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domingo, 27 de novembro de 2011

Meu mundo pela janela...

Prof. Amilcar Bernardi 
Estou usando o mesmo título da crônica do escritor J. Bicca Larré, pubicado hoje no Jornal Diário de Santa Maria.  O escritor comenta suas percepções da vida, vista por sua janela.  Fiquei imaginando que todos temos nossas janelas para ver o mundo. Temos janelas reais, físicas, aquelas que têm persianas e vidraças. Também temos as “janelas dos nossos olhos”, ou seja, nossa inteligência está no cérebro/mente e as informações visuais que chegam até nossa consciência vêm pelos globos oculares. Nossas retinas são as vidraças, as pálpebras as cortinas. Estamos dentro de nós debruçados nas janelas oculares “vendo” o mundo, com certeza.
Cada um tem suas janelas. Os preconceitos são janelas antes dos olhos e dos ouvidos. Tem janelas grandes que deixam passar muita luz. Outras janelas são bem menores, menos arejadas. Tem vidros mais e menos limpos. Como a visão nada mais é que a captação da luz, tudo isso faz diferença quando pensamos o mundo. Não há contato direto com nosso exterior. Existem janelas. Elas são feitas em conjunto, ninguém consegue ser construtor único, autor exclusivo das janelas que nos prendem/libertam
Mas minha reflexão ao ler o texto do Jornalista Larré, foi além disso. Tem uma janelinha/janelão muito interessante. A janela do monitor do nosso computador. Ela abre-se para o mundo. Esta escancarada 24 horas por dia, sem cortinas ou limites. Então algo maravilhoso acontece. Quem olha através dela é obrigado a escolher o que quer ver. É tão grande a paisagem que podemos ver por essa janela, que é impossível ver tudo ao mesmo tempo. Então focamos. Olhamos pequenas coisas. Como são muitas coisas e só podemos ver aos poucos, escolhemos a velocidade. Olhamos aos poucos e rapidamente tudo o que podemos “ver”. Perdemos por consequência a profundidade. A janela do monitor oferece tanto que vemos cada vez menos. Melhor dizendo, vemos mais para ver menos. A quantidade matou a qualidade.
Lembrei que os filósofos clássicos tinham apenas as janelas dos olhos e alguns instrumentos de cálculo. “Viam” pouco e já tinham imensa dificuldade em interpretar o mundo.  Agora a coisa piorou, “vemos” muito mais e muito menos nos interessamos em refletir sobre o mundo. Tudo é tão rápido que filosofar tornou-se lento demais para o século XXI.






quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Lembrando do carnaval que vem aí...

Prof. Amilcar Bernardi


Carnaval? Não, obrigado.



Tenho uma relação estranha com o Carnaval.  Olho as mais diversas manifestações de alegria neste período e elas não tocam-me a alma. Entendo até a relação atávica dos homens com a percussão, uma relação milenar junto aos atabaques, tambores e similares. Posso sentir meu coraçao pulsar mais forte quando o som ancestral da bateria choca-se contra meu peito. Uma sensação muito boa, porém... para por aí. Não sinto ímpetos de extrapolar minha rotina diária de felicidade. Não consigo aceitar o convite para assumir a postura carnavalesca de uma felicidade explosiva, não usual e abusiva em muitos casos.

Sendo eu medianamente informado, compreendo que a época carnavalesca sugere um tempo de descarga emocional coletiva, quase um gozo sexual. E essa descarga só é possivel na liberdade concedida pela sociedade (normamente tão opressora) neste período. Uma liberdade vigiada, porém, uma liberdade extra concedida num período curto a ser usufruido com sofreguidão. Meus olhos ficam extasiados por tanta beleza, mas, não consigo gostar deste convite ao delírio.  Sinto-me inclusive um estrangeiro no meu país. Vejo o encantamento coletivo com os festejos carnavalescos como um excesso doentio de uma felicidade temporária e falsa. O Carnaval é uma espécie de sursis social. Nossa verdadeira alegria acontece no ano inteiro, não em um período tão restrito e de excessão.

