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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Apelo a eles...


 Prof. Amílcar Bernardi

No sonho daquele sono


Perpassa a revolução.

C. Alves

 

 

Uma melancólica moça suspira

Por uma jóia nova... Ao lado o bóia fria

Sofre pelo seu filhinho doente!

Junta as duas cenas o destino demente:

Então a mocinha se aproxima...

“Oh! Linda moça, aqui não entre!”

“Seus sapatos se sujam na favela,

aqui dentro a miséria se desvela

e sinto que tem nojo!”

“Menina, aqui está o lodo

que o rico fomenta...”

“Essa nossa vida é tão nojenta

porque teu pai nos mata por dinheiro!”

“Sinta, delicada moça, esse cheiro

tão diferente do seu perfume...”

“Aqui não tem água, nem luz. No negrume

da noite, enquanto dorme e sonha

já estamos na rua. Com medonha

olheira da noite insone –

trabalha, sofre, se consome

na fábrica de seu pai!”

“Chora? Vai embora, vai

para teu palacete.”

“Que venha a polícia, o cassetete

calará quem assim te insulta!”

“Você é feliz moça, exulta!”

“Você sofre com namoros, cabeleireiro...

“Por Deus! Nós não temos nem comida no fogareiro

nem mais vontade de viver!”

 

 

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