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sábado, 24 de maio de 2014

Revisão da aula de Filsofica. Senso comum e atitude científica

                                         O Senso comum:
Prof. Amilcar Bernardi



     
  “O homem é a medida de todas as coisas” já dizia Protágoras. Isso significa que nós damos sentido ao mundo. A realidade é compreendida à medida que damos sentido à ela. Esse sentido dá-se à media que explicamos o que nos rodeia. Somo seres que interpretam.  A natureza é o caos até que criamos teorias que dão ordem ao universo. O homem pré-histórico tudo temia, pois a não explicação das coisas o fazia gelar num planeta inóspito e assustador.
A explicação que tecemos na ação do dia a dia, é um tipo de conhecimento espontâneo, fruto das necessidades que nos assaltam a cada momento.  Este espontaneísmo baseia-se nos sentidos, na memória, no desejo que nos faz criativo e imaginativo, nas tradições e nas crenças. Podemos chamar esta forma de interpretação acrítica do mundo de senso comum. Com isso não queremos dizer que o senso comum é irracional, apenas que faz uso "descuidado" da razão.

Senso comum: podemos dizer que é um conjunto de opiniões e modos de sentir o mundo. É herdado através da tradição e relativo a uma determinada época, local ou grupo social. São opiniões acríticas e, não raro, indefensáveis. 

O conhecimento ordinário→ Trata-se do conhecimento ou da racionalidade que surge da necessidade de enfrentar fatos imediatos, da necessidade de resolver problemas propostos por interesses os mais variados, sem qualquer prévia discussão. Raras vezes este conhecimento se faz acompanhar de explanações que esclareçam os fatos. Quando as apresenta, o faz sem indicar testes críticos que provem seu valor de explanação. Claro é que o conhecimento ordinário pode conter elementos de ciência, de filosofia e de religião. (Zilles, urbano. Teoria do conhecimento.Porto Alegre: EDIPUCRS,1994. Pg. 156.)

O senso comum tem algumas características que lhe são próprias:

- São subjetivos, isto é, exprimem sentimentos e opiniões individuais e de grupos, variando de pessoa para pessoa, ou de um grupo para o outro dependendo das condições em que vivem. Por exemplo, se eu for um Hindu a vaca será sagrada para mim, mas se seu for dono de um frigorífico...
- São qualitativos, isto é, as coisas são julgadas por nós como grandes ou pequenas, doces ou salgadas, belas ou feias, úteis ou inúteis, e etc...
- São heterogêneos (composto de partes de diferente natureza), isto é, referem-se a fatos que julgamos diferentes porque os percebemos como diversos entre si. Por exemplo, um corpo que cai e uma pena que flutua são acontecimentos diferentes; sonhar com a água é diferente de sonhar com uma escada...
- São individualizadores por serem qualitativos e hetoregêneos, isto é, cada coisa ou cada fato nos aparece como um indivíduo ou como um ser autônomo: a seda é macia, a pedra é rugosa, o mel é doce, o fogo é quente, o mármore é frio...

Em decorrência das generalizações, tendem a estabelecer relações de causa e efeito entre as coisas e os fatos: onde há fumaça há fogo; quem tudo quer tudo perde; as posições dos astros determinam o destino das pessoas; menino de rua é delinquente...
As pessoas dominadas pelo senso comum não se surpreendem nem se admiram com a regularidade, constância, repetição e diferença das coisas. Preferem o extraordinário, maravilhoso, miraculoso. Por isso a moda está sempre inventando o “extraordinário”, o “nunca visto”...

A atitude científica:






A ciência é sempre desconfiada. Desconfia da veracidade de nossas certezas, de nossa adesão imediata às coisas, da ausência crítica e da nossa falta de curiosidade. Onde o senso comum vê fatos e acontecimentos, a ciência vê problemas e obstáculos que precisam ser explicados.
O procedimento científico clássico passa pelas seguintes etapas: surge um problema que se oferece como obstáculo aos desejos do homem, o cientista que quer controlar e solucionar esse problema elabora hipóteses, testa as hipóteses e tende a uma solução (nem sempre alcançada com êxito).  Assim inúmeras experiências se sucedem até que uma conclusão possa ser generalizada, ou seja, é considerada válida não só para aquela situação, mas para todas similares. Mesmo que o cientista esteja convicto da universalidade de suas conclusões elas serão julgadas em revistas especializadas e congressos (julgados por membros da comunidade científica). Podemos dizer que a objetividade é de extrema importância para a comunidade científica.  Essa objetividade é garantida por métodos rigorosos tanto na experiência do cientista quanto no julgamento das conclusões.

Objetivismo:       Doutrina que afirma existirem normas objetivas, de validade geral.  Qualquer doutrina ou modo de pensamento que atribui relevância ou exclusividade à observação dos aspectos objetivos daquilo que é estudado (como mensuração de propriedades quantitativas).

                        Características do acontecimento científico:

É objetivo, isto é, procura as estruturas universais e necessárias das coisas investigadas.
É quantitativo, isto é, busca medidas, padrões, critérios de comparação e de avaliação para coisas que parecem ser diferentes. Exemplo: as diferenças de intensidade de sons, explicados pelos comprimentos de ondas sonoras.
É homogêneo, isto é, busca as leis gerais de funcionamento dos fenômenos que são as mesmas para fatos que nos parecem diferentes. Exemplo: a lei universal da gravitação demonstra que a queda de uma pedra e a flutuação de uma pluma obedece à mesma lei de atração e repulsão no interior do campo gravitacional.
É diferenciador, pois não reúne nem generaliza por semelhanças aparentes, mas distingue os que parecem iguais, desde que obedeçam a estruturas diferentes. 
Só estabelece relações causais depois de investigar a natureza ou a estrutura do fato estudado e suas relações com outros semelhantes ou diferentes.  Exemplo: um corpo não cai porque é pesado, mas o peso de um corpo depende do campo de gravitação onde se encontra.
São três as exigências do ideal de cientificidade:
Que haja coerência (não haja contradições) entre os princípios que orientam a teoria.
Que os modelos dos objetos (ou estruturas dos fenômenos) sejam construídos com base na observação e na experimentação.

Que os resultados obtidos possam não só alterar os modelos construídos, mas também alterar os próprios princípios da teoria, corrigindo-a.

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