De fora do “espírito carnavalesco” posso observar que neste período as pulsões estão mais desimpedidas. Os desejos podem transparecer – e serem satisfeitos -  com maior facilidade. Claro, há inúmeras festas no mundo que permitem a mesma coisa. Não é um privilégio nosso. Há milhares de anos inúmeras festas pagãs tem o mesmo teor de liberalidade e beleza do carnaval brasileiro. Puxa, isso significa que eu não sentiría-me atraído por muitas festanças por aí! 

No país do futebol e do carnaval não jogo bola e não gostaria de participar do sambódromo.  Então sinto-me um estranho. Deveria gostar... mas não gosto. Eu entendo a importância e o que significa esta festa nacional. Compreendo mas não a sinto. Apenas a compreendo cerebralmente. Prefiro curtir as alegrias e possibilidades de ser feliz no meu dia a dia. Um evento só, mesmo que perdure por alguns dias, não pode satisfazer-me.

Caranaval? Não, obrigado.

domingo, 13 de novembro de 2011

De alguma forma todos somos deficientes... e todos somos inclusos

                      
Prof. Amilcar Bernardi 

Para alguém ser inserido no mercado de trabalho, o ambiente escolar e o consequente aprendizado, são a condição sine qua non. O mesmo acontece no que se refere à inclusão do jovem na linguagem gramaticalmente correta. Idem na sua inclusão nas artes e nas grandes obras literárias. Privar alguém saudável do ambiente escolar é privar esta pessoa da vida em plenitude.  Quem não lê eficientemente é um deficiente para a leitura, quase um cego. Quem não domina a linguagem técnica do direito, é quase um deficiente auditivo num julgamento onde é réu. Não conviver e aprender na escola é um prejuízo enorme na vida do cidadão na polis. Se a escola não inclui as pessoas no mundo social e do conhecimento, não é uma escola. É outra coisa.

As crianças aprendem a dividir seus brinquedos com os coleguinhas. Desenvolvem a capacidade de negociar espaço nos recreios e nas brincadeiras coletivas. Descobrem qual a postura social adequada e a linguagem esperada no convívio. Junto com o aprender a comportar-se no ambiente público, vem a aprendizagem do Português, da Matemática e da Ciência.  Se uma criança ficar em casa com professores particulares, e com amplo acesso a materiais educativos, mesmo assim, sua aprendizagem global será diferente daquelas crianças incluídas na escola. Estar fora da comunidade aprendente cria algum tipo de deficiência, ou seja, a criança apresentará ausência de alguma coisa, uma incompletude. A escola é o lugar natural da superação de deficiências para todos.  Neste contexto, a inclusão legal dos deficientes físicos e/ou mentais na rede de ensino, apenas ratifica a universalidade do direito à matrícula na escola. 

A inclusão de qualquer pessoa na escola e o que a escola faz dela na cultura é de suma importância social.

Incluir na escola não significa apenas juntar pessoas numa sala de aula. É preciso profissionais especializados, estrutura adequada e um ambiente de aceitação. Incluir é dar tempo diferente aos diferentes. Incluir na escola é avaliar a aprendizagem, de acordo com as possibilidades individuais de aprender. Uma escola inclusiva não tem uma metodologia, têm várias. Muitas metodologias para as muitas diferenças que se apresentarão.

A lei diz que as classes especiais existirão concomitantemente às classes “convencionais”. O trânsito do aluno especial em ambas as classes está garantido. A diversidade ensinará tolerância e cooperação. Os alunos que aprendem com mais facilidade em alguns aspectos, perceberão que podem ajudar mais. Os alunos com dificuldades maiores, perceberão que podem trocar experiências únicas. Superar a deficiência visual para aprender os conteúdos escolares, é similar a superação do professor que tem que ensinar quem não vê, sem ter a experiência da cegueira.  O professor vai ter que reaprender seu ofício. Todos terão que aprender e todos terão que ensinar.

