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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Cara Senhora Raquel Chrispino (postagem antiga, porém sempre atual)

                    Cara Senhora Raquel Chrispino,



Tive a oportunidade de ler seu trabalho intitulado ”A judicialização das relações escolares e a responsabilidade civil dos educadores “. Da mesma forma, tive acesso a inúmeros outros artigos com teor similar. Fico feliz em perceber o olhar crítico (e muitas vezes severo) com que as escolas e professores estão sendo observados. Isso revela que a educação está sendo motivo de cuidados.

O que chama a atenção, pelo menos a minha, é o tom – recorrente – de reprovação ao agir das escolas. É verdade, ela erra muito. Também acerta muito. Até porque as instituições que deveriam educar (além da escola) faliram. Políticos, agentes públicos, advogados, enfim, a sociedade está adoecida. A escola e seus professores fazem parte desta sociedade, porém, deles (educadores) é muito cobrado. Eu acredito que deve o educador ser cobrado. Afinal ele tem que educar o melhor que puder tanto os filhos dos que corrompem, quanto os dos que são honestos. A democracia, a república morrerá sem cidadãos bem formados.

Quanto a questão da escola estar indo ao judiciário, a coisa está mal. A lei está a serviço da educação e não o contrário. O cidadão educado (moralmente bem formado) é quem faz as leis!  

Disciplinar o aluno é algo cada vez mais difícil. Eu compreendo. É necessário todo um ritual, um processo que garanta seus direitos. Porém, o lugar do ensino de conteúdos (conteúdos também são necessários!) está sendo dividido com preocupações alienígenas, extracurriculares. Isso é bom? Cedo para dizer. Menos conteúdos para o engenheiro, para o médico e para o advogado é bom? Ainda não sei.

O legislador não entende de didática tão bem quanto o professor. O professor não entende de leis tanto quanto o legislador. Ora, devemos aproximá-los? Talvez.  Ou ainda, se a escola vai mal, não poderiam outros setores da sociedade assumirem a formação do cidadão, e deixarem aos educadores apenas o ensino? Administrar a “justiça disciplinar” não é para professores, eu acredito nisso. Porém, a sociedade continua a exigir a imposição de limites pelos educadores.

Sem querer alarmar, porém, hoje, há mais professores baleados, esfaqueados e agredidos por alunos do que o contrário (alunos agredidos por professores).

No momento não opino, apenas reflito “em voz alta” com a senhora.



Abraços



Prof. Amilcar Bernardi

www.amilcarfilosofia.blogspot.com




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