Follow by Email

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Émile Durkheim

Émile Durkheim: [1]

Segundo esse autor, a sociologia estuda os fatos como eles são, descrevendo-os, analisando-os e explicando os mesmos.
Durkheim percebeu que o conhecimento científico avançava sobre o mundo social.  A sociedade estava sob o crivo da ciência. Tornou-se então necessário um avanço nas metodologias, na linguagem (vocabulário próprio) e nos instrumentos de comprovação que dessem conta das necessidades de explicação da sociedade.

O positivismo e a sociologia:

O positivismo é uma opção filosófica que opta por uma visão de mundo baseada na ciência, ou seja, no método científico.   O método científico seria o meio mais confiável para que possamos conhecer o mundo físico e humano.  O positivismo só aceita o conhecimento racional e objetivo.  Notadamente na segunda metade do século XIX os valores são estipulados por uma ética humana. Há um afastamento da teologia e da metafísica. Os estudos se destinam aos fatos observáveis e suas relações.A ciência se baseia apenas no mundo físico/material. Nesse século a Europa teve um notável desenvolvimento tecnológico refletindo-se  na produção industrial. A Europa saia de seus domínos e conquistava novas terras e povos (Áfria e Asia). Aproximavam-se o imperialismo e a ciência. Este pensamento é profundamente otimista, pois acredita que todo o conhecimento é possível dentro de uma visão científica.
Durkheim tentou provar que a sociologia é uma ciência e que dever ser neutra diante dos fatos sociais. Ou seja, o cientista tenta não se envolver em ideologias nem emite opiniões infundadas. Esta ciência deve basear-se primeiro no conhecimento prévio e cientifico da sociedade e não na ação política desvinculada da realidade dos aspectos econômicos e históricos dessa mesma sociedade.
A sociologia desenvolvida por Durkheim tenta compreender o capitalismo, para conseguir essa compreensão desenvolve uma série de conceitos, ou seja, uma teoria. Vejamos alguns conceitos dessa teoria:
Consciência coletiva: é a ideia do psíquico social. Cada indivíduo tem uma psique, isto é, um jeito de pensar e agir, de entender a vida. Cada um tem uma consciência individual que faz parte de nossa personalidade. Esta, porém, não é a única forma de consciência: existe também aquela formada pelas ideias comuns que estão presentes em todas as consciências individuais de uma sociedade. Essas ideias comuns formam a base para uma consciência de sociedade: uma primeira consciência que determina a nossa conduta e que não é individual, mas social e geral, denominada por Durkheim de consciência coletiva.  Ela é objetiva, não vem de uma pessoa ou um grupo, mas está difusa em toda a sociedade. É o que a sociedade “pensa”. São condutas padronizadas e formas de pensar anteriores a quem está pensando. Aqui aparecem as regras sociais, que já existem antes do indivíduo nascer, fazendo com que este já esteja imerso numa consciência que tende a determiná-lo.  Não nos referimos as condutas e formas de pensar de grupos, mas de toda uma sociedade.
Ex.: Não sou obrigado a falar o mesmo idioma dos meus companheiros de pátria nem empregar a moeda legal, mas é impossível agir de outra maneira.

Solidariedade mecânica: As sociedades anteriores ao capitalismo (sociedades tribais e feudais) a divisão do trabalho social era pouco desenvolvida, não havia um grande número de especializações das atividades sociais. No feudalismo a produção dos bens de consumo era realizada pelo trabalho artesanal que não dependia de outras pessoas. Para fazer uma mesa, o servo só precisava de sua força. Nas sociedades tribais a pessoa não se une porque um depende do trabalho do outro, e sim, são unidos por uma religião, tradição ou sentimento comum a todos. Aqui a consciência coletiva consegue aparecer com todo seu poder de coerção.
Esta união das pessoas a partir da semelhança na religião, tradição ou sentimento é o que Durkheim chama de solidariedade mecânica.

