Follow by Email

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Aprender, hesitação e inexatidão.


    
Prof. Amilcar Bernardi
      

       Alguém em pé ensinando. Exercícios. Alguém sentado aprendendo. Executando. Salas cheias de carteiras enfileiradas. Tudo isso cercado por silêncio. Silêncio somente interrompido pela mão discente levantada que pede atenção. Dúvida sussurrada ao mestre. Disciplina. Visão linear da aprendizagem.

            O quadro apresentado no parágrafo anterior é obviamente um estereótipo ultrapassado do que não pode ser.  Imagem essa tantas vezes execrada. Todo o educador sabe que a linearidade, a relação biunívoca causa - efeito na aprendizagem não é possível. Não há novidade em dizer que a petrificação das relações entre aprendizes e entre aprendizes e professores é contraproducente. Na verdade, qualquer petrificação é perniciosa. O ser humano aprende nas contradições e no dissenso.

Podemos extrair da obviedade do primeiro parágrafo algo interessante. Porque a escola não pode ser algo mecânico? Por que não podemos ensinar de maneira linear? 

       Porque a univocidade entre ordens e respostas, entre comandos e reações pressupõe, além da linearidade, a irreflexão. Afinal, refletir é hesitar. O que a linearidade não permite! Porém a hesitação é o exercício daquilo que nos faz humanos: a liberdade! Liberdade de interpretação, liberdade de reflexão e a liberdade de não fazer de forma idêntica ao ensinado!

       A falta de decisão momentânea que nos põe em crise, o titubear que nos obriga a construir respostas é mais que hesitação: é aprender a resolver problemas!  A imediaticidade da resposta empobrece nossas representações. A domesticação das ações responsivas reduz a necessidade de entender conceitos, impede a desaceleração do tempo mental e, portanto, a reflexão. É verdade que a não-hesitação maximiza resultados imediatos, impede o medo que é diluído na velocidade da resposta. Numa guerra e no chão da fábrica minimizar a reflexão produz lucro e exatidão. Na aprendizagem fazer o mesmo é imbecilizar o ser humano.

            A vida é complexa. As emoções são múltiplas e não sabem o que é exatidão. Nossos desejos se sobrepõem à razão nas escolhas que fazemos. A mente, essa desconhecida, nos garante a criatividade mantendo a imprevisibilidade. Graças a Deus não somos oniscientes.  Por isso que o primeiro parágrafo é tão óbvio e sem graça.
 
 
 
Imagem: captada da internet

      

Nenhum comentário:

Postar um comentário