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segunda-feira, 29 de abril de 2013

A escola baseia-se na mística e na confiança

Prof. Amilcar Bernardi

Quando os pais escolhem uma escola para seus filhos, na verdade depositam nela fé e esperança. Ambos os sentimentos são “sentidos” antes de frequentá-la. Quem escolhe, escolhe com um pé no presente e o outro no futuro. A escola que escolhemos hoje deve nos deixar seguros na sua estabilidade pedagógica, para que amanhã possamos manter nela nossos filhos. Esses sentimentos bastante irracionais como a fé e a esperança, podem ser resumidos na palavra: confiança.
Se não confiarmos, não poderemos escolher esta ou aquela instituição de ensino. Confiança tem a ver com a manutenção de uma conduta por um determinado tempo.  Uma escola que mude seu plano global, sua filosofia anualmente, com certeza será menos confiável. Da mesma forma, se o quadro de professores não se mantém, é uma preocupação importante. Em ambas as situações hipotéticas a desconfiança cresce. Um “tanto” de estabilidade e um “tanto” de rotina faz com que confiemos mais, ou no mínimo, faz com que nossas escolhas atuais possam se manter no tempo.
A tensão entre a permanência de um jeito de ser da escola e a velocidade das mudanças no sec. XXI, é uma questão chave. Como a escola se posiciona nessa tensão trará a (des)confiança. Se ela ficar petrificada, sem mudanças, morre inerte. Se mudar sem reflexão, rápida, perde credibilidade e... morre também. Escolas são ambientes que se justificam pela confiança, pois educar e confiar são um binômio inseparável.
Portanto, não creio nos que falam que todas escolas são lentas, ainda medievais porque não mudam no ritmo da modernidade. Penso que a velocidade da confiança não é a mesma velocidade da modernidade. Não podemos esquecer que estamos num tempo de inconstâncias, de medos e desconfianças. Caso a escola siga este mesmo ritmo, sofrerá dos mesmos males.
A racionalidade que acompanha a escolha por esta ou aquela escola é muito especial. Escolhemos por uma mística que exala da filosofia que sustenta a instituição escolar, que a faz única. Disse por duas vezes a palavra “mística”, porque ela sugere algo de mágico, misterioso. Ao escolher, antes de tudo acreditamos, mesmo que por caminhos mentais aparentemente racionais. Digo aparentemente porque passamos a confiar, a crer numa proposta e desacreditamos em outras tão racionais e lógicas quanto a por nós escolhida. Esse mistério que nos vincula a uma proposta educacional só se mantém enquanto nela tivermos confiança.
Não podemos igualar a velocidade das mudanças escolares às mudanças tecnológicas e às invencionices metodológicas. Muito da desconfiança que as pessoas nutrem umas pelas outras, tem relação com as mudanças aceleradas que nossa cultura sofre. As escolas não podem sofrer do mesmo mal. O mistério que nos mantém engajados a esta ou aquela instituição educacional é o cerne da educação escolar. A fé e a confiança tem seu tempo próprio. Acelerar é apostar no consumismo e na desconfiança que inspira tudo que é perecível, mutante e, portanto, irrelevante.



sábado, 20 de abril de 2013

Amada Sophia

Prof. Amilcar Bernardi


Novamente te escrevo aqui na minha salinha rodeado por livros. Que tu achas? Pretendo transformar os livros numa ótima barreira contra os ataques dos ignorantes. Esta trincheira é calma e tranqüila. Aqui nada me abalará. Pena é que a trincheira protege-me, mas igualmente me isola. Sinto-me só aqui. Mas fora do meu castelinho intelectual há tanta maldade e crueza que a solidão é mal menor.
Continuo escrevendo bastante. Escrevendo esvazio minha mente da excitação das idéias. Mas quanto mais esvazio minha mente a mágica acontece: novas coisas surgem em profusão!
Tu és meu único amor Sophia, tu és quem posso falar. Tu não criticas, sabes ouvir. És paciente e terna, sempre tem algo a dizer e a me ensinar.
Sinto muitas vezes que eu poderia ser melhor....talvez mais sábio, mais paciente, mais terno... como tu Sophia. Muitas vezes falo sobre ética e chego a esquecer que faço diferente do que digo. E brigo pelo que digo como se eu fosse exemplo.
Gostaria muito de ensinar. Mas não posso. Não sei o que fazer amada Sophia quando mentes jovens querem de mim tudo o que sei. Mas eu só sei isto ou aquilo. É pouco, muito pouco. Não posso ensinar, tenho medo dos jovens que se espelharão em mim. Ora, qual minha imagem? Terna? Obscena? O que eles verão em mim?
Sophia, por mais que eu te tenha... pouco de ti possuo.
Quando nos encontramos aqui no meu esconderijo de livros, e fazemos amor entre as páginas, sinto-me em plenitude. Mas não te tenho por inteiro e me escapas. Aí a dor me atinge em cheio. Quem te ama e te conhece não pode mais viver sem ti.
Estou por ti enfeitiçado, mas não me proteges. Leviana, quando mais de ti preciso comigo não estás.  Mas não me importo por que te amo como poucos. Sei que não te mereço, mas te amo de qualquer forma.
Piegas! Uma voz surge no silêncio do meu pensar estéril... é meu superego exigindo satisfações deste escrever néscio, mas revelador. Revela que ainda sou criança para falar sem medo.
O que mais me angustia é saber que não posso possuir-te e se tal fosse possível morreria no tédio de tudo saber! Zeus! Querer ter Sophia é dor terrível, pois é impossível, e tê-la plenamente é morrer de tédio!
Sísifo! Sísifo! Prometeu! O que acontece comigo? Neste confuso labirinto a insegurança me persegue.  Sophia, criatura de poucos, medusa bela, vou desposar-te apesar de tudo. Aceitar a sina e tentar possuir-te plenamente talvez seja o mais terrível e o mais inteligente a fazer.



terça-feira, 16 de abril de 2013

Mediocridade...

Prof. Amilcar Bernardi


Mediocridade...

A mediocridade é lava maldita!
Entre labaredas e chamas crepita
tendo como combustível a pessoa...
Queima sem dó a gente! Queima e magoa
a lava quente da mediocridade...
Crepita, uiva em sua maldade
o magma da mediocridade escaldante...
Queima os pés do ingênuo viandante
porque é baixa demais para a fronte salpicar...
Lava maldita escorre sempre a queimar
deixando cinzas por onde passa e crepita!
Deus! Como a mediocridade é maldita!!!