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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Zumbis Nacionais

Prof. Amilcar Bernardi
Homenagem ao Congresso Nacional

Marcham pelas ruas vagando
o Hino Nacional cantando
com vozes terrivelmente roucas...
As pessoas – e não eram poucas –
estavam maltrapilhas e seminuas...
Desvirginadas as moças puras,
de sangue os moços gotejantes...
Zumbis cinzas, perdidos e delirantes
em momento trágico e derradeiro!
Mesmo morrendo, ainda sou brasileiro!
gritou um pálido moço miserável
que andava na multidão desagradável!
Sempre para a praça andando,
sempre nosso hino cantando
como se nada mais soubessem...
Como se nada mais quisessem
ficam vagando em tétrico delírio!
No congresso tremem os governantes
e as esfarrapadas multidões delirantes
chegam aos reforçados portões...
Surgem os zumbis aos borbotões
parecem moveis e tenebrosas estátuas!
Ouviram do Ipiranga às margens plácidas...
cantam aquelas famintas bocas
e as mãos em garras, quase loucas
acenam a justiça trágica chamando!
Os zumbis não atendem a nenhum comando...
Queda da bastilha! Vergonha à classe burguesa!
Já não é nosso hino: milhares cantam A Marselhesa!
Os eternos farrapos
entre negros trapos
ressurgem como fortes gentes!
Do povo renascem os inconfidentes
como se fosse hoje a derrama!
Que venham os senadores! Um zumbi chama!
Do povo um heroico brado retumbante!
Brasil: um filho teu não foge à luta! O zumbi gritante
bate nas douradas e majestosas portas...
Os filhos das mães já mortas
pedem mais que justiça: vingança!
O pai com a morta criança
nos magérrimos braços
quer os portões aos pedaços!
O irmão com morta a irmã
deseja o fim da corrupção malsã!
Zumbis miseráveis e maltrapilhos
querem justiça para seus filhos...
Nos escombros do Congresso constroem
monumento para os heróis que no solo dormem...
Os zumbis livres já sorriem para suas crianças
livres de gente tão má e cheios de esperanças!!!

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