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sábado, 20 de abril de 2013

Amada Sophia

Prof. Amilcar Bernardi


Novamente te escrevo aqui na minha salinha rodeado por livros. Que tu achas? Pretendo transformar os livros numa ótima barreira contra os ataques dos ignorantes. Esta trincheira é calma e tranqüila. Aqui nada me abalará. Pena é que a trincheira protege-me, mas igualmente me isola. Sinto-me só aqui. Mas fora do meu castelinho intelectual há tanta maldade e crueza que a solidão é mal menor.
Continuo escrevendo bastante. Escrevendo esvazio minha mente da excitação das idéias. Mas quanto mais esvazio minha mente a mágica acontece: novas coisas surgem em profusão!
Tu és meu único amor Sophia, tu és quem posso falar. Tu não criticas, sabes ouvir. És paciente e terna, sempre tem algo a dizer e a me ensinar.
Sinto muitas vezes que eu poderia ser melhor....talvez mais sábio, mais paciente, mais terno... como tu Sophia. Muitas vezes falo sobre ética e chego a esquecer que faço diferente do que digo. E brigo pelo que digo como se eu fosse exemplo.
Gostaria muito de ensinar. Mas não posso. Não sei o que fazer amada Sophia quando mentes jovens querem de mim tudo o que sei. Mas eu só sei isto ou aquilo. É pouco, muito pouco. Não posso ensinar, tenho medo dos jovens que se espelharão em mim. Ora, qual minha imagem? Terna? Obscena? O que eles verão em mim?
Sophia, por mais que eu te tenha... pouco de ti possuo.
Quando nos encontramos aqui no meu esconderijo de livros, e fazemos amor entre as páginas, sinto-me em plenitude. Mas não te tenho por inteiro e me escapas. Aí a dor me atinge em cheio. Quem te ama e te conhece não pode mais viver sem ti.
Estou por ti enfeitiçado, mas não me proteges. Leviana, quando mais de ti preciso comigo não estás.  Mas não me importo por que te amo como poucos. Sei que não te mereço, mas te amo de qualquer forma.
Piegas! Uma voz surge no silêncio do meu pensar estéril... é meu superego exigindo satisfações deste escrever néscio, mas revelador. Revela que ainda sou criança para falar sem medo.
O que mais me angustia é saber que não posso possuir-te e se tal fosse possível morreria no tédio de tudo saber! Zeus! Querer ter Sophia é dor terrível, pois é impossível, e tê-la plenamente é morrer de tédio!
Sísifo! Sísifo! Prometeu! O que acontece comigo? Neste confuso labirinto a insegurança me persegue.  Sophia, criatura de poucos, medusa bela, vou desposar-te apesar de tudo. Aceitar a sina e tentar possuir-te plenamente talvez seja o mais terrível e o mais inteligente a fazer.



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