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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Comentando artigo da Nova Escola

A concepção de educação está anêmica de reflexão

Li o artigo “Eles e a repetência: a retenção não ajuda a aprender, mas pais (e alunos!) defendem a medida”. O texto explora a questão sob o ponto de vista da aprendizagem ou não aprendizagem dos alunos.  Nele é estabelecida uma relação reter/não reter X boa/má qualidade da aprendizagem.   Entendo a preocupação do artigo com o aluno e com a qualidade da aprendizagem, porém, são esses os únicos elementos que contam?
Não. A retenção tem outros vieses possíveis e interessantes.   Vejam que o elemento determinante (mas não único) para passar de ano é o sucesso nas avaliações (provas, trabalhos...).  Então não podemos esquecer que essas avaliações são sempre diagnósticas. Diagnosticam o que? De um lado a qualidade da aprendizagem. Do outro lado, a competência do professor em elaborar a avaliação e sua performance na aula. Ambos os lados são importantes e não excludentes.
Quando avaliamos o aluno na busca do que ele e nós podemos melhorar, a questão da retenção fica em segundo plano.  Não podemos comparar os alunos entre si, podemos avaliar os avanços que eles tiveram sobre sua própria história como aprendizes.  A avaliação nos conta como a criança era e como ela está hoje, nos auxiliando a projetar o futuro. A aprovação para o ano seguinte é secundária sob este ponto de vista. Isso porque o professor, a coordenação e os gestores estão também sendo avaliados.
A questão referencial é a seguinte: o ano letivo é um processo entre a matrícula e o resultado final. Como está mesmo esse processo?  Por que sentimos que o resultado é mais importante que o próprio processo? Quais os valores que perpassam o fazer nas escolas? Ensinamos porque e para quem? Aprendemos por quê? Por que alguns saberes são considerados necessários e outros não? Por que a retenção é encarada como insucesso e não apenas mais um tempo para a aprendizagem?
A concepção de educação está anêmica de reflexão.  Poucas, pouquíssimas pessoas preocupam-se com as questões realmente pertinentes.  Cada vez mais o ensino está desinteressante para as crianças e jovens em sala de aula (estudam muito pouco) e para os adultos (não desejam ser professores).
Há muita reprovação de alunos porque o processo está reprovado, porque não queremos pensar para onde estamos indo.  Parece que é imperioso todos estarem matriculados em todas as escolas. É uma corrida de muitos onde poucos refletem sobre o caminho a seguir e para onde é melhor ir. Isso sim me assusta.

Um comentário:

  1. Me lembro que alguém disse o seguinte, durante o governo Lula: ''Hoje temos mais de 90% das crianças, em sala de aula''. Seria ótimo não fosse por um detalhe: A escola não é mais encarado como caminho de formação para novos cidadãos e/ou profissionais. A educação virou bandeira de campanha política. Interesse na formação do ser, fica par último plano. Não existe interesse efetivo por parte de quem quer seja, no futuro dos alunos. A repetência serve de máscara para uma preocupação fícticia.
    Ótimo post. Abraços

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