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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Lembrando do carnaval que vem aí...

Prof. Amilcar Bernardi


Carnaval? Não, obrigado.



Tenho uma relação estranha com o Carnaval.  Olho as mais diversas manifestações de alegria neste período e elas não tocam-me a alma. Entendo até a relação atávica dos homens com a percussão, uma relação milenar junto aos atabaques, tambores e similares. Posso sentir meu coraçao pulsar mais forte quando o som ancestral da bateria choca-se contra meu peito. Uma sensação muito boa, porém... para por aí. Não sinto ímpetos de extrapolar minha rotina diária de felicidade. Não consigo aceitar o convite para assumir a postura carnavalesca de uma felicidade explosiva, não usual e abusiva em muitos casos.

Sendo eu medianamente informado, compreendo que a época carnavalesca sugere um tempo de descarga emocional coletiva, quase um gozo sexual. E essa descarga só é possivel na liberdade concedida pela sociedade (normamente tão opressora) neste período. Uma liberdade vigiada, porém, uma liberdade extra concedida num período curto a ser usufruido com sofreguidão. Meus olhos ficam extasiados por tanta beleza, mas, não consigo gostar deste convite ao delírio.  Sinto-me inclusive um estrangeiro no meu país. Vejo o encantamento coletivo com os festejos carnavalescos como um excesso doentio de uma felicidade temporária e falsa. O Carnaval é uma espécie de sursis social. Nossa verdadeira alegria acontece no ano inteiro, não em um período tão restrito e de excessão.

De fora do “espírito carnavalesco” posso observar que neste período as pulsões estão mais desimpedidas. Os desejos podem transparecer – e serem satisfeitos -  com maior facilidade. Claro, há inúmeras festas no mundo que permitem a mesma coisa. Não é um privilégio nosso. Há milhares de anos inúmeras festas pagãs tem o mesmo teor de liberalidade e beleza do carnaval brasileiro. Puxa, isso significa que eu não sentiría-me atraído por muitas festanças por aí! 

No país do futebol e do carnaval não jogo bola e não gostaria de participar do sambódromo.  Então sinto-me um estranho. Deveria gostar... mas não gosto. Eu entendo a importância e o que significa esta festa nacional. Compreendo mas não a sinto. Apenas a compreendo cerebralmente. Prefiro curtir as alegrias e possibilidades de ser feliz no meu dia a dia. Um evento só, mesmo que perdure por alguns dias, não pode satisfazer-me.

Caranaval? Não, obrigado.

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