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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Sophia

Esse amor teve início na infância. O primeiro contato com ela aconteceu na biblioteca do pai dele. Ele mal aprendera a ler. O menino estava na biblioteca quando a percebeu lá. Não a conhecia. Não sabia quem ela era. Mas aquele doce olhar era convidativo. Vale a pena dizer que ela era muito bonita. Como ninguém daquela casa a havia visto antes? Os encontros aconteciam quando a sala estava vazia. O nome dela? Sophia.

Sophia era muito legal. Só falava o que Carlos queria saber. Só ensinava o que ele queria aprender. Ele apaixonou-se. Quanto mais o tempo passava, mais se apaixonava por Sophia. Quanto mais velho ele ficava mais a mágica acontecia: Sophia ficava mais bonita e atraente; cada vez mais brilhante. Os olhos mais doces, a voz mais tranqüila.

Carlos perguntava muitas coisas para ela. A resposta era rápida. Mas havia um encanto especial com aquela moça. Para cada resposta que ela dava, uma dúvida surgia. Então Carlos tentava fazer perguntas que tivessem uma resposta só. Ela então sorria e respondia sempre criando novas dúvidas. Sempre mais perguntas se tornavam necessárias.

O legal de tudo isso era que não enjoava a presença dela. Ao contrário, como ela era um enigma, a paixão só fazia crescer. Queria desvendá-la.  Queria conhecê-la totalmente... mas não dava. Ela escondia algo.

Carlos agora era adulto. Resolveu fazer uma pergunta especial para ela. Havia ensaiado muito para fazer tal pergunta. Afinal Carlos queria Sophia só para ele. Queria casar com ela. Mas como fazer isso se ela era uma figura mágica que só aparecia entre aqueles livros velhos? Só aparecia quando ele queria aprender algo? Estava ficando triste porque dedicara muitos anos a ela e ela sumia, fugia, se escondia. Ele vivia para Sophia e aquela figura linda escondia algo. Naquela tarde foi à biblioteca e fez a pergunta que tanto queria fazer:

-          Sophia, tu me amas?

-          É evidente que sim. Convivo contigo há muitos anos. Vi-te crescer e virar um homem bom, honesto e verdadeiro.É claro que te amo.Mas, o que é amar?Tu só podes exigir de mim o que sabes o que é.

-          Sophia, estou triste. Não quero discutir nem ser sábio hoje. Quero saber porque foges de mim.

-          Não fujo de ti.És tu que tens que me achar, que me procurar e me merecer.Se não demonstrares o tanto que me amas, vou embora. Eu exijo tudo de ti e tu tens que me dar tudo o que quero.

-          E tu, dás-me o que?

-          Conhecimento. Eu só tenho sabedoria para dar. Só.

-          Mas eu sofro muito porque tu não és totalmente minha...

-          Carlos, todos que me querem sofrem. Tu não és o único que me deseja.Muitos já morreram por mim. Outros enlouqueceram. Tantos outros foram mortos porque acreditaram no que eu disse. É preciso que me aceites como eu sou. Eu nunca serei como tu queres que eu seja. Mas tu serás o que eu quero de ti. Não sou má, nem sou boa. Apenas deves me amar com toda a tua alma.

-          Isso é injusto Sophia! Tu me enfeitiçaste quando eu era criança! Não tive defesa!

-          Tu ainda és cego. Abra os olhos e veja o que eu fiz por ti. Tu sabes mais que os outros. Tens a mente ágil e forte. Entendes o que acontece no mundo com rara inteligência. És admirado por todos porque aprendeste muito comigo. Aprendeste a amar, a desejar a sabedoria. És sábio e ainda não percebeste o tanto que sabes. E tudo deves a mim. Enquanto me amares mais crescerás. E nunca esqueças: tudo que me perguntares te responderei. Mas o preço que deves pagar é tua dedicação e empenho em me possuir.

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