Solidariedade orgânica: ao contrário aparece quando a divisão do trabalho social aumenta, e aí como vimos, o que torna as pessoas unidas não é a crença comum a todos, mas uma interdependência das funções sociais.
A união das pessoas a partir da dependência que uma tem da outra para realizar uma atividade social é o que Durkheim chama de solidariedade orgânica.
Durkheim admite que a solidariedade orgânica é superior a mecânica, pois ao se especializarem as funções, a individualidade, de certo modo, é ressaltada, permitindo maior liberdade de ação.  Isso porque nossa conduta é orientada pela consciência coletiva que é coercitiva, mas no momento em que as atividades sociais são muito divididas, as pessoas passam a depender umas das outras e ao mesmo tempo, cada uma, ao especializarem-se na atividade que realiza, passa a desenvolver sua individualidade. A atividade de cada um é tanto mais pessoas quanto mais ela for especializada. Por isso, há uma frouxidão na possibilidade de coerção exercida pela consciência coletiva.
Durkheim tinha uma visão otimista sobre o futuro do capitalismo. O processo desencadeado pelo capitalismo traria um aumento generalizado da divisão do trabalho social e, por consequência, da solidariedade orgânica. Assim desapareceria os conflitos e os problemas sociais. Para ele o capitalismo é a sociedade perfeita. Trata-se apenas de conhecer os problemas e de buscar uma solução científica. Estas seriam então a tarefa da sociologia: compreender o funcionamento da sociedade capitalista de modo objetivo para observar, compreender e classificar as leis sociais, descobrir as que são falhas e corrigi-las por outras mais eficientes.

                 Fato social:


Os fatos sociais são o objeto de estudo da sociologia, segundo o autor em estudo. O que são fatos sociais? Toda a maneira de agir e pensar fixa ou não, capaz de exercer sobre o individuo uma coerção exterior, apresentando uma existência própria independente das manifestações individuais que possa ter.  Diz-se externo porque são fatos coletivos, como a religião ou o sistema econômico, por exemplo, independentes do indivíduo, que já o encontram prontos quando nascem e que morrerão antes que estes fatos deixem de existir.  São internalizados através do processo de socialização.  O fato social é percebido pela pessoa como uma realidade independente dela e que já existia antes do seu nascimento. Ele tem força porque vem alicerçado em sanções legais ou espontâneas.
Os fatos sociais são exteriores, acabam por serem introjetados pelos sujeitos e acabam por domina-los.


Características dos fatos sociais:
Generalidade: o fato social é comum aos membros de um grupo;
Exterioridade: o fato social é externo ao indivíduo, existe independentemente de sua vontade;
Coercitividade: os indivíduos se sentem obrigados a seguir o comportamento estabelecido.
Em função dessas características podem ser tratados como coisas.


Para identificar os fatos sociais entre os diversos acontecimentos da vida, Durkheim orienta o sociólogo a ater-se àqueles acontecimentos mais gerais e repetitivos e que apresentem características exteriores comuns. De acordo com esses critérios, são fatos sociais, por exemplo, os crimes, pois existem em toda e qualquer sociedade e têm como característica comum provocarem uma reação negativa, concreta e observável da sociedade contra que os pratica, a que podemos chamar de “penalidade”.   Agindo dessa forma objetiva e apreendendo a realidade por suas características exteriores, o cientista pode analisar os crimes e suas penalidades, sem entrar nas discussões de caráter moral a respeito da criminalidade, o que, apesar de útil, nada tem a ver com o trabalho científico do sociólogo. (Costa, Maria Cristina Castilho. Sociologia: introdução à ciência da sociedade – 3ª edição – São Paulo, editora Moderna, 2005. Página 84).




[1] Meksenas, Paulo. Aprendendo Sociologia: a paixão de conhecer a vida. Edições Loyola, São Paulo. 1995 Costa, Maria Cristina Castilho. Sociologia: introdução à ciência da sociedade – 3ª edição – São Paulo, editora Moderna, 2005.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Voto do caso da hemotransfusão


