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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Criança e velho

Amilcar Bernardi
Criança e velho: sou ambos. Alegre e triste: sou ambos. Pólo positivo e negativo: sou ambos. Então, sou bipolar.
Fiquei pensando sobre os altos e baixos que sofro, que sou. Sou contraditório nas emoções que sinto. Sou feliz beirando a infelicidade e quando acredito estar vitimado pela tristeza, a alegria já me bate às portas da alma.  Uma coisa não vive sem a outra em mim. 
Quando ajo como adulto a criança que sou reclama fazendo birra, jogando-se ao chão e gritando por atenção como toda a criança mimada, como todo filho unigênito. Quando estou, então, agindo como um infantil, o senhor austero que também sou eu, adverte-me, admoesta-me. Procuro então o equilíbrio, a mediania. Mas a mediania sugere mediocridade (aquele que é mediano), então me desequilibro voltando a ser uma adulto criança e vice versa.
Sou passageiro. Vou passar pelo mundo. Sou temporário. Porém, vou ficar na história dos que vão contar-me. Sou atemporal e eterno porque o que escrevo ficará (espero que ninguém delete o que escrevi! PeloamordeDeus!). Então eu passo ficando e fico passando.
Dias melhores virão. O que significa que dias piores aconteceram.  O pior em mim está grávido do melhor que virá. E o melhor que virá só é melhor porque é filho do pior que houve. Eu sou o pior e o melhor. E vice versa.
Eu sou, eu existo porque o amanhã ainda não existe, porque sou livre num futuro que ainda não aconteceu. Eu existo hoje porque não existo no futuro. Eu sou existência e inexistência, portanto.
Estou pensando coisas hoje. Cheguei a conclusão que a beleza da vida é ser isso, uma Montanha Russa. Ela é ao mesmo tempo altos e baixos, curvas e retas, gravidade positiva e negativa, medo e alegria. Então já sei o que somos: Montanhas Russas.

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