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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Palavras!


Prof. Amilcar Bernardi


Palavras são incansáveis trabalhadoras.
Palavras são sementes nas almas-lavouras.
Palavras são plantações de livros que geram gente.
Palavras são sempre semente
nas plantações de todas as escolas!
Palavras não assinam ponto nem contam horas.
Trabalhadoras organizadas
que em infinitas jornadas
trabalham sem patrão ou salário...
Livro, jornal ou pesado dicionário:
não recusam serviço nem leitor...
Não têm dono nem maléfico feitor.
Elas servem sem serem serviçais.
Elas são almas livres e imortais
que plantam livros e colhem gente!



Imagem: http://www.sempretops.com/dicas/palavras-dificieis-para-impressionar/


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Para a antiga máquina de escrever


Prof Amilcar Bernardi


A máquina tem alma, cheia de amores,
é mãe dos antigos escritores...
Sempre teve alma de mulher: irrequieta,
volúvel, lasciva nas mãos do poeta...
Quando tocada: gemia mais pedindo!
Dava-se toda, sempre rindo!
Sem medos ou pudores,
entregava-se aos seus amores!
Quanto mais carinhos, mais carinhos quer!
A máquina – como voluptosa mulher –
entrega-se inteiramente
ao escritor que – demente –
sempre mais dela exige!
Tantas carícias violentas, imorais!
Mas ela, sequiosa, quis sempre mais!
Desse namoro sensual tirou-se uma lição:
A máquina, o poeta e a inspiração
sempre foram apaixonados e amantes,
foram amores e carinhos escaldantes!
Ela ainda as belezas do existir desperta,
das almas dos escritores deixa a porta aberta,
faz do mundo um mágico canteiro de flores,
enche todos de belezas, poesias e de amores!

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Vida breve...


Prof. Amilcar Bernardi



Rápido, fugaz, ligeiro...
Relâmpago passageiro,
um segundo de luz...
Uma Lâmina que reluz
no fatal segundo do corte...
Raio no negror profundo:
rápido, veloz, menos que segundo!
Um átimo, uma flechada, um estampido...
Rápido, único, certeiro como um tiro!
Feto, criança, adulto, enfim a morte...
É um segundo, um momento: fugaz vento norte!

Sem lugar...


Prof. Amilcar Bernardi



Sem lugar, de lugar nenhum
Despatriado, sem lugar algum
Despossuido, sem nada; ao léu
Perdido sem nada: sem terra, sem céu
Andarilho sem caminho para andar
Transeunte eterno sem ter onde parar
Andante sem pertence
Viajante, a ninguém pertence
Só idas, só saídas; alma viajada
Triste vagabundo, andarilho sem chegada

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Zumbis Nacionais

Prof. Amilcar Bernardi
Homenagem ao Congresso Nacional

Marcham pelas ruas vagando
o Hino Nacional cantando
com vozes terrivelmente roucas...
As pessoas – e não eram poucas –
estavam maltrapilhas e seminuas...
Desvirginadas as moças puras,
de sangue os moços gotejantes...
Zumbis cinzas, perdidos e delirantes
em momento trágico e derradeiro!
Mesmo morrendo, ainda sou brasileiro!
gritou um pálido moço miserável
que andava na multidão desagradável!
Sempre para a praça andando,
sempre nosso hino cantando
como se nada mais soubessem...
Como se nada mais quisessem
ficam vagando em tétrico delírio!
No congresso tremem os governantes
e as esfarrapadas multidões delirantes
chegam aos reforçados portões...
Surgem os zumbis aos borbotões
parecem moveis e tenebrosas estátuas!
Ouviram do Ipiranga às margens plácidas...
cantam aquelas famintas bocas
e as mãos em garras, quase loucas
acenam a justiça trágica chamando!
Os zumbis não atendem a nenhum comando...
Queda da bastilha! Vergonha à classe burguesa!
Já não é nosso hino: milhares cantam A Marselhesa!
Os eternos farrapos
entre negros trapos
ressurgem como fortes gentes!
Do povo renascem os inconfidentes
como se fosse hoje a derrama!
Que venham os senadores! Um zumbi chama!
Do povo um heroico brado retumbante!
Brasil: um filho teu não foge à luta! O zumbi gritante
bate nas douradas e majestosas portas...
Os filhos das mães já mortas
pedem mais que justiça: vingança!
O pai com a morta criança
nos magérrimos braços
quer os portões aos pedaços!
O irmão com morta a irmã
deseja o fim da corrupção malsã!
Zumbis miseráveis e maltrapilhos
querem justiça para seus filhos...
Nos escombros do Congresso constroem
monumento para os heróis que no solo dormem...
Os zumbis livres já sorriem para suas crianças
livres de gente tão má e cheios de esperanças!!!

Morena de olho castanho...


Prof.Amilcar Bernardi

Arde em chamas o olho castanho...
Quente aquela alma! O fogo é tamanho
que o mortal com certeza vai queimar...
Tu o mar podes abrasar,
tu podes o gelo derreter...
Farás o inverno arder,
farás o verão esfriar!
És louca que no andar
em flor transformas o caminho! Te ver...
Ah! Te ver... tu trazes fogo a verter!
Vertes chamas pelos olhos: que olhar!
Mas, meu Deus! Estou a queimar...
Morena, foste tão bela e traiçoeira:
disseste ser apenas luz... mas és fogueira!
Porém, não afasto-me de ti, fascinado escritor...
Sabe o poeta que essa mulher é queimação e cruz...
Sabe que se ela o queima... em fogo ele trans forma-se em luz!!!


Imagem: http://morangossaovermelhos.blogspot.com.br/2009_04_01_archive.html