O senhor ministro Amilcar Campos Bernardi vota sobre o seguinte caso: Denise Konishi é testemunha de Jeová, sofre de leucemia e para sua sobrevivência necessita impreterivelmente de transfusão de sangue. Sua crença proíbe hemotransfusão, levando Denise a recusar tratamento médico. O Código de Ética Médica prevê que, nos casos em que a vida do paciente corre perigo, o médico é obrigado a fazer tudo que está ao seu alcance para salvá-la. Denise entrou com pedido alegando que a transfusão de sangue é procedimento incompatível com suas convicções religiosas e viola frontalmente a dignidade da pessoa humana e a liberdade de escolher a que tratamento deva ser submetida.
A questão é muito complexa devendo ser tratada com cuidado. Muitos direitos estão garantidos e estão por serem analisados. Muitas obrigações e omissões aparecem nessa questão. É preciso muita sobriedade evitando atropelos e ofensas às normas constitucionais e aos tratados internacionais que nosso país engajou-se.
Ao cidadão do mundo é garantida a opinião e a sua expressão. Sua fé e crenças devem ser respeitadas. A intimidade e a consciência estão protegidas do arbítrio dos estados, dos poderosos e dos intolerantes. Qualquer investida contra esses direitos merece repúdio.  Todo o ser humano é livre para pensar, desejar, aceitar ou não, tudo aquilo que caso não ofenda os direitos de outra pessoa, pense, deseje e aceite. Nada mais, nada menos que isso. Os juízos de valor e a liberdade andam juntos. Nenhum ordenamento jurídico pode atentar contra o gozo da liberdade de opinar, e nem pode contrapor-se à liberdade espiritual de pensar e de escolher.  Entretanto, para tudo há limites.
Paralelamente a liberdade de pensar e opinar, ou seja, paralelamente a liberdade de consciência, protege-se o culto religioso e a liberdade de crer. Para tanto, a Constituição Federal do Brasil de 1988, consolidou a laicidade do Estado. Por isso é impossível no nosso país o Estado contrapor-se às práticas religiosas. Igualmente não pode contrapor-se às imposições morais feitas aos seus seguidores, enquanto não infringirem as normas jurídicas. Constitui-se inclusive crime ofensas às religiões. Percebe-se que o Estado ao ser laico, não protege os ideais ateus, ao contrário, protege ateus e teístas de igual forma. Há espaço legal para todos em nossa carta magna.
Podemos resumir o que dissemos através das seguintes citações do nosso texto constitucional: a Constituição da República Federativa do Brasil prescreve que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias" (artigo 5º, inciso, VI, da CF). O mesmo texto disciplina que "ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei" (artigo 5º, inciso, VIII, da CF).
Percebe-se que a complexidade do tema a ser votado pode ser dirimida aos poucos. Conforme citado no parágrafo anterior, vemos que o artigo 5º da CF ratifica o direito à vida e no inciso VIII é afirmado que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa. E um dos direitos fundamentais é - evidentemente - a vida. Então, acima de tudo, indiferente a religião que a pessoa professe este valor, a vida, prevalece sempre.
Ainda para dirimir a complexidade do tema, o Código de ética médica é claro quando estabelece os seguintes impedimentos aos médicos: Art. 54 - Fornecer meio, instrumento, substância, conhecimentos ou participar, de qualquer maneira, na execução de pena de morte e Art. 66 - Utilizar, em qualquer caso, meios destinados a abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido deste ou de seu responsável legal.
Mais claro ainda fica quando refletimos embasados no positivismo filosófico e jurídico.
Ao positivista cabe refletir sobre causas e consequências, sobre o que está acessível aos seus sentidos, é avesso à metafísica e às previsões infundadas. O futuro não está em 100% definido em termos de causas e consequências, ou seja, o que causamos hoje não terá perfeita linearidade com as consequências futuras. O futuro é sempre uma possibilidade, uma aposta, só isso. No caso em estudo, não cabe ao direito tentar prever as consequências psicossociais da transfusão sanguínea em “Testemunhas de Jeová”. Seria mera especulação. Porém, podemos afirmar com a linearidade da causa/efeito, em tempo tão aproximado um do outro, que sem a transfusão imediata a pessoa morrerá, conforme afirma a ciência médica. Acontecerá a morte independentemente das convicções religiosas. A questão é: ou transfunde ou morre. É isso. Também é fato que a morte assistida não existe em nosso ordenamento jurídico. Portanto, morrer sob os olhos da família, do médico e do Estado é juridicamente uma aberração. Afinal, conforme o dispositivo estabelecido no art. 122 do Código Penal, induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça, incorrerá na pena de reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. Portanto, é fato que não é possível permitir ao médico não fazer a transfusão sanguínea, pois por analogia, seria um suicídio ou algo muito próximo a isso.
Inúmeros policiais militares, bombeiros e cidadãos já perderam a vida para evitar suicídios. A eutanásia e a ortotanásia ainda são proibidas no Brasil. A vida é totalmente tutelada pelo estado, a ponto deste não poder infligir a pena de morte mesmo a assassinos e a estupradores.
Concluo que aqui a decisão em tudo se afasta de uma questão religiosa. O problema é pontual: pode alguém assumir para si o risco evidente de morte em nome de algo que ainda não existe? O que não existe ainda? O futuro e a crença que ele será insuportável por uma decisão tomada hoje. E mais, não existe a certeza que o que uma pessoa crê hoje será ainda uma crença amanhã. O que é real e fatual nesse caso? A morte que poderá advir hoje, agora e sob o olhar omisso do Estado. Isso não é aceitável. Portanto, não aceito o pedido pela não transfusão de sangue. Ao contrário, afirmo sua imediata necessidade..

