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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Lúcido grafema

Amilcar Bernardi

Existe lúcido grafema
para bem grafar poema?
Qual grandiloquente grafia
imobilizará a translúcida poesia?
As reentrâncias das belas letras
e os versos - quais fúlgidos cometas -
grafarão a etérea magia do sonho?
E se poemas e loucuras componho?
E se escrevo fantásticas fantasias?
E se escrevo não-sensos e idiossincrasias?
Então não pode haver lúcido grafema
nem verbo, nem doce e sutil cantilena
que possa registrar o tênue poema?
Como escrever o infinito
ou registrar o pujante grito
dos que vivem para poetar?
Como um amor belo grafar?
Como uma dor escrever?
Como numa página prender
o amor que uma alma algema?
Não!  Não há lúcido grafema
para bem grafar um poema.

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