as pessoas se reunissem em grupos, e esses grupos crescessem tanto que sua vontade dominasse, essa vontade seria então particular. 
A civilização é vista por Rousseau como a responsável pela degradação das exigências morais da natureza humana. Essa moral humana é substituída por uma cultura intelectual. Em seu estado de natureza o homem tem tudo. Tudo o que quer é a satisfação das suas necessidades básicas: alimento, algum conforto contra as intempéries e sexo. As paixões que o movem são o querer, o desejar e o temer. A ignorância dos vícios e a tranquilidade de seu coração são condições favoráveis para o surgimento da virtude. Já a uniformidade artificial de comportamento, imposta pela sociedade às pessoas, leva-os a ignorar os deveres humanos e as necessidades naturais. Assim como a polidez e as demais regras da etiqueta podem esconder o mais vil e impiedoso egoísmo, as ciências e as artes, com todo o seu brilho exterior, frequentemente seriam somente máscaras da vaidade e do orgulho. É a civilização que provoca a desigualdade entre aos homens, portanto, a desigualdade não é algo natural.
Sua posição é, num aspecto, inovadora, na medida em que distingue os conceitos de soberano e governo, atribuindo ao povo a soberania inalienável. Ele cria a hipótese dos homens em estado de natureza, vivendo sadios, bons e felizes enquanto cuidam de sua apropria sobrevivência. Isso até o momento em que é criada a propriedade e uns passam a trabalhar para os outros, gerando escravidão e miséria. O bom selvagem é feliz até o momento em que é introduzida a desigualdade entre os homens, a diferenciação entre o rico e o pobre, o poderoso e o fraco, o senhor e o escravo e a predominância da lei do mais forte.
É necessária uma nova liberdade, a liberdade civil.
A vontade particular e individual diz respeito a interesses particulares. Estes interesses devem submeter-se ao interesse coletivo materializado no contrato social. O homem natural não tinha a consciência daquilo que possuía, nem tampouco do que possuía o semelhante. Isso parece fazer parte da ideia de que tudo era de todos. E se tudo era de todos, o egoísmo, a vaidade e a ambição eram sentimentos inexistentes. Mas não é a propriedade em si o grande problema da civilização. A questão é a ambição em querer ficar acima dos outros. Assim os homens produzem não mais para suprir suas necessidades básicas, mas para lucrar à custa dos outros.
Diz Rousseau:
O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer “isto é meu” e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo.
Os contratos existentes são um falso contrato, coloca os homens sobre grilhões. Numa espécie de dever ser, um ideal, Rousseau diz que o contrato social para ser legítimo deve se originar do consentimento necessariamente unânime e voluntário. Cada associado se aliena totalmente, ou seja, abdica sem reserva de todos os seus direitos em favor da comunidade.

Sociologia

A Sociologia é uma das Ciências Humanas que tem como objetos de estudo a sociedade, a sua organização social e os processos que interligam os indivíduos em grupos, instituições e associações. Enquanto a Psicologia estuda o indivíduo na sua singularidade, a Sociologia estuda os fenômenos sociais, compreendendo as diferentes formas de constituição das sociedades e suas culturas. (http://www.brasilescola.com/sociologia/sociologia2.htm em 16/08/2014).

As ciências sociais obviamente tem um mesmo objeto de estudo, o homem na polis.  Entretanto, a sociologia enfatiza o universo cultural e social das pessoas. No seu início Comte afirmou que ela deveria compreender as estruturas sociais, os significados dados ao mundo e no mundo e, é claro, compreender como se dão as relações sociais. Ele percebeu que as desigualdades sociais prejudicam a ordem social e, por consequência, seu progresso.
Importa ressaltar que a sociologia em seu berço, é europeia. Principalmente influenciada pela revolução industrial. O iluminismo estava impregnado na Europa. Acreditavam a razão faria o mundo melhor como o desenvolvimento das capacidades humanas apoiadas nas ciências. Prevalecia o eurocentrismo. Essa visão otimista foi criticada no século XX, abalada pelas guerras mundiais. Teria sido a fé absoluta na religião substituída pela absoluta fé na razão?

Positivismo


Esse termo surgiu para designar o uso do método das ciências, ou seja, métodos com resultados o mais exatos que fosse possível. Evidentemente influenciou gerações de pensadores da filosofia e da sociologia. A área das “humanas” foi revista e adaptada a esse viés de pensamento.
O positivismo substituiu a fé teológica pela fé nos dogmas da ciência. É uma espécie de romantização do método cientifico, ou seja, este método resolveria os problemas das sociedades europeias. Esse pensar aliou-se facilmente a um ideal de ordem e progresso, sendo legitimado pelo desenvolvimento industrial e científico da época moderna.
Teses do positivismo:
- A ciência é o único conhecimento possível e o método da ciência é o único válido.
- O método da ciência é puramente descritivo.
- O método científico deve ser estendido a todas as áreas do conhecimento.

Por isso que dizemos que a Sociologia é o estudo científico das relações sociais, das formas de associação, destacando-se os caracteres gerais comuns a todas as classes de fenômenos sociais, fenômenos que se produzem nas relações de grupos entre seres humanos. Estuda o homem e o meio humano em suas interações recíprocas. A sociologia não é normativa, nem emite juízos de valor sobre os tipos de associações e relações estudados, pois se baseia em estudos objetivos que melhor podem revelar a verdadeira natureza dos fenômenos sociais. A sociologia, dessa forma, é o estudo e o conhecimento objetivo da realidade social. (Lakatos, Eva Maria, Sociologia geral – 7ª edição – São Paulo, editora Atlas, 2013. pág. 25.).