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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Repentina dor


Amilcar Bernardi
 

Repentinamente envelheço.

Eu era dia. Agora anoiteço.

Eu era jovem hoje ao acordar.

Agora sou velho de triste olhar.

Nessa manhã eu jovem amanheci.

Porém repentinamente envelheci.

Tão jovem fui nesse amanhecer.

Tão rápido foi meu envelhecer!

Levantei cheio de amanheceres.

Entardeci cheio de anoiteceres!

Amanheci feliz como criança.

Entardeci moribundo e sem esperança!
 
 
 

 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Amplitudes virtuais (Para a moça das redes sociais)


 Prof Amilcar Bernardi
Por ti eu viajo sem rumo nos oceanos virtuais...
Navego a tua procura nas amplitudes sem cais
 
No meu frágil navio de teclados
Navego livre ouvindo teus chamados...
 
As redes sociais amplos e estranhos mares são...
Nesses infindáveis oceanos navego sem chão!
 
Tu és a digital sereia que faz-me soçobrar
Tu és o vento virtual que faz-me navegar...
 
Construo nosso mágico mundo pela janela do monitor
No virtual mar - sou capitão; no virtual céu - sou condor!
 
 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O poeta ancião


 
Caminhava pela estrada o poeta cansado.

Tinha lento o andar, apoiava-se num cajado.

 

O homem pela avançada idade é dela cativo.

Porém, inspirava respeito pelo andar altivo.

 

O olhar de um profundo azul era tênue, suave...

Um olhar solto, que voava, um olhar de ágil ave!

 

O ancião para numa árvore grande e florida.

Olha tudo em volta, lembra-se de sua vida...

 

Tantos sonhos, tantos sonhos tivera!

Foi jovem e belo como as flores na primavera!

 

Tantos sonhos Deus a ele deu...

E agora? Já não sonha, o sonho morreu!

 

Aquieta-se a espera da morte, a espera do fim...

Então sente o cheiro das rosas de celestial jardim!

 

Mais cansado ainda ouve do vento o canto.

Aquieta-se o ancião quando vê um anjo santo!

 

O anjo em luz com a mão estendida

Junta do chão aquela alma perdida...

 

Parecia dormir o idoso quando encontrado.

Parecia acordar – como num conto encantado!

 

Porém o ancião para o céu está viajando

Feliz sorria seus amores encontrando!

 

Poetas não são daqui, passam a vida sonhando...

Poetas só estão de passagem para o céu viajando!
 
 
 

sábado, 15 de setembro de 2012

InSonia...

Amilcar Bernardi
 

Minha inSonia é diferente e bendita...

Não durmo para avançar na escrita...

 

InSonia: sonho que estou acordado.

Durmo outros sonhos em dia ensolarado.

 

InSonia que deixa meu corpo dormir!

Minha alma acordada quer dele fugir...

 

InSonia: adormece meu corpo, acorda meu escrito.

InSonia: dormir acordado, sentimento bendito!

 

Vem inSonia, dorme comigo!

Vem inSonia, me põe ao teu abrigo!
 


 
 
(imagem da internet)

A chuva...

Amilcar Bernardi 

No céu uma cascata toda cinza
Na vidraça uma chuva que pinga
 
Das inúmeras valetas do céu escorrem escuridões...
Lampiões celestiais acendem raios e fulgurações...
 
O céu é um rio que transborda enchentes!
Ondas e mais ondas de chuva molham as gentes...
 
As nuvens correm carregando negras cores.
Os ventos mais ventam molhados odores.
 
No chão correm guarda-chuvas e coloridas sombrinhas.
Para casa fogem pais, mães, crianças, tias e sobrinhas!
 
Enlaçada ao moço que ama, sorri a moça tão bela.
Todos com medo... e o casal? Sorriem e fecham a janela!
 

 

 

 

 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Genitora de pérolas... (Para uma moça-ostra)

Amilcar Bernardi

Uma ostra bem fechada,

na praia da vida bem lacrada...

 

Dentro  segredos silenciados

pelo oceano lavados...

 

Ostra tímida talvez assustada...

Quantos segredos tão fechada?

 

Entre tantas ostras somente aquela

Somente uma, a mais brilhante e bela...

 

Somente uma fez o moço a desejar!

Lavada e levada pelo manso mar

 

a  ostra ficou junto do poeta...

Então a concha, já bem aberta

 

Encantada por poemas e pela onda cantora

mostrou quem era: de pérolas uma genitora!

sábado, 8 de setembro de 2012

Não sou humilde


Prof. Amilcar Bernardi

 

Aprendi cedo que ser humilde é cultuar uma vida onde a ausência (ou presença mínima) de orgulho é uma virtude. Aprendi desde criança que o orgulho é algo ruim. Uma espécie de vaidade viciosa e viciante. Muito melhor seria o sujeito humilde, pois age de acordo com princípios éticos. Então, sempre evitei comentar o orgulho que sentia para não incorrer na soberba.

O tempo foi passando e cansei de algumas lutas. Lutar para ser humilde esgotava-me muito. Uma energia sem nome saia pelos meus poros, olhos e palavras. Então cheguei a um dilema ético. Negar meu orgulho faria-me um hipócrita. Afirmar meu orgulho faria de mim um presunçoso.  Ambas as possibilidades horrizavam-me. Por isso não tocava nesse assunto, pois não conseguia superar essa complexidade.

