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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Ofendo a vós!


Prof. Amílcar Bernardi

 

Deuses: eu ofendo a vós!

Ingratos! Não ouvem a voz

Do valente e audaz bardo!

Frente a vós não me acovardo!

Ofendo-vos com o dedo em riste!

Quero a eternidade e não meu fim triste!

Eternidades pede o vulcão do meu peito!

Para sempre! Não morrer é meu pleito!

Ofendo quem não me quer para sempre!

Deuses: quero ser eternamente vivente!

Meu grito é vulcânico!

Meu ofender é titânico!

Bardo para sempre! Eterna voz!

Deuses: Eu ofendo a vós!

Vossas raivas: Que me importa?

Quero-me vivo, minha palavra nunca morta!

Não sou para dias... sou para gerações!

Não sou para ventania... sou para furacões!

Deuses sei que me mandam o tempo,

Sei que a velhice vem no suave vento...

Sim eu sei que morro querendo viver!

Deuses! Tenho muita vida para uma vida só!

Deuses! Fizeram-me luz, porque me querem pó?

Deuses! Criaram-me cheio de infinitudes,

Criaram-me todo cheio de luz e virtudes...

Porque ceifar quem foi feito para futuros?

Porque matar quem vive em versos puros?

Deuses que me criaram: vós viveis para criar!

Porque ó deuses, esmeram-se em me matar?

Morro, mas que não calem minha ardente voz!

Morro, mas morro aos gritos ofendendo a vós!

 

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