De alguma forma todos somos deficientes e precisamos ser incluídos. A escola é apenas mais um veículo de inclusão.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Fusca ou Porsche?

Prof. Amilcar Bernardi

Velocidade. Ausência de linhas retas. Saltos, sustos, assombros. Frações múltiplas de variadas realidades. Vórtice. Assim é o mundo da informação virtual, ou melhor, do mundo midiático.  Textos e reflexões longas não despertam mais o interesse. Pelo menos um interesse prolongado. Pior ainda se a reflexão for trabalhosa. Nesse mundo amalucado, tudo está na distância de um clic.  Um clic, um pulo. O que retém nosso olhar é visto apenas por segundos.
O mundo virtual tem tudo. Tudo a qualquer tempo. E de forma resumida com linguagem simples. Muito simples.  O que é muito complexo não é preferido. Até é acessado, porém, por alguma imposição. Na velocidade dos dedos clicantes as mentes andam. Andam rápido. Bem rápido. Rapidez superficial. Rapidez horizontal.  A profundidade, a verticalidade tornou-se algo penoso demais.  Nossos cérebros estão adaptando-se a isso. Rapidamente, inclusive.
Numa estrada de alta velocidade, é a reflexão cuidadosa que a sinaliza e a constrói. Construir/planejar uma estrada para veículos que podem andar a 300Km/h leva tempo, muito tempo. Nesse caso, a lentidão é que garante a velocidade. O cálculo e a profundidade das reflexões é que permitem a segurança do carro veloz. Se todos fossem pilotos de corrida, substituindo os engenheiros e arquitetos, os acidentes seriam inevitáveis. Por analogia, eu diria que a escola pensa como engenheiros. O Google, como os pilotos.  Não podemos escolher um ou outro. Planejadores de pistas e pilotos são necessários, não se excluem.
O problema acontece quando pessoas simplistas, sem darem-se o tempo de entender a complexidade da escola hoje, afirmam que os professores e suas aulas devem acelerarem-se. Querem que os educadores se igualem as mídias. Isso não é possível. A mídia pode dar-se ao luxo de ser inconsequente, irresponsável até. Ela pode ser um bólido veloz. A escola não. É ela que tem que refletir e estimular a reflexão. E isso é feito no tempo da leitura, da socialização, do respeito às regras e do gosto pelo aprender. Que tempo é esse? Tempo de um Fusquinha ou de um Porsche? Não há resposta fácil. Depende do aluno, do contexto, dos valores, das vivências pessoais, do ritmo de cada um.
Penso que professor sempre será um “engenheiro”, que antes de andar na pista de alta velocidade, sabe pensá-la e entendê-la. O jovem quer ser piloto e acelerar. Não importa para ele as leis da Física ou de trânsito. Mas fato é o seguinte: é preciso que saibamos bem mais do que acelerar, mesmo que isso leve algum tempo.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Coletes argumentativos

