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terça-feira, 23 de setembro de 2014

Émile Durkheim

Émile Durkheim: [1]

Segundo esse autor, a sociologia estuda os fatos como eles são, descrevendo-os, analisando-os e explicando os mesmos.
Durkheim percebeu que o conhecimento científico avançava sobre o mundo social.  A sociedade estava sob o crivo da ciência. Tornou-se então necessário um avanço nas metodologias, na linguagem (vocabulário próprio) e nos instrumentos de comprovação que dessem conta das necessidades de explicação da sociedade.

O positivismo e a sociologia:

O positivismo é uma opção filosófica que opta por uma visão de mundo baseada na ciência, ou seja, no método científico.   O método científico seria o meio mais confiável para que possamos conhecer o mundo físico e humano.  O positivismo só aceita o conhecimento racional e objetivo.  Notadamente na segunda metade do século XIX os valores são estipulados por uma ética humana. Há um afastamento da teologia e da metafísica. Os estudos se destinam aos fatos observáveis e suas relações.A ciência se baseia apenas no mundo físico/material. Nesse século a Europa teve um notável desenvolvimento tecnológico refletindo-se  na produção industrial. A Europa saia de seus domínos e conquistava novas terras e povos (Áfria e Asia). Aproximavam-se o imperialismo e a ciência. Este pensamento é profundamente otimista, pois acredita que todo o conhecimento é possível dentro de uma visão científica.
Durkheim tentou provar que a sociologia é uma ciência e que dever ser neutra diante dos fatos sociais. Ou seja, o cientista tenta não se envolver em ideologias nem emite opiniões infundadas. Esta ciência deve basear-se primeiro no conhecimento prévio e cientifico da sociedade e não na ação política desvinculada da realidade dos aspectos econômicos e históricos dessa mesma sociedade.
A sociologia desenvolvida por Durkheim tenta compreender o capitalismo, para conseguir essa compreensão desenvolve uma série de conceitos, ou seja, uma teoria. Vejamos alguns conceitos dessa teoria:
Consciência coletiva: é a ideia do psíquico social. Cada indivíduo tem uma psique, isto é, um jeito de pensar e agir, de entender a vida. Cada um tem uma consciência individual que faz parte de nossa personalidade. Esta, porém, não é a única forma de consciência: existe também aquela formada pelas ideias comuns que estão presentes em todas as consciências individuais de uma sociedade. Essas ideias comuns formam a base para uma consciência de sociedade: uma primeira consciência que determina a nossa conduta e que não é individual, mas social e geral, denominada por Durkheim de consciência coletiva.  Ela é objetiva, não vem de uma pessoa ou um grupo, mas está difusa em toda a sociedade. É o que a sociedade “pensa”. São condutas padronizadas e formas de pensar anteriores a quem está pensando. Aqui aparecem as regras sociais, que já existem antes do indivíduo nascer, fazendo com que este já esteja imerso numa consciência que tende a determiná-lo.  Não nos referimos as condutas e formas de pensar de grupos, mas de toda uma sociedade.
Ex.: Não sou obrigado a falar o mesmo idioma dos meus companheiros de pátria nem empregar a moeda legal, mas é impossível agir de outra maneira.

Solidariedade mecânica: As sociedades anteriores ao capitalismo (sociedades tribais e feudais) a divisão do trabalho social era pouco desenvolvida, não havia um grande número de especializações das atividades sociais. No feudalismo a produção dos bens de consumo era realizada pelo trabalho artesanal que não dependia de outras pessoas. Para fazer uma mesa, o servo só precisava de sua força. Nas sociedades tribais a pessoa não se une porque um depende do trabalho do outro, e sim, são unidos por uma religião, tradição ou sentimento comum a todos. Aqui a consciência coletiva consegue aparecer com todo seu poder de coerção.
Esta união das pessoas a partir da semelhança na religião, tradição ou sentimento é o que Durkheim chama de solidariedade mecânica.

