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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Comentário sobre Capítulo 4 – Turistas e vagabundos (Globalização: as consequências humanas. Zygmund Bauman)

 Prof. Amilcar Bernardi


                                    Ao ler o capítulo intitulado "Turistas e vagabundos" não pude deixar de lembrar do filósofo Grego Clássico Heráclito. Ele dizia que tudo flui como flui um rio e só o que não muda é lei da mudança. Para ele o fogo simbolizava o movimento e a transformação.  Quero salientar os primeiros parágrafos deste capítulo, onde a necessidade de movimento no Sec.XXI é uma constante. Assim como Sartre dizia que o homem está condenado a ser livre, estamos condenados à volatilidade e a mudança. Os espaços e os tempos foram alargados de tal forma que muitas vezes acredito que finalmente conseguimos separar o corpo da alma! Meu corpo pode estar na cadeira, mas, através dos caminhos virtuais vou a onde quero.  Mais do que isso, somos impelidos a viajar. Os que estão fixados off line são discriminados como sujeitos que vivem “menos”, que tem menos experiências multinacionais e culturais. Parece que não se mover é morrer um pouco. Mas qual a fé que nos move para sempre? Foi inculcado em nós a fé no futuro e no longínquo: sempre amanhã e em algum lugar haverá o saciamento do nosso desejo. Assim como um burro que tem uma vara com uma maçã a sua frente, puxando a carroça a ele atrelada, buscando a fruta que nunca terá. As pessoas se movem buscando a saciedade (inalcançável). A função do muar é apenas caminhar hoje, carregar a carroça hoje na esperança do que nunca terá.
Manipular o desejo no espaço infinito do virtual é a descoberta fantástica do século XXI. Podemos comprar e estar em infinitos lugares (comprando) ao mesmo tempo. Meus desejos tornaram-se onipresentes e globalizados. Meu corpo nem tanto. Barreiras off line tendem a segurar-me onde estou. Mas meu desejo de consumo é liberado. Não importa quem produz ou como produz o que eu quero, o que importa é que posso querer o que eu quero de onde eu estiver. Na verdade, esse mundo que tudo tem em todos os lugares, não é para todos. Aqueles que não podem consumir, nada são nem nada merecem. Estes ficarão de corpo e alma sedimentados em seus lugares físicos. Estarão limitados pela geografia e pelas leis regionais. Imobilizados e pouco viventes. Zumbis off line com salários que não permitem o consumo e, portanto, estão alijados da vida plena pregada pelos idealizadores do consumismo absoluto.


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