Prof. Amilcar Bernardi 
A argumentação é dependente do poder de abstração do ser humano. Também depende do vocabulário e da habilidade de saber trabalhar com a lógica.   A argumentação transcende o que julgamos ser o mais verdadeiro em nós: os sentidos! Argumentar torna relativo até o que meus olhos veem, o que minha pele sente. Sob este aspecto prepondera quem argumenta mais eficazmente. Portanto, ficam em segundo plano os cinco sentidos e todas as testemunhas oculares. A argumentação é como uma máscara bonita onde o que mais vale é a aparência e a coerência. Uma pessoa de má-fé, porém boa argumentadora, pode fazer prevalecer sua ideia como se fosse a melhor possibilidade. Assim como uma boa ideia de um bom sujeito, pode ser preterida porque seus argumentos não foram convincentes. Nossa sociedade (política)  é baseada em argumentos. Entendo aqui argumentar no sentido lato, ou seja, o desenvolvimento de uma discussão baseada em argumentos e contrapontos.
Os milhares de anos necessários para que nos tornássemos civilizados, criaram roupas verbais, verdadeiros coletes argumentativos à prova de balas. A política partidária então é um carnaval de fantasias feitas de dicções e contradicções! Ninguém mais pode, após o invento da fala, aparecer nu de argumentos. Nenhuma alma de sucesso aparecerá despida de sujeito, predicado e cópula.
Quando o sol esta muito forte, as roupas e todos os artifícios para o embelezamento perdem sentido e são jogados fora.  O calor insuportável faz com que apareçamos como realmente somos, as maquiagens borram, as roupas caem, pois se tornaram insuportáveis. Os argumentos são assim. Quando o calor da discussão atinge magnitude, aparece de maneira bem crua o que de fato queremos, pensamos e acreditamos.  Inúmeras vezes, sem as roupagens bonitas dos argumentos, as agruras de que também somos feitos transparecem. É o calor interno que pode prejudicar nossa carapaça verbal.
Amo os argumentadores. Gladiadores das discussões. Armados com os dardos gramaticais e com as setas do vocabulário. No mundo civilizado, mundo das informações abstratas e on-line, melhor guerreiro será aquele que esgrimir melhor os argumentos. O homem nu de argumentos é um guerreiro desarmado. Pobre criatura fadada à morte sem defesa alguma.

domingo, 6 de novembro de 2011

Comunicação e pesca

Prof. Amilcar Bernardi

Comunicamo-nos quando emitimos/recebemos mensagens através de processos convencionados (linguagem: sinais, símbolos, pausas, enfim signos...). Como disse Aristóteles, somos animais políticos. Entendamos aqui política como habilidade adquirida no trato das relações humanas: civilidade, negociações, cortesia e astúcia.  Habilidades exclusivamente humanas por que dependentes da capacidade comunicação.

A comunicação só poderá acontecer num sistema estruturado, num contexto onde seu conjunto de elementos possua alguma relação, uma coordenação inteligível. Simplificando: as pessoas entendem-me quando falo porque mantenho-me dentro das regras de fala comuns a mim e a quem escuta-me. O que falo relaciona-se com a capacidade de entendimento do outro (ouvinte).  Portanto, o ouvinte/receptor não é passivo. Ele está escolhendo sentidos dentro de sua história pessoal. É a sua história que vai “pintar” na tela da mente as imagens e sentimentos relacionados com o que está sendo ouvido.

Fico então imaginando o trabalho do pescador. Vai até o rio em que haja peixes. Não qualquer peixe, mas aquele que deseja pescar. Não é qualquer rio, mas aquele que tenha o peixe que deseja. Encontrado o local adequado, escolhe o melhor caniço. “Melhor” significa o mais adaptado para o porte do peixe. E mais ainda: preocupa-se com o anzol compatível e a isca perfeita. É uma espécie de planejamento onde o determinante (o peixe) está fora do pescador, está invisível dentro da água. Aí que está a graça da pescaria, o investimento no desconhecido: sabemos que o peixe está lá, mas também sabemos que é possível voltarmos com as mãos vazias.

Comunicar-se é algo semelhante a pescaria.  O rio é a mente do outro. Sei que lá tem idéias, experiências, conhecimento, preconceitos, desejos...  E lá vou eu – o comunicante – prepotente, pensando que a pescaria será boa. Pretendo pescar representações na cabeça do outro. Representações que sejam aquelas que eu quero pescar/provocar nele. As que eu quero e não outras que o receptor tenha para me oferecer. Caso eu seja um pescador inexperiente, esquecerei de procurar o argumento-anzol adequado. Não serei escrupuloso ao oferecer a idéia-isca “perfeita”, muito menos escolherei a cabeça-rio que tenha o que preciso para inspirar representações específicas. Saio por aí jogando iscas e anzóis como um louco. Isso prova que não percebi que tão importante quanto meu desejo de seduzir/capturar/inspirar é o desejo do peixe, a realidade dele.