* Julgamento hipotético feito na Faculdade de Direito de Santa Maria



sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Pensadores da Sociologia

 Saint-Simon


   Claude-Henri de Rouvroy, Conde de Saint-Simon, nascido em Paris, no dia 17 de outubro de 1760. Foi um filósofo e economista francês, um dos fundadores do socialismo moderno e teórico do socialismo utópico.
Tentou desenvolver uma síntese entre o pensamento científico socialista, particularmente a análise da economia, e as crenças cristãs.
É considerado um notável socialista utópico. Criou muitos projetos e publicações falando de ideias sociais. Estas ideias representaram uma reação contrária ao derramamento de sangue da revolução francesa e do militarismo de Napoleão. Propôs também que os estados da Europa formassem uma associação para suprimir a guerra. Haveria uma Europa unida, com um parlamento europeu e um desenvolvimento comum da indústria e da comunicação. Previu corretamente o industrialização do mundo, e acreditou que a ciência e a tecnologia resolveriam a maioria dos problemas da humanidade.
Afirmava que era dever do Estado planejar e organizar o uso dos meios de produção de modo a se manter continuamente a par das descobertas científicas. Saint-Simon advogou um esquema segundo o qual os homens de negócios e outros líderes industriais controlariam a sociedade; propunha uma ditadura benevolente dos industriais e dos cientistas para eliminar as iniquidades do sistema liberal inteiramente livre. A direção espiritual da sociedade estaria nas mãos dos cientistas e engenheiros, os quais assim tomariam o lugar ocupado pela Igreja Católica Romana na idade média europeia.
Ele queria um estado industrializado dirigido pela ciência moderna, no qual a sociedade seria organizada para o trabalho produtivo pelos homens mais capazes. O alvo da sociedade seria produzir as coisas úteis à vida. Alertava que sua época sofria de um individualismo doentio e selvagem resultante de uma quebra da ordem e da hierarquia. A salvação deveria ser buscada no nível do crescimento da ciência e da tecnologia e na colaboração dos industriais e dos técnicos que tinham começado já a construir uma ordem industrial nova. A união do conhecimento científico e tecnológico à industrialização inauguraria o governo dos peritos. A nova sociedade não poderia nunca ser igualitária, Saint-Simon sustentava, porque os homens não foram dotados igualmente pela natureza. Saint-Simon não era um "igualitário" estrito.
Queria erradicar as fontes da desordem pública, faria possível a eliminação virtual do estado como uma instituição coerciva. A sociedade futura funcionaria como uma oficina gigantesca, em que o governo sobre homens seria substituído pela administração das coisas.
Saint-Simon quis reorientar a Revolução Industrial para melhorar as condições da classe mais pobre. De acordo com seu projeto, isto seria conseguido não com uma revolução política, mas com um governo de banqueiros e de administradores técnicos, que substituiriam reis, aristocratas, e políticos.
Propôs a criação de um novo regime político econômico pautado no progresso cientifico e industrial, em que todos os homens dividissem os mesmos interesses e recebessem adequadamente pelo seu trabalho.
Quando Saint Simon falou sobre a nova sociedade, imaginou uma imensa fábrica, na qual substituiria a exploração do homem pelo homem para uma administração coletiva. Assim, a propriedade privada não caberia mais nesse novo sistema industrial. Vale notar que existiria uma pequena desigualdade e a sociedade seria perfeita depois de reformar o Cristianismo. Ainda disse que o homem não é apenas algo passivo na História, pois sempre procura alterar o meio social no qual esta inserido.     
Os homens tem uma necessidade básica: a liberdade. Por essa liberdade, Saint-Simon designa o desejo desses homens de não trabalharem, e de não serem atrapalhados quando desfrutarem do que tenham produzido. Os homens somente são capazes de vencer essa “preguiça” para satisfazem a seus desejos e prazeres, e por esse motivo são impelidos a trabalhar. Há, porém, uma classe de homens que, embora não tenham vencido a preguiça e não trabalhem como os outros, desfrutam dos produtos e prazeres como se o tivessem feito.
Em “Carta Oitava”, o pensador francês pergunta-se sobre a existência de um princípio geral da política. Faz sete afirmações que considera serem as mais gerais e comprovadas asserções da ciência política, a saber: a produção de coisas úteis é o único objetivo razoável a que sociedades políticas podem se propor:
1° o governo sempre prejudica a indústria quando atua fora de seus limites;
2°os produtores, por serem os únicos que pagam impostos, são os únicos homens úteis a sociedade e que, portanto, podem votar;
3° os homens nunca podem lutar entre si sem prejudicar a produção;
4° o desejo de subjugar outros povos é nocivo, pois diminui a produção;
5° a moral se aperfeiçoa de forma diretamente relacionada à melhora da indústria;
6° os homens devem se considerar uma sociedade de trabalhadores;
7° a partir de tais considerações, Simon conclui que a ciência política pode ser unicamente compreendida e sintetizada como a “ciência da produção”.