Não aceitava ser hipócrita, muito menos ser presunçoso. Também não conseguia sentir em mim a humildade que tanto queria sentir. Não é fácil ser orgulhoso quando aprendemos o contrário. É como nadar contra a maré. Preferível então não tentar nadar nessas águas, mudar de assunto, fingir que não ouvimos os comentários sobre esse tema.

Quando comecei a praticar uma arte marcial, o enigma foi resolvido, as dicotomias desapareceram. Pude então sentir sem constrangimentos morais, orgulho de mim. Descobri na prática que orgulhar-se não significa diminuir alguém, menosprezar um semelhante, nem fazer propaganda de nós mesmos. Ter orgulho não é medir-se com outros. Afinal, entre dois seres humanos não há medição ou comparação possível. Isso porque não somos iguais, não há unidade de medida possível que possa descrever o mais e o menos entre pessoas.

Quando eu avancei nas aulas, superei-me várias vezes. A elasticidade crescia sempre. O que eu achava que não iria conseguir, conseguia logo a seguir. No meu tempo avancei e cada vez tinha mais orgulho de mim. Então percebi que isso não humilhava ninguém, nem implicava juízos de valor em relação a qualquer pessoa. Percebi que é muito bom o orgulho, quando ele refere-se à caminhada da própria pessoa que se orgulha.

O conceito de humildade segundo um dicionário famoso, é mais ou menos o seguinte: virtude da pessoa que age sem orgulho, nem presunção de seu mérito.  Concluo, portanto, que sou orgulhoso. Mas também concluo que não tenho o vício da soberba, nem sou presunçoso. Apenas tenho consciência do quanto avanço na minha caminhada segundo meus limites e minhas percepções. Tenho orgulho de ser um sujeito que cresce a cada dia como pessoa e que, respeitoso, não compara-se com ninguém. Que cada um seja orgulhoso de si mesmo, sempre!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O massacre (Massacres na Síria)




Como um caudaloso riacho

fluía o populacho

por todos os cantos e ruas...

Pessoas famintas e nuas

voavam como vendaval!

Zumbis em tétrico carnaval

andavam pálidos, sem cor...

“A praça é do povo como o céu é do condor!”

Sirenes como gritos cruzavam os ares

voejavam coturnos e militares...

Revoadas de pessoas em cada canto...

Grito, soluço, queda e pranto!

Ondas e hordas: de pessoas uma enchente.

Pobres criaturas, presa tanta gente!

Urubus voavam. Grasnavam lá de cima!

Mortos e incêndios como Nagazake e Hiroshima!
 
Amilcar Bernardi

Participação no 5o Sarau Literário do Colégio Coração de Maria


domingo, 2 de setembro de 2012

O caso da aluna Isadora


Prof. Amilcar Bernardi 

Eu sei que o diálogo é o melhor caminho. Os monólogos são uma insanidade, pois não há neles a abertura para o outro. Pior é quando o monólogo arregimenta milhares de pessoas. Se alguém é criticado desta forma, é bastante provável que será linchado. Os grandes meios de comunicação usam várias vezes esta estratégia infame.  A mídia fala utilizando um monólogo que, não raro, destrói muitas pessoas.

A aluna Isadora Faber enquadra-se nesta situação. Ela usou a mídia virtual para criticar sua escola e seus professores. A adolescente fotografou os problemas e emitiu opinião sobre o que acontece por lá.  Rapidamente internautas se aliaram à aluna. A imprensa noticiou o fato e a escola virou notícia. Evidentemente críticas criam audiência, ainda mais por ser de uma menina e por um meio tão moderno: o monologo nas redes sociais. Houve mudanças para melhor na escola. Porém, insisto no peso do monólogo porque, o colégio e os professores não podem fazer o mesmo. Quero dizer, tirar fotos dos alunos e dos problemas que eles trazem. Não podem registrar os pais dos alunos que vem diariamente à direção agredindo. Muito menos podem registrar o que os políticos fazem contra ela. Qualquer tentativa de reação do colégio pelo mesmo tipo de mídia será mal entendida. Então será novamente soterrado em críticas. Se esta Instituição de Ensino errar por um milímetro, será acusada de impedir a livre manifestação de uma adolescente. Concluo que não haverá diálogo. Pelo menos um diálogo público, no mesmo nível midiático da aluna.

Não acuso a Isadora de montar uma estratégia ardilosa. Nem digo que não deveria ter agido assim. Digo apenas que os professores e a direção foram enredados de tal forma que apanharão quietos. Talvez uma escola particular tenha uma equipe com jornalistas que sabem o que fazer num caso destes. Com certeza não é o caso desta instituição que, sabemos, é publica. Também sabemos que o real dirigente desta escola é um secretário de educação. Um cargo político. Portanto, está preso à opinião publica. Justo esta opinião mutável e mutante foi cooptada pela aluna. Penso que não há o que fazer. A escola está julgada e condenada.

Insisto: a aluna tem o direito inegável de se manifestar. Porém, a escola sempre estará cerceada nesse mesmo direito, pois ela foi criada para ensinar e não para defender-se nas redes sociais.