Follow by Email

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Meu corpo é envelope...

Prof. Amilcar Bernardi

Meu corpo é um envelope.
Um envelope envelhecido.
Feito de papel pardo.
Meu corpo é um envelope.
Não tem destinatário,
não é subscritado.
Envelope sem destino certo
muito menos com destino errado.
Carrega dentro um papel fino e delicado.
Uma carta escrita à mão, às antigas.
Dentro uma carta cheirosa e bela.
Uma carta de poemas e suspiros.
Suspiros gramaticais, enleios verbais.
Meu corpo é um envelope pobre.
Meu corpo é um envelope feio, amarelecido.
Meu corpo contém preciosa carta para leitores de cartas.
Envelopes são feitos para mãos de toques fáceis e descuidados.
Cartas são feitas para olhares, entendimentos e emoções.
Eu sou carta, eu sou papel branco, eu sou verbo.
Meu corpo é envelope que me carrega e guarda-me.
Minha alma é delicada carta alva e poética.
Carta imaculada com letras douradas.
Leitores de envelopes não podem lê-la.
Destinatários de envelopes não podem recebê-la.

Nenhum comentário:

Postar um comentário