Marx (1818 – 1883)

“A questão se cabe ao pensamento humano atingir uma verdade objetiva não é teórica mas prática”. Em outras palavras: não basta interpretar o mundo – é necessário transforma-lo. Instaura-se o tribunal da práxis.
A doutrina filosófica formulada por Marx denominava-se materialismo dialético. A palavra materialismo tem aqui um significado diferente do usual. Na linguagem marxista este termo refere-se à teoria filosófica preocupada em destacar a importância dos seres objetivos como elementos constitutivos da realidade humana. No plano social,. Esses seres objetivos, concretos, formam a base material da sociedade. E essa base material é constituída pela estrutura econômica que garante a manutenção da existência coletiva.
Podemos identificar na realidade além dessa base material também uma parte imaterial, representada pelas nossas ideias, nossos sentimentos, nossa consciência das coisas. Marx chama esses elementos de superestrutura. Ressalta a importância e a primazia da parte material da realidade em relação à parte imaterial (as ideias). O pensamento, a consciência e a ideia se desenvolvem como reflexos da realidade material, objetiva, produzidos no cérebro humano. Não são, porém reflexos passivos, mas ativos, dialéticos.
Mas como essa transformação ocorre? Ele adotou o nome de dialética para a filosofia que explica a realidade em movimento. Dialética pode ser entendida como a luta e unidade dos opostos. Para Hegel (filósofo alemão em que se basearam Engels e Marx) a história nasce da sucessão de ideias, isto é, através de suas contradições. Para Hegel o motor do pensamento e da história, é a contradição.
A lei da mais valia:
Marx evidentemente reconhecia os avanços que a burguesia trouxe. O avanço dos meios de comunicação, o aumento da população urbana e a difusão da produção de produtos pelo mundo são um bom exemplo. Acontece que tal avanço teve um “efeito colateral” violento que o fez pensar no custo/benefício de tais avanços.  Surgiu a figura do proletário nas fábricas. Esses trabalhadores viviam em pobreza extrema; não sé ele, mas suas famílias, que, não raro, trabalhavam juntos recebendo salário único. O problema consiste na exploração do trabalho, a exploração é a alma do sistema capitalista.  Isso acontece porque é necessário que ocorra a mais valia.
O trabalhador só tem seu trabalho para oferecer, ele o oferece como mercadoria ao burguês. A partir do momento em que a compra, a força de trabalho do operário passa a pertencer ao burguês, que dispõe dela como quiser.  Surge a questão: sua força de trabalho vale quanto? Vale o necessário para mate-lo vivo, produzindo. Seu salário será isso, o necessário para mantê-lo trabalhando. Uma parte do dia ele trabalha para si (tantas horas X tantos Reais = salário), o restante trabalha para o patrão; ou de outra forma: a diferença entre o que o proletário recebe de salário e o valor da mercadoria que ele produz é a mais valia. É a mais valia que produz o lucro. Ela é a exploração do trabalhador. O patrão, segundo Marx, está seguindo a lógica do capitalismo. Deve agir dessa forma se quer o lucro. Caso não queira o lucro, vai falir. 


