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sábado, 1 de março de 2014

Ensinar pela virtude

 Prof. Amilcar C. Bernardi       

       
      É muito difícil trabalhar com adolescentes. É muita informação, muitas imagens, muita hipnose midiática. Tanto alunos quanto mestres enfrentam esse caleidoscópio de novidades e imagens coloridas que o mundo plugado nos oferece (ou impõe).
      E a velocidade? Tudo tem que ser rápido e... precoce. Crianças devem entrar muito cedo na escola e sair dela cedo. Reprovações são vistas como um impedimento a celeridade e não uma questão de aprendizagem. Não há mais respeito a processos, mas um desejo de acelerar, de amadurecer rápido. Infelizmente a comunidade escolar esquece de questionar: correr para que? Ou para onde? Que lado é "para frente” na educação? Numa realidade em que empregos esfumaçam-se, em que o poder aquisitivo está anêmico, correr para que? Queremos colocar a disposição das empresas guris e gurias acelerados, imaturos e psicologicamente frágeis?
       Temos apenas nove anos do ensino fundamental mais três do ensino médio para ensinar nossos jovens. É claro que teremos que selecionar o que é relevante para eles saberem. Mas o que é relevante mesmo?
      Como aconselhar os professores sem criar teoria nova? Fixei-me então na pergunta porque educar e para que. Para ambas as perguntas a resposta é a mesma: virtude.
      Entendemos que a virtude é uma disposição firme e constante para a prática do bem e, portanto, é a antítese do vicio. Devemos educar para obtermos homens virtuosos através de mestres virtuosos. Disposição firme para o bem: é isso que precisamos, é isso que a sociedade quer, é isso que todos queremos. Não importa a definição do que seja o bem, mas a procura do bem.
       Um professor virtuoso virtuosamente ensinará matemática, ou seja, com vontade de fazer o bem. A vontade do bem é que bem ensina algo.
      A forma virtuosa de ver a educação põe em cheque (mate?) as aulas cheias de conteúdos escolares frios. Nossos filhos não podem mais ser educados para serem alugados no mercado de trabalho. Nossos filhos devem ser educados para serem felizes, para saberem fazer escolhas sábias, criarem suas famílias, produzirem bons exemplos e, principalmente, serem sujeitos éticos e virtuosos.