Comunicar é isto: uma arte arriscada onde tenho que quase adivinhar o que está abaixo das águas da aparência para preparar meus caniços, anzóis e iscas. Quanto mais hábil eu for em ver prever o que está abaixo da superfície, melhor pescador/comunicador serei.

sábado, 5 de novembro de 2011

Meio copo de água e a (in) disciplina na escola

Prof. Amilcar Bernardi

Em cima de uma mesa está um copo com água bem gelada. Para ser mais exato, meio copo de água gelada no verão bem quente.  Algumas pessoas ficarão felizes em ter meia porção de água numa temperatura tão alta. Outras tantas ficarão frustradas por terem apenas a metade de um copo de água.  Evidentemente todos estão vendo a mesma coisa. O que está variando é a relevância que dão às facetas, às parcelas da realidade que percebem. Nesse caso, ninguém está errado. Só podemos avaliar as consequências das escolhas que o observador fez ao perceber o fato indiscutível: há meia porção de água no copo e, portanto, ao mesmo tempo, não há água na outra porção.
Penso que a vida é isso, pontos de vista sobre fatos. Os fatos são indiscutíveis, mas minha leitura deles é outra coisa! Nossas opiniões sobre a escola não seguem princípio diferente disso.  
Uma possibilidade (uma porção do copo) é julgar que a disciplina é algo imposto, sempre imposto.  Nunca será algo justo (mas democrático) porque sempre haverá alguém esmagado pela regra determinada pela maioria. Para estes - a minoria - a norma sempre será externa, pois sempre irá contra seus desejos. Seguindo essa reflexão, a regra sempre é dual: de um lado alguém que ordena, de outro alguém que obedece. E toda a aquiescência é acrítica.  Esta forma de pensar não é totalmente desprezível. São apenas facetas de um fato: existem normas.
Por outro lado (outra porção do mesmo copo) é possível refletir diferente. Podemos entender a disciplina como uma sujeição das atividades instintivas às refletidas. Então as regras são (meus) limites impostos aos (meus) instintos. A reflexão limita nossos desejos.  As regras, sob este prisma, são o ordenamento do meu psiquismo de dentro para fora. Claro, ao mesmo tempo, sendo que a razão trabalha sob influência dos valores sociais – introjetados – também é um ordenamento de fora para dentro. Portanto, temos que ser sempre sujeitos críticos. Diante dessa dialética feita das regras que eu crio e das regras que criam para mim, eu faço-me.
A sala de aula é nosso “copo de água”.  Um tanto do tempo escolar é regrado. Outra porção é mais livre. Alguns/muitos intelectuais veem com maior relevância o lado cheio de disciplina, a porção irrespirável, locupletada de “nãos” e preenchida por ranços autoritários. Estes pensadores ainda enxergam o fazer medieval na escola atual. Não posso dizer que estão errados, porém, posso afirmar que estão vendo parte do copo e um copo é feito de suas partes, se tirar uma, não é mais copo.
Numa escola só há regras porque há (crescente) liberdade a ser regrada. Sem liberdade, não haveria porque tantos questionamentos sobre a (in) disciplina. Inclusive, muitas vezes a liberdade nas escolas beira a permissividade.  Qualquer pessoa pode ver nos corredores das escolas (como se fosse o sangue nas veias) crianças e jovens correndo, andando, falando, brincando, escorrendo escadas abaixo como cascatas, ou subindo as escadas como as águas carregadas pelas rodas d’água das fazendas. Estudantes fluem, escorrem e respingam em todos os lugares escolares... irreprimíveis.  Então as regras são como as normas de trânsito, existem para que o fluxo seja maior, mais rápido e mais seguro. Ninguém, no trânsito, deve morrer porque é livre para dirigir como quer. São portanto, regras que libertam.
Eu gostaria que esse texto servisse para reflexões.  Acredito que por ignorância algumas vezes, maldade muitas outras vezes, muitos afirmam que a disciplina na escola é isto ou aquilo. A disciplina às vezes é outra coisa, outras vezes ela é muitas coisas. Fica a reflexão: que porção do copo disciplina estamos privilegiando e qual estamos ignorando?