Fragmento do Manifesto do partido Comunista (1848)
Um governo moderno é tão-somente um comitê que administra os negócios comuns de toda a classe burguesa.
A burguesia desempenhou na história um papel revolucionário decisivo.
Onde quer que tenha chegado ao poder, a burguesia destruiu todas as relações feudais, patriarcais, idílicas. Estilhaçou, sem piedade, os variegados laços feudais que subordinavam o homem a seus superiores naturais, e não deixou subsistir entre os homens outro laço senão o interesse nu e cru, senão o frio dinheiro vivo. Submergiu nas águas glaciais do cálculo egoísta os frêmitos sagrados da piedade exaltada, do entusiasmo cavalheiresco, do sentimentalismo pequeno-burguês. Reduziu a dignidade pessoal a simples valor de troca e, em lugar das inumeráveis liberdades estatuídas e arduamente conquistadas, erigiu a liberdade única e implacável do comércio. Em resumo, substituiu a exploração disfarçada sob ilusões religiosas e políticas pela exploração aberta, cínica, direta e brutal.

Luta de Classes


Sustentava que em toda a história capitalista, havia o que chamava de luta de classes (senhores x escravos, nobres feudais x servos, burgueses x proletariados). Esse antagonismo não era apenas em relação a salários. Também havia uma luta ideológica poderosa. Isso porque sempre no capitalismo há injustiça social. O único jeito de uma pessoa ficar rica ampliando sua fortuna seria explorando alguém. Portanto, na época do Marx, o capitalismo era (ou ainda é) selvagem.  Para Marx e Engels desde o desaparecimento das sociedades primitivas, a história de todas as sociedades que existiram até aos nossos dias tem sido a história das lutas de classes, entre as classes exploradoras e as classes exploradas, que lutam permanentemente entre si. Esse antagonismo intrínseco ao capitalismo é chamado de luta de classes. Refere-se esse conflito ideológico ao inconformismo existente entre as classes mais abonadas e as classes "inferiores”. Para Marx, as lutas de classes foram, ao longo dos anos, um dos vários motivos para as revoluções na história mundial. Marx dividiu a sociedade em proprietários, representados pela burguesia, e trabalhadores, representados pelo proletariado, que eram os únicos trabalhadores. Pensava que as luta de classes só acabarão com o fim do capitalismo, e por consequência, o fim da divisão de classes sociais.


Auguste Comte (1798 -1857)

Comte e o positivismo são inseparáveis. Embalado pelo positivismo, Comte sistematiza uma nova ciência, a Sociologia.
Um dos fundamentos do positivismo é a ideia de que tudo o que se refere ao saber humano pode ser sistematizado segundo os princípios adotados como critério de verdade para as ciências exatas e biológicas. Isso se aplicaria também aos fenômenos sociais, que deveriam ser reduzidos a leis gerais como as da física. Para Comte, a análise científica aplicada à sociedade é o cerne da sociologia, cujo objetivo seria o planejamento da organização social e política.
Quando as pessoas passassem a pensar cientificamente, abandonariam a violência e a guerra; passariam a se preocupar com a ciência e com a exploração da natureza. A visão científica de mundo é incompatível com o ideal militar e fundado na teologia.
A sociologia, segundo Comte, admite  a prioridade do todo sobre as partes. Portanto, só é possível compreender um fenômeno social particular colocando-o no todo social. Seu tempo vivia uma contradição: a visão teológico-militar e a visão científica-industrial. Então é preciso um sistema de ideias científicas que reorganizará a sociedade. Entendia que a sociedade industrial era exemplar.
Comte não é liberal. Pretende uma sociedade organizada. Não acreditava na oposição entre de interesses entre proletários e empresários. A produção se ajustaria aos interesses de todos com o desenvolvimento da riqueza. Acreditava que uma geração deveria produzir mais que o necessário, deixando para a seguinte uma herança de riqueza.
A sociedade é como um organismo vivo, cada parte tem uma função específica.
Três princípios básicos de Comte (Lakatos, Eva Maria. Sociologia Geral. São Paulo, editora Atlas. 2013.
1.               Prioridade do todo sobre as partes – análise sob o contexto global.
2.               O progresso dos conhecimentos é característico da sociedade humana – acumulação de experiências e saber.
3.               O homem é o mesmo por toda parte e em todos os tempos – idêntica constituição biológica e sistema cerebral.
Portanto as sociedades evoluem da mesma maneira e no meso sentido: uma sociedade mais avançada.

