Follow by Email

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Eu quero ser escritor. Pronto, falei.



Prof. Amilcar Bernardi


Eu quero ser escritor. Escritor famoso, afinal, todos que escrevem são escritores (independente da popularidade). Ouvi dizer que “querer é poder”. Evidentemente que isso é uma inverdade. Eu posso querer escrever e ter o poder de escrever: isso é fato. Porém, a inverdade está em querer ser famoso e ter o poder de sê-lo.
Um cantor de banheiro que acredita cantar bem, que tem opinião inquebrantável favorável sobre si mesmo, só por isso é de fato um cantor? Se ninguém quer ouvi-lo, até o evita, ele é de fato um cantor? Sua fé em si mesmo, seu desejo de ser algo, sua esperança e seu querer fazem dele um cantor? Desconfio que não. Claro, assim como todos que escrevem são escritores, todos que cantam são cantores. O sucesso é outra questão. Talvez tenha pouca relação entre si o cantar (e o escrever) e os palcos famosos (e a academia Brasileira de letras).
Esse querer é algo totalmente meu. Os outros (que fazem de mim famoso) é o imponderável, o toque de sorte ou o desejo divino. Tenho consciência que há caminhos mais curtos para o sucesso popular. Poderia apresentar minha beleza na nudez (a minha natureza não permitirá isso!) como muitas mulheres fazem. Poderia também assassinar alguém estupidamente e na prisão escrever um livro sobre como matei e mutilei minha vítima. Aí eu seria famoso... mas seria um escritor de qualidade porque sou famoso?
Surge uma questão antropológica: ser popular é critério para ser algo (escritor ou cantor)? E o que não é conhecido pode ser algo? Na democracia a verdade é a verdade da maioria, então, para ser algo o critério é o mesmo?
A relação EU (querer) e os OUTROS (que podem ou não querer o que eu quero) é algo insolúvel. Então, como sujeito existencialmente livre, continuarei escolhendo querer ser escritor... mesmo que ninguém concorde com isso ou que saiba deste meu querer. Pronto, falei.

Nenhum comentário:

Postar um comentário