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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Escafandrista ou benévolo?

 Prof. Amilcar Bernardi


Eu adoro palavras. Sempre que posso escolho uma e fico admirando-a. Estava vendo um desenho animado, Bob Esponja para ser mais exato, e vi uma pessoa usando um escafandro. Fiquei imaginando como seria estar dentro daquele aparelho impermeável, ligado por um respirador, embaixo da água. A palavra "Escafandro" é horrorosa, feia. Eu iria sentir-me horroroso, feio, isolado, pesado e desengonçado ao vestir tal coisa, o escafandro.
Tem pessoas que estão dentro de seus corpos, como o mergulhador está dentro do equipamento escafandro. Não conseguem sair de lá de dentro para entender o mundo de fora. Se a sociedade fosse um oceano, algumas pessoas seriam mergulhadores pesados, isolados dentro de seus corpos sólidos, hermeticamente fechados, incomunicáveis.  Pensei nos egocêntricos, nos egoístas e nos que criaram a ilusão que estão certos apenas em 99% dos casos.  Os escafandristas na sociedade vivem nas águas da vida sem se molhar. Que vida triste! Essa palavra (escafandro) tão feia e esquisita combina com estes indivíduos.
Eu adoro palavras. Então fiquei imaginando as que fossem o contrário de escafandro. Lembrei que acabei de ler um livro sobre a comunicação não violenta. Ora, se a comunicação fosse um mar, escafandristas seriam coisas estranhíssimas! Pensei em quais palavras bonitas apareceram no livro. Lembrei de algumas, mas uma achei que era o contrário do nosso mergulhador: compaixão. Compaixão é um sentimento benévolo que nos domina quando algum mal acontece a alguém. Temos compaixão, portanto, quando saímos de dentro de nós e ficamos enternecidos pelo outro que sofre. Bonito, não?
Agora, vamos pensar na palavra benévolo. Muito linda essa palavra. Somos benévolos quando desejamos o bem ao outro. Compaixão e benévolo são a antítese de escafandro. Nos mares da vida tem muito escafandrista, não?
Resta-me refletir se eu sou benévolo ou um mergulhador blindado, incomunicável. Enquanto não tenho resposta para essa reflexão, vou continuar saboreando palavras.

Um comentário:

  1. Lembrei-me de Chico Buarque na música Constru~]ao onde ele faz um verdadeiro jogo com as rimas que são palavras trissilabas e proparoxítonas e ainda outra canção do próprio chamada Palavra

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