Desenvolve a lei dos três estados

Os três estados, de acordo com a história humana, são: (http://www.infoescola.com/sociologia/auguste-comte-e-a-lei-dos-tres-estados/)

Teológico: o estado onde Deus está presente em tudo, as coisas acontecem por causa da vontade dele. As coisas sem explicação são explicadas pura e simplesmente por Deus. Esse estado tem outras três divisões:
- Animismo: as coisas da natureza tem sua própria “animação”, acontecem porque desejam isto, não por fatores externos, têm vida própria.
- Politeísmo: os desejos dos deuses são colocados em objetos, animais ou coisas.
- Monoteísmo: os desejos do Deus (único), são expostos em coisas, acontecimentos.
Metafísico: no qual a ignorância da realidade e a descrença num Deus todo poderoso levam a crer em relações misteriosas entre as coisas, nos espíritos, como exemplo. O pensamento abstrato é substituído pela vontade pessoal.
Positivo: a humanidade busca respostas científicas todas as coisas. Este estado ficou conhecido como Positivismo. A busca pelo conhecimento absoluto, esclarecimento sobre a natureza e seus fatos. É o resultado da soma dos dois estágios anteriores.
Pode-se facilmente perceber a importância da revolução industrial para a afirmação da Sociologia. Afinal foi ela que chocou o jeito medieval de ver o mundo. A fábrica trouxe um novo personagem: o proletário e, por consequência, uma nova classe, a classe operaria.


Max Weber (1864 – 1920)

Na visão de Max Weber, a função do sociólogo é compreender o sentido das chamadas ações sociais, e fazê-lo é encontrar os nexos causais que as determinam. Entende-se que ações imitativas, nas quais não se confere um sentido para o agir, não são ditas ações sociais. Mas o objeto da Sociologia é uma realidade infinita e para analisá-la é preciso construir tipos ideais, que não existem de fato, mas que norteiam a referida análise.
A Sociologia para ele é uma ciência que quer compreender a ação social. Ela se pergunta qual o sentido que a pessoa dá a sua conduta. Cada ator dá sentido ao que faz no ambiente social. O que ele faz é explicado pelo sentido subjetivo.
Os tipos ideais servem como modelos e a partir deles a citada infinidade pode ser resumida em quatro ações fundamentais, a saber:
1. Ação social racional com relação a fins, na qual a ação é estritamente racional. Toma-se um fim e este é, então, racionalmente buscado. Há a escolha dos melhores meios para se realizar um fim;
2. Ação social racional com relação a valores, na qual não é o fim que orienta a ação, mas o valor, seja este ético, religioso, político ou estético;
3. Ação social afetiva, em que a conduta é movida por sentimentos, tais como orgulho, vingança, loucura, paixão, inveja, medo, etc., e
4. Ação social tradicional, que tem como fonte motivadora os costumes ou hábitos arraigados.

O prof. Guilherme Hoves (antropologiaufsm.blogspot.com.br) colaborou comigo enviando a seguinte informação: Quanto a questão da racionalidade das ações sociais weberianas: nas duas primeiras (racional com relação a fins e valores), são ações dotadas de sentido e racionalidade. No caso das ações sociais afetivas e tradicionais, não são dotadas de racionalidade, mas movidas por emoção e costume. Nem por isso,no entanto, são dotados de total irracionalidade; nem as duas primeiras, de total irracionalidade. Com isso Weber não afirmava que as ações racionais são predominantes na condução da vida.

