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sábado, 19 de maio de 2012

O concurso do Magistério no Rio Grande do Sul

Prof. Amilcar Bernardi

Estou ainda digerindo a informação de que a esmagadora maioria dos candidatos no atual concurso para o magistério reprovou. Mais de noventa por cento não conseguiram a aprovação. Estou incomodado com isso. Penso que o Estado (governo Federal e Estadual) formaram tão mal os futuros professores, que não puderam fazer uso deles quando mais deles precisaram. Não foi possível contratar a “mão de obra” formada pelos próprios “empregadores”. As empresas sérias jamais cometeriam esse erro, tamanho o desperdício de “capital” humano e de recursos financeiros.

A educação já tão fustigada pelas más notícias, retorna às redes televisivas gaúchas. Agora, todos os apresentadores de jornais, todos os opinadores de plantão, evisceram o corpo massacrado dos educadores. Especulam o porquê do pífio resultado, procuram explicações para os males que acometem o ensino. No exame da OAB aconteceu coisa parecida, mas como nem todos querem ser advogados, nem os filhos de todos tem que estarem estudando direito, o impacto é menor.

O resultado que vimos é multifatorial. Os baixos salários atraem pouco. A formação é péssima. A sociedade move-se por valores imediatistas e, não raro, egoístas. O enfeiamento da profissão de professor. A ignorância generalizada de qual é o papel da escola. Os vestibulares criados para serem excludentes. As mídias que publicam mais as mazelas que os sucessos na educação. E para complicar tudo isso, a certeza de que as certezas inexistem no mercado de trabalho, deixando sem resposta a antiga questão: ensinar para quem e para quê?

Pensar de maneira complexa e não retilínea é algo muito difícil. Temos a esperança na relação causa – efeito, ainda queremos que para cada pergunta exista uma resposta. Mera esperança! Essa visão biunívoca não existe! Esse é um momento de profundo respeito e de reflexão focada. Os opinadores devem calar. O silêncio de uns propiciam a fala de outros. Nesse momento os governos, os educadores, as universidades, os fóruns (organizados) de discussão é quem tem a palavra.

2 comentários:

  1. Parabéns pelo comentário professor. Sinto exatamente isso que o senhor mencionou e mais: a completa desvalorização, pois as 20 horas semanais que trabalho como convocada para suprir a falta de professores, desde o mês de abril deste ano, ainda NÃO FORAM PAGAS e somente acontecerá isso no final do mês de julho. Atenciosamente Aimara Bolsi Vilani (professora Estadual da E.E. de Ed. B. Augusto Ruschi e E. E. Ens.Fun. Marieta D'Ámbrósio- Santa Maria/RS

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    Respostas
    1. Amiga Aimara!

      Entendo teu sentimento e revolta. Mas não podes abater-te! Continua firme fazendo o melhor e sempre denunciando como a educação está sendo tratada!

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