Solidariedade orgânica: ao contrário aparece quando a divisão do trabalho social aumenta, e aí como vimos, o que torna as pessoas unidas não é a crença comum a todos, mas uma interdependência das funções sociais.
A união das pessoas a partir da dependência que uma tem da outra para realizar uma atividade social é o que Durkheim chama de solidariedade orgânica.
Durkheim admite que a solidariedade orgânica é superior a mecânica, pois ao se especializarem as funções, a individualidade, de certo modo, é ressaltada, permitindo maior liberdade de ação.  Isso porque nossa conduta é orientada pela consciência coletiva que é coercitiva, mas no momento em que as atividades sociais são muito divididas, as pessoas passam a depender umas das outras e ao mesmo tempo, cada uma, ao especializarem-se na atividade que realiza, passa a desenvolver sua individualidade. A atividade de cada um é tanto mais pessoas quanto mais ela for especializada. Por isso, há uma frouxidão na possibilidade de coerção exercida pela consciência coletiva.
Durkheim tinha uma visão otimista sobre o futuro do capitalismo. O processo desencadeado pelo capitalismo traria um aumento generalizado da divisão do trabalho social e, por consequência, da solidariedade orgânica. Assim desapareceria os conflitos e os problemas sociais. Para ele o capitalismo é a sociedade perfeita. Trata-se apenas de conhecer os problemas e de buscar uma solução científica. Estas seriam então a tarefa da sociologia: compreender o funcionamento da sociedade capitalista de modo objetivo para observar, compreender e classificar as leis sociais, descobrir as que são falhas e corrigi-las por outras mais eficientes.

                 Fato social:


Os fatos sociais são o objeto de estudo da sociologia, segundo o autor em estudo. O que são fatos sociais? Toda a maneira de agir e pensar fixa ou não, capaz de exercer sobre o individuo uma coerção exterior, apresentando uma existência própria independente das manifestações individuais que possa ter.  Diz-se externo porque são fatos coletivos, como a religião ou o sistema econômico, por exemplo, independentes do indivíduo, que já o encontram prontos quando nascem e que morrerão antes que estes fatos deixem de existir.  São internalizados através do processo de socialização.  O fato social é percebido pela pessoa como uma realidade independente dela e que já existia antes do seu nascimento. Ele tem força porque vem alicerçado em sanções legais ou espontâneas.
Os fatos sociais são exteriores, acabam por serem introjetados pelos sujeitos e acabam por domina-los.


Características dos fatos sociais:
Generalidade: o fato social é comum aos membros de um grupo;
Exterioridade: o fato social é externo ao indivíduo, existe independentemente de sua vontade;
Coercitividade: os indivíduos se sentem obrigados a seguir o comportamento estabelecido.
Em função dessas características podem ser tratados como coisas.


Para identificar os fatos sociais entre os diversos acontecimentos da vida, Durkheim orienta o sociólogo a ater-se àqueles acontecimentos mais gerais e repetitivos e que apresentem características exteriores comuns. De acordo com esses critérios, são fatos sociais, por exemplo, os crimes, pois existem em toda e qualquer sociedade e têm como característica comum provocarem uma reação negativa, concreta e observável da sociedade contra que os pratica, a que podemos chamar de “penalidade”.   Agindo dessa forma objetiva e apreendendo a realidade por suas características exteriores, o cientista pode analisar os crimes e suas penalidades, sem entrar nas discussões de caráter moral a respeito da criminalidade, o que, apesar de útil, nada tem a ver com o trabalho científico do sociólogo. (Costa, Maria Cristina Castilho. Sociologia: introdução à ciência da sociedade – 3ª edição – São Paulo, editora Moderna, 2005. Página 84).




[1] Meksenas, Paulo. Aprendendo Sociologia: a paixão de conhecer a vida. Edições Loyola, São Paulo. 1995 Costa, Maria Cristina Castilho. Sociologia: introdução à ciência da sociedade – 3ª edição – São Paulo, editora Moderna, 2005.

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