Para Weber, a ação social é aquela que é orientada ao outro. Mas, nem todas as atitudes são sociais, mesmo que coletivas. No que se refere ao método sociológico, Weber difere de Durkheim . Ao tratar os fatos sociais como coisas, queria mostrar que o cientista precisa romper com qualquer pré-noção, ou seja, é necessário, desde o começo da pesquisa sobre a sociedade, o abandono dos juízos de valores que são próprios ao sociólogo (neutralidade), uma total separação entre o sujeito que estuda e o objeto estudado, que também pretendem as ciências naturais. No entanto, para Weber, na medida em que a realidade é infinita, e quem a estuda faz nela apenas um recorte a fim de explicá-la, o recorte feito é prova de uma escolha de alguém por estudar isto ou aquilo neste ou naquele momento. Nesse sentido, não há, como queria Durkheim, uma completa objetividade. Os juízos de valor aparecem no momento da definição do tema de estudo. Em relação a Comte também há um afastamento claro. Para Weber não existe nem existirá uma ciência acabada. A ciência moderna é voltada a um questionamento infinito da natureza. Por isso é importante que o cientista não contamine seu olhar, ou seja, não deve projetar seus juízos de valor sobre sua investigação. A ciência é parte do processo de racionalização das sociedades ocidentais modernas. São duas as características desta ciência, o não-acabamento e a objetividade. Segundo esse autor, podemos concluir que:
A ação científica é, portanto, uma combinação de ação racional em relação a um objetivo e da ação racional em relação a um valor, que é a verdade. A racionalidade resulta do respeito pelas regras da lógica e da pesquisa, respeito necessário para que os resultados necessários sejam válidos. Aron, Raymond. As etapas do pensamento Sociológico – 5ª edição;m São Paulo. Editora Martins Fontes, 1999. Pág. 450.

Entendia que a neutralidade científica das ciências da natureza, não seria possível, e talvez sequer desejável. Para o domínio da natureza, quanto mais gerais as leis formuladas, maior e melhor sua abrangência. Para os estudos culturais, no entanto, quanto maior a generalidade, mais vazias ou destituídas de sentido seriam as regularidades propostas, se distanciando da realidade e não permitindo a compreensão do jogo social. Os homens são dotados de consciência, não são coisas. Por isso essa compreensão é uma reconstrução de significados baseados em contextos, textos e documentos. É preciso investigações e provas para legitimar uma compreensão!

Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo

Ao estudar a Ética Protestante ele buscava identificar os sentidos (porquês) das ações dos protestantes e de que forma isso os levavam a trabalhar mais, a evitar a ociosidade, e consequentemente a desenvolver-se economicamente. Entendia que a ação social dos protestantes que deu condições para que países protestantes fossem mais desenvolvidos.
Ele buscou analisar as ações sociais racionais movidas por fins e valores (ou seja, quais os sentidos das ações [a ética] dos protestantes? Quais os valores que os conduziam a tais ações? Quais eram as finalidades de tais ações? Acredito que partindo do princípio da racionalidade dotada de sentido teremos uma compreensão maior da obra de Weber.

Weber afirma que, para os protestantes, é a partir do sucesso profissional que o indivíduo recebe a indicação da salvação: o sucesso do seu trabalho é o sinal divino de que a pessoa será salva. (...) A riqueza é sinal da salvação, e, consequentemente, a ética é a da produção da glória divina, a produção da prosperidade. Assim a ética protestante do trabalho feito para a acumulação, e não para o consumo e gasto supérfluos, é fator cultural determinante para o desenvolvimento do capitalismo, segundo Weber. Sociologia em movimento; Vários autores. São Paulo. Editora Moderna, 2013

A burocracia também é pensada por Weber. Ela é um marco  da modernidade, Estabelece princípios racionais, ordens hierárquicas e, notadamente, regras impessoais. A burocracia supera outras formas de administração do estado. O homem ao criar a burocracia, abandonou-se a racionalidade.Então sofre menos (ou nada sofre) as paixões e convicções pessoais. Entretanto, como tratar os casos pessoais, individuais? Há uma despersonalização das pessoas na visão da burocracia. Cada um é apenas uma peça que deve bem funcionar.
A expressão "Jaula de ferro" reporta-se a rigidez associada a racionalidade habitual da burocracia capitalista. Na verdade a estrutura capitalista expropria as pessoas e não o ideal capitalista.